José Carlos Mendes: “Eu não passarei sete horas a uma mesa a assinar papéis”

O candidato do movimento de eleitores independentes “Oliveira do Hospital, Sempre” conseguiu ontem demonstrar o peso eleitoral que a sua candidatura poderá ter nas próximas eleições autárquicas, dia 11 de Outubro.

Nas escadas de acesso ao quarto andar do hotel, as pessoas faziam fila para conseguirem um lugar onde o candidato independente se preparava para fazer a apresentação dos candidatos.

Começando por agradecer aos candidatos “o amor que demonstraram por Oliveira do Hospital e pelas suas freguesias”, José Carlos Mendes colocou a fasquia bem alto e foi claro ao afirmar que o objectivo “é ganhar estas eleições”.

Num tom muito mais descontraído daquele que lhe é habitual – nota-se que o candidato está mais desinibido e também mais à vontade no contacto com o público –, Mendes foi sendo ruidosamente aplaudido, e a dada altura – quando explicou algumas das razões que o motivaram a candidatar-se – não conseguiu esconder alguma emoção.

“Faço-o por muito amor ao concelho e porque tenho a noção de que posso fazer um grande trabalho e com um boa equipa”, sublinhou o candidato, que escolheu Telma Martinho e Elsa Correia Lopes – duas professoras – para o acompanharem, respectivamente, nos segundo e terceiro lugares da lista candidata à Câmara Municipal. O advogado Nuno Freixinho – não esteve presente por se encontrar de férias – aparece em quarto lugar.

Para a Assembleia Municipal, Mendes anunciou o nome da conhecida assistente social, Luísa Vales, como cabeça-de-lista. No segundo e terceiro lugares, aparecem, respectivamente, o presidente da Caule, José Vasco Campos, e Carlos Folques.

Para as 15 freguesias onde o movimento de independentes concorre, Mendes divulgou os nomes de muita gente nova e de muitas mulheres que conseguiu mobilizar para este desafio.

Num ambiente onde se nota a existência de uma boa organização, registou-se apenas uma gaffe. Pois, quando o candidato anunciou os nomes dos elementos que integram a lista à freguesia de Travanca de Lagos – encabeçada por Fernando Viegas –, nenhum deles estava na sala. Mendes justificou a ausência com o facto de haver muita gente de férias, mas frisou que a sua candidatura tem uma lista forte naquela freguesia governada pelo PSD.

Nas três freguesias com maior peso eleitoral – Oliveira do Hospital, Nogueira do Cravo e Seixo da Beira –, a aposta do movimento “Oliveira do Hospital, Sempre” é forte. O destacado militante do PSD António Faria é o candidato à presidência da junta de freguesia da sede do concelho; em Nogueira do Cravo, a ex-presidente do Agrupamento de Escolas Brás Garcia de Mascarenhas, Anabela Almeida, é o principal rosto dos independentes; e, em Seixo da Beira, António Inácio desfiliou-se do PSD para agora concorrer como independente à freguesia que vem presidindo desde 1998.

Feita a apresentação dos candidatos – pode consultar as listas no site oficial da candidatura, em http://www.josecarlosmendes.pt/equipa.html –, José Carlos Mendes levantou o véu sobre aquelas que considera serem “algumas linhas mestras para o desenvolvimento do concelho” – consulte-as aqui – e rompeu com o conturbado passado político por que passou durante estes anos enquanto presidente do PSD de Oliveira do Hospital.

“Comigo, a Câmara terá uma gestão descentralizada” 

“Tudo isto já passou. Há que olhar agora para o futuro, considerou o candidato. Sem nunca referir o nome do actual presidente da Câmara, Mendes deixou no entanto bastantes indirectas à forma como o autarca do PSD vem governando o município oliveirense.

“Comigo, a câmara terá uma gestão descentralizada. Não será centralista… eu não passarei sete horas a uma mesa a assinar papéis… tentaremos estar no sítio adequado para trazer para Oliveira do Hospital o que o concelho merece”, referiu aquele candidato, sem deixar de salientar que o próximo presidente da câmara deverá “aproveitar ao máximo os fundos nacionais e comunitários” a que o município se possa candidatar.

Sobre a perda de serviços públicos a que o concelho vem assistindo, o líder do movimento independente também foi muito crítico, ao salientar que “Oliveira do Hospital já perdeu serviços que bastem”.

Na óptica de Mendes, não se podem deixar “as coisas arrastar” até que se “fiquem sem elas”, pois – conforme sublinhou – “só quando os serviços estão para sair, é que as pessoas se lembram”.

Com um semblante grave, Mendes também se insurgiu contra o “medo” que diz existir no concelho. “Há muito medo neste concelho. Connosco a liderar acabou o medo”, afirmou o candidato, sem deixar de frisar que os políticos não têm que “impor o medo” para – por “interesses próprios” – se manterem no poder.

“Oliveira do Hospital é uma terra que precisa urgentemente de um novo caminho” 

A encerrar esta iniciativa política, a candidata à presidência da Assembleia Municipal considerou que José Carlos Mendes “representa, pelo seu testemunho, o lado bom da política”.

Numa alusão ao facto de o PSD o ter renegado como candidato do partido, Luísa Vales explicou que “as circunstâncias mudaram”, mas assegurou que se mantêm “os mesmo propósitos para concretizar o projecto”, já que – de acordo com o que declarou – Oliveira do Hospital é “uma terra que precisa urgentemente de um novo caminho”.

O novo teste à popularidade do movimento “Oliveira do Hospital, Sempre” está agora marcado para o local onde o PSD sempre se reuniu em véspera de eleições – as Caldas de S. Paulo.

É na terra do candidato que, dia 6 de Setembro, vai ser feita a apresentação formal de todos os elementos das listas. Para “mostrar a força que temos”, reforçou José Carlos Mendes.

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