Jovem de Touriz luta contra linfoma e tem esperanças de encontrar um dador compatível em Tábua ou Oliveira do Hospital

Bruno Pereira, de 37 anos, residente em Touriz, concelho de Tábua, está a lutar contra um linfoma, um cancro no sangue. As suas esperanças de vencer a doença passam por encontrar um dador compatível de medula óssea em duas iniciativas que vão decorrer na região. A primeira recolha de sangue, a cargo do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, para tentar descobrir alguém capaz de lhe ceder medula óssea está agendada para o próximo dia 20 de Fevereiro, pela manhã, na Casa do Povo, em Tábua. A segunda ocorrerá no dia 5 de Março, em Oliveira do Hospital, em plena Feira do Queijo.

Bruno 2“O procedimento é muito simples, será retirada apenas uma amostra de sangue, como se faz para vulgares análises. Posteriormente são feitos os testes de compatibilidade. É um gesto que não causa grandes transtornos e que pode salvar vidas”, conta este trabalhador florestal, lembrando que esta é uma acção abrangente, uma vez que as informações recolhidas em Tábua e Oliveira do Hospital ficarão registadas num banco de dados de acesso internacional. “Estou a precisar de um transplante, mas mesmo que nenhum destes dadores seja compatível comigo pode vir a salvar a vida de outras pessoas em Portugal ou noutra parte do mundo. É que as informações ficam disponíveis a nível internacional”, conta.

Como que para justificar a importância de surgirem pessoas a fazer o teste, Bruno lembra que em Tábua, há uns anos, foi um turista holandês que participou numa destas iniciativas e salvou a vida de uma menina do concelho. Outro caso sintomático, para Bruno, da importância desta base de dados internacional é o caso do conhecido futebolista oliveirense, Carlos Martins, que encontrou nos Estados Unidos um dador compatível para o filho. “Boa parte dos dadores são estrangeiros, quantos mais dados existirem, mais vidas podem ser salvas”, diz.

O calvário de Bruno Pereira começou 2008 quando lhe diagnosticaram um linfoma. Iniciou de imediato os tratamentos, sujeitando-se durante meio ano de quimioterapia e radioterapia. No final, as notícias foram encorajadoras para Bruno, na altura com 29 anos. O tumor tinha regredido. O regresso à vida normal, porém, durou apenas quatro anos. O linfoma regressou. Os tratamentos seguintes não resultaram.

Antes de partir para o transplante da medula óssea, Bruno já realizou desde 2012 dois tratamentos. O primeiro, algo de inovador, obrigou-o a aguardar por autorização do INFARMED e, depois, em Setembro de 2014, sujeitou-se a um autotransplante, ou seja um transplante com as suas próprias células estaminais. “Nenhum deles resultou. O transplante a partir de um dador compatível é agora a solução”, explica Bruno, mostrando-se confiante que as pessoas vão comparecer. “É algo muito simples que pode valer vidas”, remata.

Enquanto aguarda por um dador compatível, Bruno Pereira vai dando a cara por estas iniciativas e BRunocontinuando os tratamentos para tentar uma remissão completa da doença, antes de proceder ao transplante quando surgir alguém compatível. Entretanto, trabalhar tornou-se impossível. “Não tanto pela doença em si, mas mais pelos tratamentos que nos debilitam muito fisicamente. De resto, sinto-me bem, embora nunca saiba o dia de amanhã”, conta.

O que é um linfoma?

O linfoma é um termo genérico para classificar os cancros que se desenvolvem nos linfócitos e consequentemente, nos órgãos do sistema linfático. Esta doença assemelha-se a um cancro na medida em que o mecanismo da sua formação é equivalente. No seu estado normal, os linfócitos crescem e dividem-se em novas células, que são formadas à medida que vão sendo necessárias, este processo chama-se regeneração celular. Quando as células normais envelhecem ou são danificadas, morrem naturalmente. Quando as células perdem este mecanismo de controlo e sofrem alterações no seu genoma (DNA), tornam-se células de cancro, que não morrem quando envelhecem ou se danificam, e produzem novas células que não são necessárias de forma descontrolada, resultando na formação de um cancro. Estes linfócitos anormais, também denominados de células Reed-Sternberg não cumprem a sua função de protecção contra infecções e outras doenças.

O tratamento pode consistir em radioterapia (também chamada terapia de radiação) consiste na utilização de raios de alta energia para matar as células cancerígenas. Esta pode ser conjugada com a quimioterapia que consiste na utilização de fármacos para matar as células cancerígenas.

Além disso, existem dois tipos de transplantes. O transplante autólogo em que são utilizadas as próprias células tronco do paciente. Quando as células tronco do próprio paciente falham (como foi o caso de Bruno Pereira) a alternativa passa por um doador saudável e compatível, isto é conhecido como transplante alogénico.

LEIA TAMBÉM

Dois detidos em flagrante em Tábua por cultivo de cannabis

O Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento Territorial da Lousã deteve, ontem, dois homens com …

GNR realizou ontem 40 detenções em flagrante delito, sete das quais por roubo

Apenas um elemento do grupo suspeito de vários crimes na zona Centro ficou em prisão

Dos cinco jovens, com idade entre os 22 e os 28 anos detidos pela PJ …