Jovem oliveirense avança com projeto inovador na área da Saúde

… pretende abranger todo o território nacional.

Oliveira do Hospital prepara-se para assistir ao nascimento de um projeto diferenciador na área da saúde. Chama-se Campus Saúde XXI e está a ser desenvolvido pelo jovem enfermeiro André Henriques que, recentemente, também viu a sua ideia ser bem acolhida pela Plataforma Para o Desenvolvimento da Região Interior Centro, a BLC3, onde iniciou em fevereiro a sua fase de incubação.

Em causa está um projeto pensado para prestar cuidados de enfermagem junto de pessoas, que munidas de necessários aparelhos, enviam sinais de alerta para uma equipa de enfermeiros que se encontra ao serviço da Campus Saúde XXI.

Uma ideia de negócio que está a ser trabalhada há cerca de ano e meio pelo jovem de Oliveira do Hospital que, no exercício da sua profissão no hospital da Fundação Aurélio Amaro Diniz, se deparou com um elevado número de idosos que sofriam quedas e, muitas vezes, só eram socorridos quando as funcionárias do apoio domiciliário se deslocavam às habitações.

“Logo pensei na possibilidade de criar uma rede de enfermeiros que prestasse auxílio rápido às pessoas vítimas de quedas”, confidenciou André Henriques que, depois de muito pesquisar apenas se deparou com a existência de aparelhos que obrigam as pessoas a pressionar determinado botão.

Depois de apresentar a sua ideia junto da empresa ISA, especialista em telemetria e comunicações com sede em Coimbra, André Henriques está agora em condições de lançar no mercado um parelho que, colocado junto ao corpo da pessoa, logo emite o sinal de queda sem que haja necessidade de pressionar qualquer botão.

Um serviço a que o jovem, que também frequenta o mestrado de enfermagem na vertente de gestão de unidades de serviços, chama de Assistência Móvel Avançada e que, em caso de queda da pessoa, logo procede ao encaminhamento de um enfermeiro à residência do utente para a prestação do primeiro socorro.

O mesmo aparelho também emite um sinal de alerta em caso de um utente, com Alzheimer por exemplo, se afastar de uma área previamente delimitada. Atento também às notícias relativas a idosos que são encontrados sem vida nas próprias habitações meses depois, André Henriques pretende que o mesmo aparelho também dê um sinal de alerta em caso de o utente não efetuar movimentos durante um determinado período de tempo.

A Assistência Móvel Avançada dirige-se a pessoas com uma certa independência e é, no entender de André Henriques, um serviço que pode vir a ser utilizado por IPSS, em especial na valência de Centro de Dia, por possibilitar o acompanhamento dos utentes durante a noite.

Num segundo serviço, que designa por Assistência Móvel de Acompanhamento, o jovem empreendedor socorre-se de telemóveis, que serão usados pelos potenciais utentes sempre que sejam acometidos por qualquer género de indisposição. Um serviço que é entendido por André Henriques como uma mais valia, por permitir que as pessoas não entupam a linha 112 por tudo e por nada. “Um enfermeiro vai ao local e se realmente for necessário, ele próprio liga para o 112”, explicou.

Domicílio S.V (Sinais Vitais) surge como um terceiro serviço, em que ao potencial utente é fornecido um aparelho que lhe permite avaliar parâmetros como a tensão arterial e a diabetes. Valores que são imediatamente transferidos para uma central, que em caso de necessidade logo encaminha um enfermeiro para junto do utente. Um serviço pioneiro e que para André Henriques faz todo o sentido, não fosse a hipertensão e a diabetes consideradas como as “doenças dos tempos modernos”.

A par destes serviços, a Campus Saúde XXI pretende igualmente disponibilizar a ida de enfermeiros ao domicílio, bastando para tal que a pessoa interessada contacte a empresa para esse efeito.

Tendo em conta os recursos humanos e financeiros que o projeto envolve, André Henriques não tem dúvidas de que está em face de um projeto ambicioso. Para além de já contar com o apoio da BLC3 – André Henriques aprecia toda a abertura que teve junto da estrutura e destaca o interesse logo manifestado por um dos mentores, o engenheiro António Campos – o jovem oliveirense prepara-se para candidatar o seu projeto ao PRODER. A apresentação da Campus Saúde XXI nos municípios da região é outras das apostas de André Henriques que espera levar longe o nome da marca.

Com apresentação pública da sua ideia de negócio prevista para o próximo dia 5 de maio na Casa da Cultura César Oliveira, o jovem espera no mesmo mês colocar o projeto no terreno, estimando que numa fase inicial consiga distribuir meio milhar de aparelhos e assegurar a assistência com uma equipa de seis enfermeiros. Contudo, a ambição do jovem é muito maior e, em todo o território nacional, espera vir a envolver meio milhar de enfermeiros no seu projeto.

Certo do sucesso do negócio que anda a estruturar há mais de um ano, André Henriques encara a Campus Saúde XXI como uma mais valia para uma região marcada pelo isolamento das suas populações, e como uma boa oportunidade para a classe de que também faz parte e que se depara com o grave problema que é o desemprego.

Tal como ele, o jovem espera que outros enfermeiros tenham a mesma ambição e se associem ao seu projeto. “O nosso sucesso só vai depender do sucesso deles”, referiu André Henriques, explicando que a admissão de enfermeiros funcionará numa lógica de franchising.

Todo o cérebro do Campus Saúde XXI estará porém, instalado no call center que André Henriques se prepara para montar na sala 9 da BLC3 e onde estarão sempre duas pessoas devidamente formadas, durante 24 horas por dia.

De espírito empreendedor, André Henriques não pretende ficar por aqui e em carteira tem já a Campus Formação XXI destinada à formação online. Ainda na área da saúde, o jovem conta avançar com outros projetos no concelho de Oliveira do Hospital.

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