José Carlos Alexandrino assume como certa a conclusão do IC6 no próximo mandato

O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital dá como certa a conclusão do IC6 durante o próximo mandato e garantiu que nos próximos dias terá início a requalificação da EN17 no percurso dentro do concelho. José Carlos Alexandrino, que respondia às dúvidas dos eleitos do PSD e do elemento do CDS sobre a requalificação do EN17 e da conclusão daquele Itinerário Principal, assegura que o financiamento estará agora praticamente garantido com a emenda técnica ao plano Juncker por proposta de dois eurodeputados, o português José Manuel Fernandes (Partido Popular Europeu/PSD) e o alemão Udo Bullmann (Socialistas Europeus/SPD) que poderá permitir o financiamento de rodovias que não estavam previstas no programa inicial. Estes pareceres deverão ser debatidos e aprovados pelo Parlamento Europeu até ao Verão.

“Isto abriu algumas portas e deixa muita gente incomodada. O IC6 vai ser uma realidade. Não acredito é que se faça de um dia para o outro. Mas estará feito no próximo mandato, independentemente do Governo que esteja a nível central”, respondeu José Carlos Alexandrino ao ser confrontado com o facto das obras de requalificação da EN 17 continuarem paradas, apesar do autarca ter anunciado durante a Festa do Queijo, a 12 de Março, que as obras arrancariam no dia seguinte, bem como o facto de continuarem a não existir novidades sobre o IC6, em particular a anunciada visita de António Costa a Oliveira do Hospital para assumir o compromisso da construção da obra. “Que o primeiro-ministro se desloca a Oliveira do Hospital também é uma realidade, mas não estou para apontar datas. Não tenho dúvidas que virá”, assumiu o autarca.

As declarações de José Carlos Alexandrino surgiram em resposta ao eleito do CDS/PP, Luís Lagos, que lhe perguntou se não andaria a ser enganado. “O  IC6 e a EN 17 são duas questões que preocupam os oliveirenses há vários anos e que temos andado de promessa em promessa, de Governo em Governo, do PSD e do CDS, do PS, e nunca chegamos a bom porto. O senhor presidente também anda a ser enganado? Acredito que sim. Tenho o senhor presidente como uma pessoa séria. Nós temos uma promessa das Estradas de Portugal da requalificação da EN17 desde o Governo anterior e neste momento a obra não arrancou. O que temos é um silêncio que começa a ser ensurdecedor”, atirou o centrista, para quem não chega o facto de se dizer que as obras não se iniciaram porque é preciso fazer uma requalificação do saneamento. “isso é preciso, mas não acredito que demore assim tanto tempo. Do IC6 também temos uma promessa de que o senhor primeiro-ministro poderia vir cá, mas ainda não apareceu”, rematou.

Também o social-democrata Rafael Costa apontou as contradições do autarca sobre estes assuntos. “Ouvimos recentemente mais um episódio para justificar o atraso que vieram contradizer as suas próprias palavras quando afirmou na Festa do Queijo que as obras iriam arrancar na segunda-feira seguinte. Mais uma vez não aconteceu nada. E as obras de saneamento referidas, já nessa altura, estavam previstas”, afirmou, lembrando depois as palavras do autarca que condicionou a sua recandidatura ao compromisso por parte do Governo sobre a conclusão do IC6. “Isto para não falar na sua afirmação de que iria anunciar a sua candidatura ou não no dia um de Abril, o que também acabou por não acontecer”, atirou.

O autarca, sem explicar a razão de ter dado como certo o arranque da requalificação, orçada em 2,2 milhões de euros, para o dia 13 de Março, justificou o atraso com o facto de a autarquia não estar preparada, na altura, para substituir uma conduta que estava ausente do projecto, entre Vendas de Galizes e Lourosa, e que começou a dar problemas. “A conduta, que tem vinte e tal anos e leva a água a Lourosa, apresentou um número elevado de roturas e eu mandem fazer um diagnóstico. Não estávamos preparados. As pessoas estavam servidas e não estava sinalizada nos serviços”, explicou, sublinhando que o projecto já está concluído e que tudo deverá estar resolvido “dentro de 15 dias”. O autarca aproveitou ainda aparentemente para chamar a si os louros da conquista desta requalificação ao deixar no ar a pergunta sobre o que terá levado a que a obra apenas tenha sido adjudicada no espaço geográfico do concelho. “É uma boa pergunta. Deve-se passar qualquer coisa. Isto não cai do céu”, concluiu, frisando que este atraso vale a pena porque irá permitir uma poupança ao município que não terá de recolocar o alcatrão.

A fé de José Carlos Alexandrino na construção baseia-se numa emenda “técnica” proposta no mês passado por dois eurodeputados, o português José Manuel Fernandes (Partido Popular Europeu/PSD) e o alemão Udo Bullmann (Socialistas Europeus/SPD), relatores de um projecto de alteração ao regulamento do Fundo Europeu para os Investimentos Estratégicos (FEIE), que pode permitir alargar o âmbito do fundo que visa injectar 315 mil milhões em recursos públicos e privados para o investimento, até 2018. A “alteração” em causa deve permitir que algum desse novo dinheiro possa ser canalizado para a construção de estradas em Portugal, mas com a condição de estas servirem de forma evidente a actividade empresarial e aumentarem a capacidade exportadora do país, como esclareceu o próprio José Manuel Fernandes.

O eurodeputado português explicou ainda que na nova proposta de regulamento “introduziu uma emenda que permite financiar variantes de estradas que dêem acesso a portos e a parques empresariais, porque o Portugal 2020 não tem dinheiro previsto para infraestruturas rodoviárias”. O social-democrata destacou “a importância destes projectos para as exportações” e defendeu que o que os fundos europeus não financiam deve ser colmatado pelo FEIE, se houver organização e pertinência nos projectos. Neste âmbito, quer o PS quer o PSD defendem como “prioritário” uma variante da Estrada Nacional 14 entre Famalicão, Trofa e Maia, que está sempre muito congestionada e serve uma zona empresarial/industrial a norte da área metropolitana do Porto e a sul do vale do Ave muito densa e com um alto perfil exportador.

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  • Ilusões Alexandrinas

    Pois, pois mesmo que isso aconteça, o que é improvável, o dinheiro não chega para o IP3 e para a linha da Beira Alta, que são prioritárias.
    O IC6 é uma miragem, com ou sem aditamento ao Portugal 2020.

  • António Lopes

    Se quando havia dinheiro fizeram uns kms, em vinte anos, é agora com o País falido que vão fazer..? Feito vai ser. Preciso é saber quando..! Há oito anos que é sempre para amanhã…

  • António Lopes

    E para pôr umas placas de Sinalização a indicar o Caminho para o novo hotel das Caldas de S.Paulo também é preciso vir o Costa? Dinheiro, tiveram 600 e tal mil de lucro,o que é que falta..? E dizem eles que apoiam..! Se Nosso Senhor lhes pegasse por um bracinho..!

  • Xico cabeçudo

    Parabéns, está excelente.
    Aguardam-se as quadras para o Maio.

    IC6, IC6, estrada do meu coração.
    Vem o Costa e o Marcelo,
    Vem o Papa, e tu (Alex) não.