Julgamento de Mário Alves: Testemunhas confirmaram versão das funcionárias do ATL

Testemunhas das assistentes no processo em que o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital é acusado de dois crimes de difamação confirmaram, ontem, a versão das colegas queixosas, afirmando sem hesitação que Mário Alves se terá referido ao ATL de Oliveira do Hospital, quando falou da existência de “duas funcionárias inválidas que não fazem nada, nem querem fazer…”.

Vera Lúcia e Maria Teresa Fernandes, que participaram na reunião de 10 de Setembro de 2007, disseram ainda não terem dúvidas de que a alegada afirmação proferida por Mário Alves era dirigida a Ana Isabel Campos e Maria do Rosário Fonseca, pelo facto de serem as duas únicas funcionárias doentes.

Afastada do ATL de Oliveira do Hospital desde Novembro de 2008 pelo facto de o contrato não lhe ter sido renovado, Vera Lúcia recordou a forma como as palavras alegadamente proferidas por Alves caíram mal junto da colega Maria do Rosário.

“A D. Rosário ficou muito abalada…depois da reunião começou a isolar-se e a ficar cada vez mais triste”, sublinhou a ex-funcionária, notando que também ela sentiu “os olhares das colegas que participaram na reunião”.

Afastada do serviço depois de ter passado por uma gravidez de risco, Vera Lúcia não deixou ontem de considerar que o facto de ter decidido testemunhar pelas colegas, está relacionado com a não renovação do seu contrato de trabalho.

Versão semelhante foi apresentada por Maria Teresa Fernandes que, para além de confirmar que Mário Alves se terá referido ao ATL da cidade, sublinhou que “a decadência da D. Rosário” foi evidente a partir daquela data. “Nem queria falar com os pais das crianças e, psicologicamente, ficou muito em baixo”, referiu a funcionária que deixou aquele serviço em Fevereiro de 2008, por motivos pessoais.

Numa altura em que, feitas as contas, se verificou que das seis funcionárias à época, apenas duas são testemunhas das assistentes, Maria Teresa Fernandes não deixou de frisar que tal se deve ao “medo de represálias” por parte das duas colegas. “ Eu vim cá porque ouvi e foi verdade”, rematou.

Ex-vereador da Educação garante ter solicitado a Alves novas funções para Ana Isabel

Na sessão onde, a queixosa Ana Isabel Campos insistiu em caracterizar Mário Alves como uma pessoa “desumana”, também o psiquiatra que a acompanha – Manuel Henriques – atestou que a funcionária tem vindo a ser tratada de uma depressão ansiosa grave desde 2002.

Tal facto foi, também, comprovado pelo vereador da Educação da altura e que, ontem, deixou às claras a falta de vontade de Mário Alves para destacar a funcionária Ana Isabel para funções mais adequadas à sua condição física.

Testemunha da queixosa neste processo, José Carlos Mendes – apresentou-se de relações cortadas com o autarca – disse ter insistido com o presidente da Câmara, para que fosse ponderada a situação daquela funcionária.

Confessando que ele próprio ficou incomodado com a postura assumida por Mário Alves, Mendes não descarta a possibilidade de, que com aquela atitude, o presidente pretender que a funcionária se afastasse do serviço.

Também de relações cortadas com o ainda presidente do município, António João Campos confirmou o “estado em que Ana Isabel ficou depois da reunião”, entendendo que com a sua atitude Mário Alves “a queria empurrar dali para fora”.

Marido da queixosa, António Campos destacou os vários requerimentos apresentados à Câmara a solicitar a mudança de funções de Ana Isabel, aos quais nunca obteve resposta.

Frisou, porém, que a única proposta apresentada pela Câmara passou pela tentativa de aposentar a esposa, com recurso à Caixa Geral de Aposentações. A passar por um período conturbado também agravado pela doença do filho, António João Campos sublinhou ontem a perda da qualidade de vida que afecta a família, notando que a situação piorou depois da reunião de 10 de Setembro.

Este facto foi ainda comprovado por António Manuel Faria que, para além, de ter visto o assunto comentado na sociedade oliveirense, verificou o impacto que as alegadas afirmações provocaram em Ana Isabel. “Ela ficou em casa bastante abalada…não queria sair de casa porque se sentia diminuída e tinha medo que a chamassem de deficiente”.

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