Lançamento da Ipsis Verbis comemorou a República e denunciou “trapalhadas do ministério da Educação”

Já está disponível a nova edição da revista Ipsis Verbis, publicada pela Escola Secundária de Oliveira do Hospital e comemorativa do centenário da República Portuguesa.

Num total de 200 páginas, a publicação reúne um conjunto de artigos assinados por professores, alunos, ex-alunos, autarcas, investigadores, deputados da Assembleia da República e outras personalidades.

Contando com a colaboração da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e Fundação Belmiro de Azevedo, a revista Ipsis Verbis foi lançada na passada sexta-feira, 28 de Maio, no auditório da Caixa de Crédito de Oliveira do Hospital, exibindo na capa a caricatura do Zé Povinho rodeado por António José de Almeida, Afonso Costa, Brito Camacho, Bernardino Machado e José Maria de Alpoim.

Dispondo ainda com um conjunto de caricaturas que servem de abertura para cada tema, a “Repúblicas” foi pormenorizadamente apresentada por António Augusto Monteiro, investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS 20/UC) que, destacou a “qualidade pedagógica, gráfica e literária” que a publicação encerra.

“Esta revista é única e prestigia a Escola, os professores e Oliveira do Hospital”, afirmou o investigador, entendendo que a Ipsis Verbis “deve chegar aos ministérios da Educação e da Cultura e às comemorações do centenário da República”.

Destacando a qualidade de cada um dos artigos, com realce para os que foram produzidos pelos 11 alunos que deram o seu contributo na elaboração da quinta edição da Ipsis Verbis, Augusto Monteiro, sempre munido de um característico sentido de humor, considerou que “o melhor tributo que podemos dar à revista é lê-la, relê-la e divulgá-la”.

Em dia de festa para a Escola Secundária de Oliveira do Hospital – assinalou o 35º aniversário – o lançamento da Ipsis Verbis foi ainda propósito para a manifestação de algum descontentamento relativamente às políticas do ministério da Educação.

Sem deixar de explicar que com o tema “Repúblicas”, a ESOH pretendeu associar-se à comemorações da primeira República, contribuindo ao mesmo tempo para “reflectir sobre o presente e o futuro do nosso regime republicano”, o coordenador da Ipsis Verbis, Luís Filipe Torgal, destacou também a mais valia dos textos produzidos pelos 11 alunos daquela escola.

“Comprovam que as famílias e os professores ainda vão cumprindo o seu papel de educadores e instrutores, não obstante as trapalhadas em que o ministério da Educação vai envolvendo as escolas e que estão consignadas no estatuto do aluno”, afirmou.

“A maior prioridade é fazer com que a ESTGOH seja realizada neste mandato”

Comungando da apreciação de Luís Torgal, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital criticou a política seguida pelo governo e que, em matéria de Educação, “pouco tem a ver com a qualidade pedagógica nas escolas”.

“Hoje, em Portugal, corre-se atrás de uma política economicista”, observou José Carlos Alexandrino, entendo que o ministério da Educação “quer um conjunto de números para as estatísticas, desviando os professores da sua função de ensinar e fazendo com que sejam trabalhadores administrativos”.

Assegurando que, por várias vezes, tem dado voz pela luta dos professores, o autarca defendeu que “é preciso inverter algumas coisas nas escolas”. “O sistema educativo tem que sofrer algumas transformações, mas não podemos mudar atacando a dignidade e o profissionalismo dos professores”, frisou Alexandrino, verificando que “houve um ministério que o fez, para mal do sistema educativo português, colocando em causa a relação entre a classe docente”.

Enquanto parceiro no lançamento da Ipsis Verbis, José Carlos Alexandrino valorizou a iniciativa, por considerar que os aspectos culturais “também são importantes”. “Por vezes discute-se se não há obras prioritárias, mas eu digo que esta também é uma obra prioritária”, defendeu, sublinhando que “a análise da história é um documento importante de reflexão e de futuro”.

No topo das prioridades do executivo que lidera, Alexandrino colocou contudo as instalações da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital “ESTGOH). “A maior prioridade é fazer com que a ESTGOH seja realizada neste mandato”, garantiu o presidente da Câmara, advertindo para a necessidade de empenhamento do ministério da Educação na resolução do problema das instalações da ESTGOH que “é uma escola muito importante”.

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