Julgamento do ex-dirigente do Centro Paroquial de Lagares da Beira: Presidente da Junta confirmou diferenças na contabilidade

Acabando por ser a única testemunha ouvida na segunda sessão do julgamento em que o ex- dirigiente do Centro Social e Paroquial de Lagares da Beira é acusado da alegada prática dos crimes de peculato e falsificação agravada, o presidente da Junta de Freguesia de Lagares da Beira confirmou, esta manhã, a versão da acusação e atestou a existência de “diferenças” entre os valores que a funcionária administrativa entregava a Jorge Ramos, e os montantes que o então dirigente depositava.

“Fomos confrontados com diferenças de cerca de 13 mil Euros”, afirmou Raul Costa que, tal como agora, era em 2005 – ano a que se reportam os factos – vogal na direcção do Centro Social e Paroquial de Lagares da Beira.

À semelhança do que também foi dito pelas testemunhas que foram ouvidas na primeira sessão do julgamento realizada no dia 5 de Novembro, também Raul Costa referiu que os pagamentos a fornecedores eram “sempre feitos em cheque” e que só era usado o numerário para pagar pequenas quantias, mas “sempre com documento comprovativo”.

“Não havia saída de dinheiro que não ficasse documentada”, continuou, assegurando que a funcionária administrativa – Maria do Céu Calado já foi ouvida em Tribunal – produzia sempre documentação relativa aos pequenos movimentos que se efectuavam, bem como em relação aos valores que entregava ao agora arguido para depósito.

Sobre o cheque que indicia o arguido relativamente à alegada prática do crime de falsificação agravada, Raul Costa disse ter tido conhecimento do caso quando o contabilista verificou não ter suporte comprovativo para o montante total do cheque – 1975 Euros – mas para apenas 975 Euros.

A testemunha disse ainda em tribunal que a direcção do Centro efectuou várias tentativas para resolver directamente o problema com o arguido, mas que o próprio deixou de ir às reuniões e nunca deu qualquer explicação.

“Eu próprio o abordei e ele disse-me que resolvia isso com o contabilista, mas a verdade é que ele nunca resolveu nada”, lamentou.

Pelo facto de ter sido anexa documentação ao processo que requer de apreciação de todas as partes, o colectivo de juízes deu a sessão por interrompida e marcou nova audiência para as 10h00 de 17 de Dezembro, onde deverá ser ouvido o tesoureiro do Centro Social e Paroquial de Lagares da Beira.

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