João Dinis critica Governo devido às medidas tomadas em relação à seca e aos incêndios e garante já ter visto “javalis em plena cidade de Oliveira do Hospital”

O porta-voz do PCP de Oliveira do Hospital e dirigente da Confederação Nacional da Agricultura, João Dinis (Jano) considera a acção do Governo, e mais concretamente a do ministro da Agricultura, “desastrada” no  processo dos incêndios e da seca que afecta o país. O membro da direcção daquela Confederação, em entrevista ao site Notícias ao Minuto, garante que as medidas aprovadas são “insuficientes” face à gravidade das consequências que resultam da “tragédia” que se abateu sobre o território nacional. João Dinis conta mesmo que até já os javalis, ao contrário do Governo, perceberam que estamos perante uma situação excepcional, algo que, em sua opinião, o Governo ainda não entendeu. O ministro Luís Capoulas Santos, garante, continua a encarar a situação atual como “rotineira”.

“Os animais campestres desapareceram. Já vi javalis em plena cidade de Oliveira do Hospital. Isto significa que os javalis já perceberam que é uma situação excepcional e que nos campos não vão encontrar nem alimento, nem abrigo… até os javalis já perceberam a situação em que estamos, mas o ministro não percebe”, diz este oliveirense, reforçando que as medidas são precárias. “As medidas que o Governo são medidas muito insuficientes e medidas que, no fundo, acabam por ser de rotina. Até parece que a seca já é uma rotina. Ainda não entrou na cabeça do senhor ministro da Agricultura que esta é uma situação excepcional que exige medidas excepcionais”, sublinha.

Sempre num tom crítico, João Dinis considera que as medidas tomadas no apoio à agricultura são apenas de rotina como o adiantamento das ajudas oriundas da Política Agrícola Comum. “Ora, isto é feito praticamente todos os anos, é uma rotina, não corresponde a nenhum tratamento de excepção”, fazendo notar que as linhas de crédito bonificado acabam por servir mais a banca que os agricultores. “Só agora em janeiro é que alguns bancos começaram a falar com agricultores sobre essas linhas. O problema é que os bancos negoceiam com o agricultor que têm à sua frente e não em função dos decretos governamentais. Se esse agricultor tem condições financeiras para garantir um empréstimo tudo bem, o banco empresta, mas há neste momento muitos agricultores que não têm. Estas linhas acabam por servir mais a banca do que os próprios agricultores”.

João Dinis fala em má vontade de quem manda. “Não só há falta de vontade política do ministro da Agricultura, como até parece que chega a haver má vontade política. O anúncio que o ministro fez sobre os parques de recetação de madeira queimada é um embuste perante os produtores florestais. Mais. Para Pedrógão foi criada uma ajuda aos agricultores com até 5 mil euros de prejuízo. No entanto, para os prejuízos até 1.053 euros a ajuda é paga pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. O remanescente da ajuda é paga pelo Revita, o fundo gerido publicamente que foi obtido com donativos privados. Ou seja, o ministro da Agricultura contava passar os incêndios sem gastar um tostão do ministério dele”.

Considerando que a agricultura em Portugal anda aos solavancos, este dirigente da Confederação Nacional da Agricultura sublinha que as contrariedades causadas pela natureza e pelas políticas agrícolas são muitas. “Conjuga-se tudo para nos dar cabo da vida”, diz, frisando que não fala apenas da seca e dos incêndios. “Além das consequências desses dois desastres ainda temos políticas agrícolas que não correspondem às exigências provocadas por essas tremendas contrariedades que se abatem sobre a agricultura, a floresta nacional e, em especial, a agricultura familiar e a floresta multifuncional. No que diz respeito à seca, os níveis freáticos, apesar desta chuvinha que caiu, estão longe de estar repostos. Resta esperar que continue a chover e que se cumpra a tradição de que ‘em abril águas mil’ para que a situação da falta de água melhore”.

O cenário das políticas aplicadas ao problema da floresta também é descrito por este resposável como catastrófico. “A floresta continua entregue à natureza e aos especuladores de madeira. Daqui a dez anos corremos o risco de estar a ter situações idênticas com novos incêndios florestais porque a floresta está a crescer comandada pela natureza e pelos especuladores. Por outras palavras, está a crescer para arder”, conta, sublinhando que as medidas nesta área pós incêndios está longe de ser aceitável. “O senhor ministro da Agricultura tem tido uma ação desastrada com consequências desastrosas. Até hoje, a floresta está sem quaisquer tipos de ajuda, ainda não há medidas efetivas de apoio à floresta nacional e à floresta multifuncional em especial. Foi criada apenas uma linha de apoio a que tiveram acesso algumas autarquias para a fixação do solo destruído pelos incêndios. Enfim. Isto é o mínimo dos mínimos dos mínimos. Mas em termos de apoio aos produtores florestais no corte, no transporte e na comercialização de milhões de toneladas de madeira ardida… zero!”, remata.

LEIA TAMBÉM

Oliveira do Hospital vai contar com sistema de optimização de deposição de resíduos

O concelho de Oliveira do Hospital é um dos 16 municípios do Planalto Beirão que …

Burger King une-se à Cruz Vermelha para apoiar vítimas dos incêndios

A BURGER KING e a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) estabeleceram um protocolo com o objectivo …