1. Desiludam-se aqueles que pensam que o PSD se vai agora pacificar e que o filho pródigo a casa sempre torna. É óbvio que o líder reeleito do partido, bem como o candidato vencido nas eleições de 12 de Abril, têm sucessivamente manifestado essa vontade de união. Porém, tudo não passa de discursos de circunstância, politicamente correctos, porque ambos sabem que essa tarefa é impossível.

2. O PSD está fracturado em dois e os apoiantes de Mário Alves e Paulo Rocha nunca aceitarão a candidatura de José Carlos Mendes à presidência da Câmara, nas eleições autárquicas de 2009. A facção do partido que está instalada no poder autárquico – caso não tenham percebido –, voltou novamente a não aceitar os resultados.

Inimigos Públicos

3. Se dúvidas existem sobre este facto, veja-se por exemplo o teor do artigo de Carlos Teixeira da Rocha, publicado no jornal Folha do Cento, e onde aquele histórico do PSD afirma que “sendo hoje claro que, maioritariamente, os verdadeiros PSD ´s apoiaram a lista A, muitos sabem agora que foram derrotados dentro do seu PSD por pessoas que vieram da área do PS”. O que Carlos Rocha – o pai do candidato vencido não diz –, é que, se tal fosse possível, a lista derrotada até a Marte era capaz de ir angariar militantes.

4. Cinco dias depois de José Carlos Mendes ter vencido as eleições e de se ter auto-proclamado como candidato do partido à Câmara, Luís Filipe Menezes deitou a toalha ao chão. Começou de imediato o ambiente de conspiração e o PSD derrotado passou então a ver uma luz ao fundo do túnel. Dito de outro modo e na primeira pessoa do plural: “Temos quase todos os presidentes de junta connosco, vamos apoiar a Manuela Ferreira Leite e convencê-la de que em equipa que ganha não se mexe!”

5. É óbvio que a demissão de Menezes poderá ter muitos efeitos colaterais no seio do PSD, uma vez que as garantias que a comissão política nacional terá dado a José Carlos Mendes no sentido de ser a lista vencedora a liderar o processo da escolha do candidato à Câmara, podem agora cair por terra. Ou seja: a futura liderança do PSD nacional – eventualmente apoiada pela estrutura distrital –, pode vir a terreno defender a tese de que não vai tirar o tapete a um autarca que venceu as duas últimas eleições autárquicas por maioria absoluta.

6. Num cenário desses – estou em crer que o país ainda vai a banhos sem que este processo esteja minimamente clarificado –, José Carlos Mendes perde na secretaria, mas fica com uma base de apoio capaz de o encorajar a bater com a porta e a avançar para uma candidatura independente.

7. Paradoxalmente, ficamos então com um PSD em que o principal inimigo público deixa de ser o PS para, curiosamente, passar a ser o próprio PSD. Com o partido a combater-se a si próprio e tendo em conta que Mário Alves foge da adversidade como o Diabo da Cruz, só creio que o actual presidente da Câmara se arrisque a ir a votos se o PS aparecer no terreno como o Benfica vem aparecendo nos relvados.

 

Henrique Barreto

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