J´accuse

… círculos empresariais e políticos. Naquela reunião fiz uma intervenção profissional, não partidária. Foi uma intervenção de indignação. Foi frontal: não menti, não caluniei, não politizei, apenas exerci o meu direito à indignação.

Não foi assim entendido por alguns. Uns consideraram-na fora do local e outros muito frontal!

Ao acharem-na fora do local quereriam dizer que deveria ter sido feita fora do local do “crime”? Na rua? No café Portugal? No estádio municipal? Ou, quiçá, ao ouvido do Sr. Presidente da Câmara e, de preferência, no momento do seu justo e reparador sono e, se possível, sem o acordar?!

Outros não aceitaram a frontalidade da intervenção, como se isso fosse uma afronta, um insulto, uma falta de civismo. Aconselhar- me-iam a uma “cínica” subserviência? A uma falsa humildade? A um tímido e medroso comentário?

Foi o Sr. Presidente mais inteligente que uns e outros, ao abandonar a reunião. Mais inteligente, também, do que aqueles que se aproveitaram para, anonimamente em on-line, insultarem e exporem os seus deficientes valores democráticos e dos que tentaram fazer, maliciosamente, um aproveitamento político da sua retirada.

Interpretei a retirada do Sr. Presidente como um implícito reconhecimento da justeza da crítica que foi dirigida à sua gestão, no que respeita à matéria da reunião e ao rápido reconhecimento da armadilha em que caiu, ao aceitar fazer campanha política numa reunião de empresários empenhados em preservar as suas empresas.

Não interpretei, pois, a saída do Sr. Presidente da Câmara como um acto de irresponsabilidade e muito menos de cobardia.

Na minha vida profissional também me habituei a ter de, muitas vezes, saber retirarme. Chorei, ri, sonhei, sofri muitos momentos de crises de objectivos, de derrotas, de erros cometidos, mas nem por isso perdi o direito e o dever de manifestar a minha indignação, especialmente para com aqueles que se ofereceram para servir as causas públicas, as pessoas, as empresas, a democracia, a liberdade e, todavia, não o fazem, por utilizarem discriminada e abusivamente o poder que lhes foi confiado.

Serei incómodo,talvez, mas não me venham, seja de que lado for, com lições de ética ou falsa moral, desvirtuando a frontalidade e as convicções pelas quais estou ha-bituado a lutar.

Já no ano de 1973, também num contexto de colectivo empresarial, me confrontei com o meu pai e restantes empresários de confecções, opondo-me à ideia da formação de um cartel absurdo.

Tive, nessa altura, uma única prova de solidariedade: um discreto sorriso, acompanhado de uns breves monossílabos, do Eng.º A. Campos, ao cruzarmo-nos no Café Portugal. Confesso que foi pouco, mas foi o suficiente para manter e reforçar as minhas convicções profissionais e sociais. É por isso que:

– Não me conformo com a gestão do Sr. Presidente da Câmara, para o desenvolvimento empresarial das confecções, pelo que não fez e deveria ter feito.

– Não me conformo com a gestão conflituosa que extremou o Concelho, quer dentro da sua equipa inicial de trabalho, quer no interior do seu Partido e entre os Oliveirenses em geral.

– Não me conformo com a perda de oportunidades de desenvolvimento económico e social que o nosso Concelho não aproveitou e que agora, no actual contexto nacional e mundial, se torna mais difícil de recuperar.

Com toda a frontalidade:

NÃO ME CONFORMO!

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