investigadores Ana Velosa, Rui Vieira e Luís Mariz (Small)

Investigadores da Universidade de Aveiro alertam para risco de graves perdas patrimoniais no Buçaco

Os 32 edifícios do conjunto monumental da Via-Sacra da Mata do Buçaco precisam de obras urgentes de reabilitação sob o risco de degradação irreparável. O alerta partiu do Departamento de Engenharia Civil (DECivil) da Universidade de Aveiro (UA), o qual acentua que, para além da própria degradação dos edifícios construídos pela Ordem dos Carmelitas Descalços a partir do início do século XVII, nove deles se encontram em zonas de perigo de queda de árvores e 23 podem sofrer graves consequências derivadas do escoamento das águas da chuva.

A morfologia do solo e o perigo de queda de árvores são os grandes riscos que, segundo os especialistas, podem trazer consequências graves e irreparáveis para o conjunto monumental da Via-Sacra daquela Mata Nacional. Mas a construção baseada essencialmente de materiais cerâmicos, argamassas de cal e cortiça, obrigam também a uma intervenção urgente.

“Os edifícios carecem de acções de reabilitação e de manutenção urgentes sem as quais a degradação se pode acentuar de forma irreversível”, alerta Ana Velosa, coordenadora do trabalho e investigadora do RISCO, a recém-criada unidade de investigação do DECivil que tem como objectivo estudar e avaliar os riscos e a sustentabilidade na construção, incluindo a conservação do património construído. “Nove dos edifícios encontram-se em zonas de perigo de queda de árvores e apenas dois dos trinta e dois edifícios monumentais estão localizados em áreas com declive inferior a 20 por cento. Todos os outros estão em terrenos com declive que varia entre 20 a 60 por cento”, acrescenta Rui Veiga, estudante de Engenharia Civil na UA e autor da Tese de Mestrado que faz a análise dos riscos da Via-Sacra do Buçaco.

Os riscos são vários. Uma queda de árvore nos edifícios expostos a esse risco “pode destruir coberturas e paredes, causando degradação acelerada dos edificados devido, por exemplo, à entrada de água e colonização biológica”. Os declives entre os 20 e os 60 por cento nos terrenos onde foram construídos grande parte dos edifícios “acentuam a presença de água em algumas empenas [paredes laterais de um edifício], potenciando a sua degradação”, principalmente em caso de chuvas fortes.

A investigação do DECivil vai ser discutida durante o I Seminário sobre Património Edificado do Buçaco no dia 27 de Março. Organizado pela Fundação Mata do Buçaco, pela UA e pela Câmara Municipal da Mealhada, o encontro pretende marcar um momento decisivo para as acções de salvaguarda e protecção do Património Edificado do Deserto dos Carmelitas Descalços do Buçaco.

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