Numa altura em que a pedofilia e outro tipo de crimes de pornografia infantil, sobem em flecha, Camilo Oliveira, da Polícia Judiciária, não quis alarmar, mas defendeu que é necessário alertar os jovens para os perigos a que estão expostos ao nível da utilização da internet.

Inspector da PJ adverte para perigos a que estão expostos os jovens ao nível da criminalidade sexual

A criminalidade sexual online esteve recentemente em debate na Casa da Cultura César Oliveira, numa iniciativa organizada pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Oliveira do Hospital, no âmbito de um protocolo estabelecido entre a Polícia Judiciária e a Direcção Regional de Educação do Centro, e que contou com a participação de Camilo Oliveira – um inspector-chefe da Polícia Judiciária (PJ) de Coimbra que tem a seu cargo a investigação dos crimes de natureza sexual.

Ao contrário do que se verifica já em muitos países, em Portugal os estudos e as investigações sobre os crimes sexuais na Internet ainda são recentes, mas isso não significa que o fenómeno não atinja já uma dimensão preocupante, conforme sublinhou Camilo Oliveira.

Aquele inspector, que entrou para os quadros da PJ em 1990, referiu que existem neste momento “muitos casos em investigação”, mas frisou que o objectivo da sua intervenção não era “alarmar” mas sim “alertar”, já que em causa estão sobretudo jovens “imaturos, curiosos, com excesso de confiança e que gostam de correr riscos, o que os torna muito vulneráveis”.

Camilo Oliveira deu inclusivamente o exemplo de uma recente operação policial da PJ em que aquela polícia efectuou, com mandados de busca, 150 buscas em casas particulares. “Houve pais que gelaram, quando entrámos nas suas casas com mandados de busca por crime de pornografia infantil”, uma vez que muitos dos computadores investigados – e utilizados por jovens – terão estado na base de acesso a sítios de Internet com pornografia infantil.

“Mas vocês, também podem ter isso nas vossas casas”, advertiu aquele elemento da PJ, sustentando no entanto que a tese em que se diz “que os pais é que têm que vigiar os filhos é uma propaganda má” porque – em sua opinião – muitos adultos não “sabem sequer o que é um hi5” e tantas outras funcionalidades que a Internet permite.

Por isso, Camilo defende que “não conseguimos explicar os riscos e, por isso, também não podemos dar conselho sobre o que desconhecemos”. Como desligar a ficha de internet também não é “solução” – até porque conforme sublinhou aquele orador convidado, as vantagens da net são muitíssimo maiores do que as desvantagens –, Camilo exortou a plateia presente na Casa da Cultura – predominantemente constituída por professores – a passar a “mensagem”.

Numa altura em que as redes de pedofilia na Internet e outro tipo de crimes de pornografia infantil aparecem cada vez mais nas páginas dos jornais, aquele membro da PJ de Coimbra mostrou também preocupação pelo facto de este tipo de crime, que das suas “modalidades clássicas” extravasou para a Internet em grande escala e tem fundamentalmente como vítimas os jovens, não ser normalmente denunciado. Notando que “a Internet não é o futuro, mas sim o presente”, Camilo abordou também o facto de a net estar cada vez mais “portátil” e frisou que as salas de chat com webcam, por exemplo, são muito propícias a “exibições sexuais” e permitem “uma comunicação em tempo real”

Henrique Barreto

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