Junta de Freguesia de Penalva de Alva já paga a fornecedores com dinheiros dos recibos da água da CMOH

…com a tesoureira, Ângela Álvaro, e o secretário daquela autarquia, António Morais.

A história é caricata e os dois membros do executivo que entraram em rota de colisão com o presidente daquela junta do Vale do Alva, já denunciaram a situação junto da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).

De acordo com o que este diário digital apurou, os factos remontam ao mês de Agosto, data em que foi inaugurada a nova sede da junta de freguesia local.

A partir dessa altura, geraram-se várias divergências no seio do executivo que governa a freguesia de Penalva de Alva, e António Brito não esteve com meias medidas: recusou-se a dar uma cópia das chaves do novo edifício a Ângela Álvaro e António Morais.

“O melhor que eles faziam era pedirem a demissão”

Instado por o correiodabeiraserra.com a esclarecer este assunto, António Brito garantiu que nunca irá entregar as chaves aos seus colegas do executivo, argumentando que “a lei não diz que eles têm que ter chaves”.

Para o autarca do PSD, a cumprir o seu segundo mandato, a instabilidade política existente em Penalva de Alva só tem uma solução: “para mim, o melhor que eles faziam era pedirem a demissão e irem-se embora”, referiu. “Eles vieram para cá para mandarem em mim. Eles não colaboram em nada”, afirmou ainda Brito, numa referência aos autarcas do PSD que agora entraram em rota de colisão.

Colocada numa situação algo ingovernável, a JF de Penalva de Alva está entretanto a acumular vários “calotes” a fornecedores porque a tesoureira Ângela Álvaro – conforme o CBS online apurou – deixou de assinar os cheques para pagamentos com o argumento de que não tem conhecimento das dívidas, já que tem o acesso vedado à sede da junta e à documentação, após o horário de funcionamento da junta.

A responsável pelas finanças daquela autarquia, adverte só poder executar o seu trabalho em horário pós-laboral e sustenta que, aquando da tomada de posse, terá ficado combinado que as reuniões de junta seriam realizadas em horários adequados aos empregos de cada um dos eleitos, uma vez que só o presidente da junta é que dispõe de mais tempo pelo facto de ser reformado. O secretário, por exemplo, é um empreiteiro que por norma trabalha fora e só regressa à freguesia no fim da semana.

Junta de Freguesia faz pagamentos com dinheiro dos recibos da água e sem consentimento da tesoureira

Acresce que de acordo com a acta referente à reunião da JF de Penalva de Alva realizada em 31 de Outubro, tanto a secretária como o tesoureiro, que dizem estarem impedidos de assegurar os cargos para os quais foram eleitos, alegam falta de conhecimento quanto a várias decisões de António Brito. “Na minha maneira de ver o que está a acontecer é desonestíssimo. Nunca na minha vida mandei fazer uma coisa que não tivesse pago. Isto para mim é uma tristeza”.

Afirmando que já por algumas vezes pagou despesas do “próprio bolso”, Brito nega as acusações de que possa ter tomado decisões sem o conhecimento dos colegas. “Isso não é verdade”, frisou aquele autarca, dando no entanto conta de que por vezes há projectos que tem que os discutir previamente com o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (CMOH).

Uma situação anómala é que para fazer face a alguns pagamentos a JF de Penalva de Alva já se viu obrigada a socorrer-se do dinheiro que dá entrada em caixa por via das cobranças dos recibos da água CMOH, e que mensalmente têm que dar entrada nos cofres do município. A situação foi detectada, quando o secretário, António Morais, em reunião de junta, questionou o presidente “sobre a forma de pagamento a um empreiteiro”. “Foi feito com o dinheiro que estava em caixa, e referente à cobrança da água à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital”, respondeu Brito, numa declaração que está reproduzida na acta que este jornal electrónico consultou.

Na mesma acta, pode ler-se que “a Srª tesoureira informou que não teve conhecimento, nem deu autorização para se proceder ao pagamento”.

“Se for com o professor Mário Alves, estou disponível”.

Garantindo que “no caso deles” já se tinha demitido, Brito diz pretender que “não manchem o nome de Penalva de Alva e do presidente da Junta. Eles estão é a denegrir-se a eles próprios”, considerou aquele presidente de junta, sublinhando que a própria ANAFRE “aconselhou-o a meter um processo no tribunal administrativo”.

Solicitado pelo correiodabeiraserra.com a esclarecer se pretende recandidatar-se a um terceiro mandato, nas autárquicas de 2009, Brito considerou que “é um bocado prematuro” estar a dizer que sim ou que não numa altura em que o PSD nacional ainda não decidiu o nome do candidato à presidência da Câmara de Oliveira do Hospital. Contudo, o autarca deixou uma garantia: “se for com o professor Mário Alves, estou disponível”.

Como nasce a polémica…

Note-se que toda esta polémica nasce em consequência da inauguração do novo edifício da sede da junta de freguesia local, uma vez que conforme o CBS online apurou a tesoureira e o secretário eram de opinião que toda a população da freguesia devia ser convidada para a cerimónia.

O secretário chegou a dirigir uma carta ao presidente da CMOH a apelar para que houvesse esse procedimento, mas Mário Alves terá respondido que a câmara é que era a dona da obra e por isso os convites deveriam ser formulados pela autarquia oliveirense.

“Fez muito bem. A obra é da câmara e o senhor presidente convida as pessoas que entender”, advoga António Brito, sem deixar de criticar o comportamento dos seus colegas que – segundo referiu – “não assistiram à inauguração e nem ajudaram a nada”.

Sublinhando que o lanche oferecido no final da inauguração “era público”, Brito acusa ainda a tesoureira e o secretário de terem “andado a bater às portas para dizerem às pessoas para não irem à inauguração”.

O correiodabeiraserra.com não conseguiu obter nenhum depoimento dos dois eleitos de Penalva de Alva, que reservaram para mais tarde uma tomada de posição pública.

O CBS online contactou ainda a secretária de direcção do presidente da ANAFRE, Armando Vieira, que informou este diário digital de que aquele dirigente poderia ser contactado às 17h00. No entanto, quando a essa hora foi efectuada a ligação, o telefone disparou uma mensagem a informar que os serviços já se encontravam encerrados.

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