Jammo: Trabalhadores e sindicato culpam administrador pelo atraso no subsídio de desemprego

… Jammo e o Sindicato do sector têxtil de Coimbra. Na Casa da Cultura César Oliveira, o administrador foi acusado de “estar a reter o processo”, por não ter ainda passado o modelo 5044 que agiliza o processamento do subsídio de desemprego por parte da Segurança Social.

“O que ele está a fazer não é de pessoa. Está a ser muito injusto para com os trabalhadores”, referiu ao início da tarde a sindicalista Fátima Carvalho denunciando uma situação de atraso no levantamento nos CTT das cartas enviadas pelos funcionários e através das quais se despediam por “justa causa, os salários em atraso”. Segundo explicou, as cartas foram recepcionadas no dia 5 de Janeiro, mas só foram levantadas no dia 12. Com o fim à vista do prazo – 20 de Janeiro – para que a Segurança Social processe os subsídios do corrente mês, sindicato e trabalhadores temem agora que o modelo não seja preenchido atempadamente. A solução – como explicou – passa pelo administrador da insolvência nomeado pelo tribunal, que se mostrou “sensível” ao problema e se disponibilizou para preencher o modelo 5044. “Viemos aqui para recolher os dados dos trabalhadores, para que amanhã o administrador da insolvência possa dar seguimento ao processo”, referiu a sindicalista notando que esta acção seria escusada se Manuel Moita tivesse cumprido com os procedimentos.

Indignada com a situação que está a afectar cerca de seis dezenas de trabalhadores, Fátima Carvalho pergunta a Manuel Moita “que mal lhe fizeram os trabalhadores, para os fazer sofrer tanto”. “Qualquer morte merece dignidade”, sublinhou, considerando que o administrador está a “retardar o processo para se vingar dos trabalhadores”. Não deixou também de se mostrar indignada com as acusações proferidas por Manuel Moita contra os trabalhadores e deixou bem claro que “é mentira que o sindicato vai levar 200 Euros a cada um”. “Os trabalhadores são pobres, mas têm muita dignidade”, rematou.

Pelo contrário, a sindicalista louva a atitude do Centro de Emprego de Arganil na celeridade com que deu início ao processo, ao mesmo tempo que elogiou a abertura da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital para com os trabalhadores. No entanto, frisou que até agora nenhum trabalhador beneficiou de qualquer subsídio e que o importante é que “da parte do poder local e das instituições haja medidas céleres para resolver a situação”. “ As ajudas ou são accionadas com alguma celeridade ou não têm o efeito prático que é necessário”, defendeu, notando que é nestas situações que deve funcionar o simplex.

“É normal numa sindicalista que quer tirar proveito da situação”

Denunciando o atraso na recepção das cartas – Moita garante que chegaram dia 12 de Janeiro, com excepção de uma que chegou dia 5 – o administrador da indústria de confecções diz estar a ser alvo de “insinuações” que estão a pôr em causa a sua imagem. “Mas, é normal numa sindicalista que quer tirar proveito da situação”, referiu há instantes aos jornalistas, recusando as acusações que lhe têm vindo a ser dirigidas. “Alguém civilizado poderá aceitar, perante um acto consumado, uma recusa em assinar um impresso de que tem obrigação de preencher?”, questionou, garantindo que tudo não passou de um atraso nos CTT.

Segundo explicou aos jornalistas, depois de anteontem ter recepcionado as cartas, solicitou informações junto da Autoridade para as Condições de Trabalho devido à carga administrativa que o processo exigia. Entretanto, como adiantou, acabou por ser contactado pelo administrador da insolvência informando-o de que já não poderia ser ele a assinar os modelos, já que o tribunal tinha nomeado o novo administrador. “Esta é a verdade real dos factos”, garantiu Manuel Moita.

Sobre o processo que se arrasta desde o dia 22 de Dezembro, o responsável pela Jammo assegura ter feito tudo o que tinha que fazer e não admite qualquer culpa. “Se há culpa é de ambas as partes e, se há má fé, é da outra parte”, sublinhou, referindo-se ao facto de no dia 5 de Janeiro os trabalhadores se terem apresentado para trabalhar, quando até já tinham efectuado o pedido de suspensão.

Aos jornalistas, Moita reafirmou todas as declarações que tinha feito anteriormente ao correiodabeiraserra.com, vincando que o cliente ZARA saiu por falta de incumprimento dos prazos de encomendas. “Eu não faço calças”, disse, notando que a sua culpa “é só de não ter actuado mais cedo”.

“Eu não vivo da mentira. Há dois anos fiquei sozinho a gerir a empresa. Em 2006 deu lucro, em 2007 deu resultados positivos e em 2008 desencadeou-se o processo…ninguém faz milagres”, concluiu.

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