História do Convento do Desagravo retratada em livro

 

… no interior do monumento fundado por Genoveva Maria do Espírito Santo.

Volvidos mais de três séculos desde a sua edificação – as obras terão tido início em 1780 –  o Convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento abriu as suas portas para o lançamento de uma obra alusiva à sua história.

“Era um sonho que já tinha há algum tempo”, referiu a presidente da Junta de Freguesia de Vila Pouca da Beira que, desde a primeira hora, apoiou o lançamento do livro como forma de o executivo que dirige “colmatar uma lacuna existente sobre a história do Convento hoje transformado em pousada histórica”.

Para Graciosa Fontinha esta é uma forma de “dar a conhecer e evidenciar esta riqueza patrimonial material e imaterial que é ex-libris da freguesia e do concelho” e de prestar homenagem a Genoveva do Espírito Santo, “uma grande mulher que do nada conseguiu erguer esta preciosidade”.

“Uma grande lição de vida e de fé, pois o convento é prova de que quando se quer muito, tudo é possível e os sonhos podem tornar-se realidade”, entende Graciosa Fontinha, numa mensagem que integra as primeiras páginas do livro agora lançado e que é prefaciado pelo falecido Bispo de Coimbra, D. Albino Mamede Cleto que, na data de lançamento do livro, comemoraria o 78º aniversário do seu nascimento. Responsável pela apresentação da obra, o padre António Borges de Carvalho louvou o trabalho desenvolvido pelo autor que conseguiu reproduzir em livro “uma riqueza que a maior parte não sabe, nem conhece, mas que é digna de ser conhecida, para que o povo e a comunidade de Vila Pouca da Beira possa medir melhor a grandeza da sua história e presença do convento”.

Saudando a presença das irmãs Clarrisas na sessão de lançamento da obra, Borges da Carvalho aludiu àqules que são os principais momentos da história de edificação do convento, em particular o esforço e o caminho percorrido pela “pastorinha” Genoveva Maria do Espírito Santo que fundou o monumento destinado a acolher as irmãs Clarissas e a promover a educação e formação de meninas. “Foi um acontecimento extraordinário”, sublinhou, sem deixar de lamentar desativação do convento após a morte da última freira em 1889, data em que a fazenda pública tomou posse dos bens do convento, alguns dos quais se encontram espalhadas por vários espaços religiosos e outros.

Enaltecendo o poder local por apoiar o lançamento da obra, o autor Correia Góis não deixou de criticar a ausência do poder nacional que “foi convidado” mas não compareceu à sessão de lançamento da obra. Um trabalho que surge na sequência de uma investigação que tem vindo a desenvolver há 25 anos na área dos conventos e outros monumentos religiosos e registou a “boa recetividade da Câmara Municipal e Junta de Freguesia”. “Para mim é uma honra este livro que engrandece a cultura do meu concelho, a freguesia, o distrito e a cultura portuguesa”, considerou o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital a propósito da obra para a qual muito contribuiu o empenho de Graciosa Fontinha e a investigação do autor.

Satisfeito pela obra, José Carlos Alexandrino revelou-se sobretudo “orgulhoso” pelo monumento que, ao longo dos anos, se tem mantido em bom estado de conservação, acolhendo mesmo uma moderna pousada. “Agradeço à fundação Bissaya Barreto, a Viegas Nascimento e ao povo que tiveram papel preponderante na preservação”, sublinhou.

A participar no lançamento da obra alusiva a um monumento religioso inaugurado pela então Câmara de Vila pouca da Beira, Alexandrino não deixou de aludir ao “aspeto menos positivo” do livro que começa com a indicação de que “Vila Pouca da Beira é uma das 21 freguesias de Oliveira do Hospital. “Daqui a um tempo deixa de ser verdade porque um conjunto de políticos acha que é com a extinção de freguesias que se resolvem os problemas do país”, criticou o presidente da Câmara Municipal, voltando-se a opôr à decisão do governo de extinguir cinco das 21 freguesias do concelho, entre as quais a da Vila Pouca da Beira.

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