Joaquim Agostinho, o neto de Oliveira do Hospital fazia hoje 72 anos. Autor: Teófilo Nunes

imag 1De seu nome Joaquim Francisco Agostinho, foi conhecido como Agostinho ou Joaquim Agostinho. Dentro do Sporting era apelidado de “Lavrador”, porque trabalhava na plantação de hortelã. Quando foi correr para fora do país, então, chamavam-lhe “O Emigrante”. Nasceu no Lugar de Bregenjas na freguesia Silveira Concelho de Torres Vedras, às 19h00 do dia sete de Abril de mil novecentos e quarenta e três.

Como todos os rapazes da época cumpriu o serviço militar no Ultramar, mais concretamente em Moçambique. Quando acabou a sua comissão de serviço, com o dinheiro que foi poupando, comprou uma bicicleta, sendo os treinos diários realizados no percurso de 35 km, entre a sua terra natal e o local de trabalho (era hortelão numas fazendas nos arredores de Torres Vedras). Viajava numa “pasteleira” e pelo caminho adorava espicaçar os ciclistas na estrada.

Em Fevereiro de 1968, perto de completar 25 anos, Joaquim Agostinho ingressou no Sporting Clube de Portugal pela mão de João Roque (uma antiga glória do ciclismo leonino). Entrou como amador, mas passados apenas dois meses conquistou o Campeonato Regional de Fundo.

Em Agosto estreou-se na Volta a Portugal e, embora não tenha vencido nenhuma etapa, os tempos realizados valeram-lhe um surpreendente 2º lugar e a vitória por equipas. Após este início deslumbrante, foi seleccionado para o Campeonato Mundial de Estrada, em Imola (Itália). Conseguiu a melhor classificação portuguesa de sempre, ao ficar em 16º lugar, e foi o único português a concluir a prova. Os resultados ao longo da sua carreira falaram por si.

Infelizmente chegou o dia fatídico que colocou um ponto final na sua carreira e que conduziu à sua morte. Foi numa segunda-feira, 30 de Abril de 1984, na 5ª etapa da volta Algarve que liderava de amarelo, quando a poucos metros da meta um cão provocou a queda àquele que foi o maior ciclista português de todos tempos. Vem a falecer, no Hospital da CUF, em Lisboa, a 4 de Maio de 1984.imagem 5

Agostinho, que se casou  em 1970 com Ana Maria da Costa, era filho de pais que tinham os seus ganhos no campo e na lavoura. Era neto Paterno de José Adriano Agostinho e de Maria da Piedade Matos, esta nascida no ano de 1874 no Lugar de Pinheirinho da Freguesia de Lourosa, no Concelho de Oliveira do Hospital, que nos finais do século XIX foi para Lisboa e onde vai estabelecer residência na Rua Direita em Benfica e ali se vem a casar na igreja de Benfica, em 1902, com José Adriano Agostinho natural da freguesia São Pedro de Cadeira do Concelho de Torres Vedras. Era filha de Francisco Matos e de Rita Maria amage 2Joaquina, ambos nascidos em Lourosa. Ele no Pinheirinho. Ela no Casal de Abade. Foram proprietários de algumas fazendas.

Pelo lado de Rita Maria Joaquina, era descendente de gente de Espariz, Tábua, era trineta de Domingos Correia de Espariz e de Teresa Castanheira, de Candosa, Tábua. Domingos Correia, tinha Vários Irmão, um deles José Correia foi antepassado remoto do Dr.António Borges de Carvalho, antigo Pároco da Cidade de Oliveira do Hospital. Dr António Borges de Carvalho é sétimo primo remoto de Joaquim Agostinho .

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Pelo lado de Francisco Matos, era descendente de um casal bem notado na época: Domingos de Moura, foi bacharel em Leis e formou se e sendo ouvidor dos coutos do bispado de Coimbra, casou com Ana Gouveia, em Lourosa.

O Referido Domingos de Moura era descendente de D. Maria Afonso que casou com Soeiro Aire de Valadares.

Seguindo a linha de antepassados, D. Maria Afonso era filha bastarda do Rei Dom Afonso I X de Leão e Castela e de D. Teresa Gil Soveroza. Esta filha de Gil Vasques de Soveroza e de Maria Aires Fornelos era neta paterna de Vasco Fernandes e de Teresa Gonçalves de Sousa, e materna de Aires Nunes de Fornelos, (desconheço nome da avó materna).

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Por sua vez, o Rei Dom Afonso I X de Leão e Castela era filho legitimo do Rei D Fernando I I de Leão e da Infanta de Portugal D Urraca Afonso, era neto paterno do Rei Afonso V I I de Leão e Castela e de Berengária Gevaudun, e materno do Rei Dom Afonso I de Portugal (Afonso Henriques) e de D Mafalda de Sabóia.

Joaquim Agostinho era descendente do primeiro Rei de Portugal D Afonso Henriques , vigésimo sexto neto do mesmo.

REI DOM AFONSO I DE PORTUGAL –   D. Urraca Afonso – Rei D. Afonso I X  Leão D. Maria Afonso  Pedro Soares Sorraça Maria Pires Sorraça Fernão Varela  Urraca Fernandes – Lopo Pires Palha  Urraca Fernandes  Pedro Rodrigues de Moura  Fernão de Moura  Rolim de Moura João de Moura Luís de Moura – Inês Afonso de Moura Domingos Afonso de Moura Domingos de Moura Cipriano de Moura  Manuel de Moura – Maria de Moura – Domingos de Moura Ramos – Maria Rosa Ramos – Justina Maria de Silva – Rita Maria Joaquina – Maria da Piedade António Adriano Agostinho – JOAQUIM FRANCISCO AGOSTINHO.

Agostinho, como era conhecido no Tour de França, também foi um grande Rei como ciclista. Todos nós sabemos que foi um homem que deu muitas alegrias aos portugueses e especialmente aos sportinguistas, tanto a nível nacional, como internacional. O seu funeral em 1984 teve a maior manifestação de pesar do século XX.

Depois do seu falecimento foram feitas muitas homenagens a Agostinho.

Deixo aqui uma sugestão, à Junta de Freguesia de Lourosa, e mesmo ao Município da Cidade de Oliveira do Hospital, colocar o nome de Joaquim Agostinho, num Largo, Rua, ou mesmo numa Travessa.

Autor: Teófilo Nunes, United Kingdom                     

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  • Problemas de audição

    É verdade, os pais queriam pôr-lhe o nome de Joaquim Afonsinho, mas o homem do registo ouvia mal e escreveu “Joaquim Agostinho”. Nunca mais mudaram.

  • António Lopes

    Os meus parabéns ao autor por recordar uma das maiores glórias do nosso ciclismo, precocemente desaparecido. Quanto à ascendência, está provado que, há 34ª geração, todos temos sangue de Afonso Henriques.Se Joaquim Agostinho já o tinha à 26ª acho perfeitamente normal…Quanto à sugestão de nome numa rua, a comprovarem-se os dados da notícia, não vejo porque não…