“Já houve tempo para aprender a respeitar as opções do povo”

Oliveira do Hospital parou hoje para comemorar o 39º aniversário do 25 de abril. Tempo que o presidente da Câmara Municipal considera suficiente para que a vontade do povo seja respeitada.

Na receção que, esta manhã, fez às comemorações dos 39 anos passados desde o dia 25 de abril de 1974, a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital deu hoje voz a cada uma das forças políticas com assento na Assembleia Municipal. Uma prática que já não é nova, mas da qual o maior partido da oposição decidiu abdicar, pese embora a presença do porta voz daquele partido, João Esteves, na sessão comemorativa desta manhã.

“No dia da liberdade, não podemos deixar de lamentar a ausência do maior partido da oposição nesta cerimónia”, reagiu o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que, do mesmo modo, disse não estranhar tal comportamento que “já vem no seguimento das atitudes recentes do líder da oposição”, em que “as promessas de uma oposição limpa nas palavras e construtiva nas propostas deram rapidamente lugar a uma sucessão de ataques traiçoeiros e mal educados, atentatórios do bom nome e da dignidade das pessoas e das instituições”.

Em concreto, José Carlos Alexandrino apontou o dedo ao facto de o líder do partido da oposição ter apelidado a equipa de que faz parte à frente dos destinos da Câmara Municipal de “seres menores”. Seres que – lembra o presidente – “foram democraticamente eleitos pelo povo oliveirense”. “Quase quatro décadas depois do 25 de abril, já houve tempo para aprender a respeitar as opções do povo”, observou Alexandrino, remetendo a expressão proferida pelo líder do partido da oposição para aquele que foi o discurso “oficial dos que há cerca de 80 anos, proclamavam a superioridade da raça ariana”. Atitudes que o presidente da Câmara garante que, enquanto amante da democracia, continuará a denunciar e a combater, promovendo a liberdade hoje celebrada.

José Carlos Alexandrino falava assim numa cerimónia que contou com a participação especial do lagarense e interveniente na revolução de abril, o coronel Rui Santos Silva que, na primeira pessoa, relatou os momentos vividos e fez questão de depositar no município a fotobiografia de Salgueiro Maia, de quem foi adjunto, e documentação importante do tempo da revolução. Momentos que permitiram recordar o 25 de abril de 1974 e conduziram a uma reflexão sobre o momento atual. “O poder local aparece como uma das suas maiores realizações”, referiu o presidente da Câmara que, em 2013 vê ser colocada em causa a “eficácia e pressupostos” de um poder de proximidade decorrente da crise económica que tem imposto um “garrote financeiro em todas as instituições”.

Em particular, Alexandrino referiu a redução das receitas municipais – em 2012 o município obteve menos 2.1 milhões de euros –, mas que não foi impeditivo de um trabalho de desenvolvimento das condições de vida dos oliveirenses, decorrente da aposta do município na área social, optando em 2012 por um orçamento preocupado “com as famílias e os indivíduos”. “A atuação deste executivo está cada vez mais concentrada nos cidadãos”, assegura o presidente, dando como exemplo o programa Ativos Sociais, a BLC3 e o investimento na reversão do direito de superfície da Acibeira e que permitiram ao concelho assumir-se como “um dos municípios mais competitivos de toda a região”.

“É tempo de repor abril e a esperança”

Com o passado bem presente na memória, o presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital invocou as conquistas de Abril para, no imediato, apelar à união de todos para que seja possível alcançar uma “nação livre e independente, onde todos tenham oportunidades e o direito a uma vida feliz”. “Certamente não será com políticas de austeridade cega, com cortes de direitos e regalias, com a fome, a doença e o desemprego em massa, que vamos conseguir”, considerou António Lopes, entendendo ser “tempo de repor Abril e a esperança”.

“O estado a que isto agora chegou é já uma caricatura, completamente desfigurada daquilo que deveriam ser a dignidade, a soberania e a independência nacionais”, afirmou o porta voz da CDU. Tal como já habituou os oliveirenses, João Dinis não poupou nas críticas que dirigiu ao governo e à troika, elegendo a demissão do governo como o objetivo primeiro a atingir. “Contem connosco para acabar com o estado a que isto chegou”.

Do lado do movimento “Oliveira do Hospital Sempre”, Rafael Costa pincelou um retrato pessimista da atualidade, para se centrar na “esperança” de que o país vai conseguir contornar o estado a que chegou. “Não podemos é esperar que seja alguém a fazer por nós”, sublinhou o porta voz da bancada independente que, para o efeito, se revelou defensor da revisão da constituição porque “o mundo mudou muito e é preciso adaptá-la”.

Sem deixar de lamentar a perda de “bom senso” do ponto de vista ético, quer em termos europeus e nacionais”, o porta voz do PS centrou a atenção nas prioridades concelhias que se mantêm no esquecimento do governo – ICs e extensões de saúde – e em particular nos processos de fusão de escolas e freguesias. “É indigno o que se fez de forma arbitrária, prepotente, capciosa e quase a raiar a vingança ao impor-se um mega agrupamento a um território educativo e a uma população que, vejam o paradoxo, se propõem vir a servir”, afirmou Rodrigues Gonçalves numa alusão concreta à candidata do PSD à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que acusa de “indignidade” por “retirar direitos aos oliveirenses”.

“PSD não foi convidado…”

Prescindindo do tempo e lugar que lhe estava destinado na cerimónia desta manhã, o PSD recorreu antes a um comunicado que dirigiu à comunicação social para justificar a sua ausência das comemorações. “Em Oliveira do Hospital, a Democracia é uma mera ficção e o poder autárquico socialista/comunista tudo tem feito para subverter as virtualidades de abril e destroçar o que de muito bom se conquistou há quase quarenta anos”, comunica a Comissão Política do PSD oliveirense, cujos elementos garantem estar a sofrer na “primeira pessoa o efeito de novas formas de tirania, de coação e de exclusão por parte de quem se apoderou do poder e o utiliza em benefício próprio, perseguindo ou tentando aniquilar quem ousa seguir outra linha de pensamento.” Em concreto, a estrutura dirigida por António Duarte destaca “a restrição a princípios básicos de democracia, controlo de cidadãos, amedrontamento, aliciamento e chantagem” que atingem o seu “auge” com o aproximar das eleições. Constatações que levaram o PSD a optar pela ausência nas comemorações da revolução de Abril para as quais, garante em comunicado, não ter sido convidado.

LEIA TAMBÉM

Marcelo promulga comissão técnica para analisar fogos de Outubro que afectaram Oliveira do Hospital

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou hoje o diploma da Assembleia da …

O ódio à escola. Autor: Renato Nunes

7h00. O despertador toca e Mauro enrola-se nos cobertores, assim que consegue silenciar o maldito …