João Paulo Albuquerque

Lentamente se vai de Expoh a Ficacol. Autor: João Paulo Albuquerque

(…)

Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia
eu não espere mais um dia
por aquele que nunca vem
e que aqui esteve presente

(…)

Ai que saudade que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém que aqui está e não existe
Sentir-me triste só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem só por eu andar tão triste

(Trechos do Desfado de Pedro da Silva Martins)

 

Não foi por ter aqui iniciado o último escrito com o poema “Ao Desconcerto do Mundo” quando referia os resultados consequentes das atitudes, posturas e políticas tomadas por esta nossa administração concelhia, que agora optei por encetar este artigo com excertos do “Desfado”. O que realmente acontece é que quando escuto a Ana Moura interpretando excelente e admiravelmente este poema lembro-me sempre da equipa governativa e as constantes tentativas ilusionistas que levam a cabo usando pessoas, meios e dinheiros públicos com o intuito de embaírem os Oliveirenses relativamente à realidade concelhia que não é nem de longe nem de perto aquela que dizem ser.

Esta política “de faz de conta” publicada e publicitada por um ‘mídia’ subserviente e submisso, cujo propósito neste campo não é informar o que de facto acontece, mas sim tentar moldar a opinião pública de acordo com a vontade e interesse do poder político dominante, que permite a sua sobrevivência com ajudas e contratos que vai fazendo ao longo do tempo. Um facto que garante uma dependência umbilical destes meios de comunicação permitindo-lhes viver num ‘limbo financeiro’ acautelador da sua independência.

Estas situações são tão recorrentes nesse mídia, tornando-se num hábito banal e desacreditado que poderia definir-se com uma expressão latina usada em Direito: “protestatio facta contraria”, ou seja, uma declaração contrária aos factos. Tal como eu, muitos de vós ainda terão no ouvido as vozes que anunciavam as várias dezenas de carros que participaram na ‘Marcha Lenta’ levada a cabo pelo Presidente da Câmara tentando revitalizar a sua edílica e pouco idílica imagem que já tendo conhecido melhores dias urge reanimar para não cair por terra e arruinar o sonho socialista concelhio.

A verdade, e fazendo jus ao poema enunciado, não passou de uma “Desmarcha” que mesmo utilizando as viaturas das juntas e da câmara, assim como o auxílio de todos os interessados e dependentes da conjuntura instaurada e instalada e que constantemente convivem e aparecem nas demandas concelhias de interesses idênticos, não chegaram à centena de veículos, ficando aquém do número de participantes dos frequentes passeios de carros antigos.

O ocorrido era esperado. Não foi por falta de aviso que aconteceu. Mas sim pelo desnorte existente causado pela falta de respostas às afirmações e questões levantadas pelo 1º eleito à Assembleia Municipal que tem levado ao descrédito do poder instalado. O mote não tinha nexo, nem razão. Reclamar de um processo de saúde que está em andamento, levado a cabo por uma equipa ministerial sem falhas, que salvou o Sistema Nacional de Saúde e que no parlamento deixou sem perguntas toda a oposição, é no mínimo motivo de chacota e zombaria por parte de quem efectivamente está informado e actualizado. Isto para não entrarmos na blasfémia de um tal “projecto revolucionário para a saúde” desconhecido, mas que posto em prática imortalizaria o edil com estátuas por todos os cantos do concelho. Quem sabe se não pelo resto do país, pela europa ou mesmo por todo o mundo, alvitrando-se até um prémio Nobel a rivalizar com Egas Moniz.

Recomendo avidamente que as imagens a edificar contrariem as fotos que pela net passaram (e que são anteriores aos polémicos cartazes Athaydicos) com o edil a empurrar um deficiente motor, pois se já necessita de recorrer a tais sentimentos vale mais bater com a porta e sair de cena. Usar o infortúnio de doentes e enfermos tocando ao sentimento da desgraça para promover a sua imagem é deselegante e de uma desonestidade atroz utilizada somente pelos fracos. Nunca vi a Merkel a menorizar o Schauble, vejo-o sim a negociar taco-a-taco com os seus homólogos e pelos vistos é dos mais convictos e mais seguro de si, e que por acaso utiliza uma cadeira mais singela e mais modesta do que aquela que o edil empurrava.

No que respeita aos IC’s nem vale a pena comentar. Preferindo a opção de continuar a tirar o país do pântano em que o PS nos levou com políticas e decisões comparáveis às que temos cá no burgo, e, depois sim, vamos tratar dos IC´s sem termos que nos empenhar financeiramente.

Quanto ao concelho nunca mais ser o mesmo após a “Desmarcha” e o “Descomício” realizado. O edil e súbditos simpatizantes, uns por devoção, outros por necessidade, ficaram consciencializados que os apoiantes são poucos, não apareceram e têm tendência a diminuir, como tal espera-se uma mudança radical nas atitudes e nas políticas que até aqui têm vindo a acontecer e que têm levado a atrasos reais que acontecem até mesmo em relação aos concelhos vizinhos eleitos sob a mesma égide partidária. Espera-se que o presidente ponha fim ao marasmo a que conduziu o município e que utilize a cabeça e a imagem para promover a sustentabilidade e a ascensão do concelho em detrimento do contrário como acontece frequentemente nas festas, cujo objectivo principal é enaltecer a imagem do presidente da autarquia.

Quem se lembra das críticas proferidas por Alexandrino relativamente à decisão de Mário Alves em não apresentar programa eleitoral na sua última candidatura à autarquia? Razão tinha Mário Alves quando afirmou que Alexandrino ia morrer pela língua, pois imitando a postura que criticou, lá fez a festa sem orçamento, porque segundo o próprio “há especialistas em baralhar números”, no entanto ainda não escolheu do baralho o número certo dos apresentados para a festa do ano passado.

Aquela Ficacol que existia, na sua opinião, não representava dignamente o concelho, não passava de uma feira sem impacto, sem projecção. Vai daí, altera o nome para Expoh e promete tornar o certame num dos maiores expositores da região centro. Ficou-se só pela intenção, pois, passados seis anos e muitos milhares de euros gastos, está ainda por encontrar o modelo certo, tendo este ano encontrado uma solução de transição. Encontrou uma “Desexpoh” que não é feira, nem exposição. É uma festa desorganizada, que poderia chamar-se expo-social ou expo-freguesias, pois tirando os expositores das juntas, das associações e das IPSS’s pouco mais tem para mostrar, ficando muito longe da saudosa “Ficacol”.

Vamos esperar que depois deste assumido falhanço da Expoh, reapareça tal como no caso BES, uma “Nova-Expoh”, uma “Expoh Boa” que faça lembrar a “Ficacol” de outros tempos, que mostrava o que de melhor se fazia e produzia no concelho em todas as suas vertentes, uma “Nova e Boa Expoh” que acabe com os espetáculos avulso que se compram em pacotes e deem lugar ao que de bom se faz no concelho. Que remeta para o seu lugar as “chuvas de estrelas” e os “soltem os talentos” que já vinham do seu tempo na Cordinha, e que por lá sim, justifica-se e ajusta-se este tipo de espetáculos, mas nesta festa saturou sem trazer nada de novo, constatando-se o facto que depois de tantos anos ainda não saiu nenhum talento para o estrelato.

Nem tudo foi mau, aproveito inclusive para dar os parabéns ao Prof. Francisco Cruz, que se destacou do restante mostrando o que é profissionalismo e empreendedorismo, trazendo para Oliveira um expositor de sua autoria, arrojado, harmonioso e bonito, em forma de gota, preparado para exposições de outra envergadura e qualidade e que irá sem dúvida fazer furor por outras paragens, mostrando ao mundo o que de melhor tem para oferecer o empreendimento “Aquavillage Health Resort & SPA” que tantas dificuldades teve a nível autárquico para ser construído, e que no futuro vai ser o ex-líbris do turismo na região.

Termino, lembrando que, passado quase um ano e por imposição da CADA, ficámos a saber através do CBS que João Ramalhete é o representante nomeado pela autarquia para o Conselho de Administração da Fundação Dona Maria Emília Vasconcelos, resta confirmar se a Fundação sabe de tal nomeação? Demos conta que após as notícias que o CBS trouxe a público a Fundação deixou de ter canil, o que leva a crer que leem o jornal. Se tal acontecer, é provável que num futuro próximo e em seguimento de tal nomeação, se saiba quem realmente pertence aos corpos gerentes, como estão as contas e qual o futuro da instituição. Até lá, constata-se que o encarregado do espaço continua a ser o “Senhor da Casa”.

 

João Paulo AlbuquerqueAutor: João Paulo Albuquerque

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  • Fisco

    PSD da Beira Serra!
    Que bom titulo para este jornalismo….

    • Desiludido

      Muito bom jornalismo. Assim vamos sabendo deste Concelho.E já agora aprendam a fazer artigos assim.

  • Antenório

    Para bom jornalismo, para jornalismo de combate que escrutina o poder, todo o poder, qualquer título é bom…

  • Júlio Isidro

    É fantástico, até onde a sede do protagonismo pode levar alguém!

    Utilizar uma iniciativa como o Soltem Talentos que envolveu
    mais de 50 jovens do concelho para alimentar uma guerrilha pessoal, só pode
    partir de alguém que está muito longe da realidade da nossa terra e da sua
    juventude!

    Se não tivesse sido afastado do teatro da sua localidade, teria agora a oportunidade de convidar alguns dos jovens envolvidos e assistir na fila da frente aos seus dotes artísticos.

    De certeza que os jovens envolvidos no concurso, alem de talento, defendem valores muito superiores aos seus.

    Deixe-se ficar fechado em casa, decididamente V.Exa é alguém SEM TALENTO!

    • Politicalex

      Num artigo tão rico e profundo inventou uma crítica ao que não está escrito..?

      • Julio Isidro

        Tem que ler com mais atenção o ante-penúltimo paragrafo.(“Que remeta para o seu lugar as “chuvas de estrelas” e os “soltem os talentos” que já vinham do seu tempo na Cordinha, e que por lá sim, justifica-se e ajusta-se este tipo de espetáculos, mas nesta festa saturou sem trazer nada de novo, constatando-se o facto que depois de tantos anos ainda não saiu nenhum talento para o estrelato.”)

        • Despolitico

          E então? Qual é a critica? Faça lá a ligação para se poder entender.

        • Politicalex

          Li muito bem todo o artigo. Sim, numa Expo, se for como é costume, é para promover produtos e empresas numa perspectiva de venda dos seus produtos. Ora, isso, é o que não se vê nesta Expo. Por isso o autor recomendou as chuvas de estrelas e os talentos soltos,para iniciativas próprias do género. Já agora isso de ficar na primeira fila leva onde? Leu os documentos e declarações das entidades envolvidas, inclusivé do Sr.Presidente da Câmara, quanto ao desempenho do Sr.João Paulo Albuquerque, na Sociedade Recreativa Ervedalense? Só é “trambolho” e desqualificado desde que se lembrou de fazer a sua vida sem pedir licença ao sr.presidente que, vá lá saber-se porquê, acha que todos têm que lhe cantar hossanas. Quando assim não é, viram tudo o que há de mau…! Para ele. e para os seus acólitos, onde , parece, se inclui…
          O Bom disto é que o Povo, com a sua ausência progressiva, vai dando as merecidas respostas…

    • Desiludido

      Tanto jovem do Concelho e foram dar o 1º prémio aos de fora.Tenham vergonha na cara.Infelizmente não têm o menor respeito pela juventude Oliveirense.. Só sabem deles para lhe pagarem umas jantaradas quando deles precisam.

    • Rindo do Isidro

      Só nao sabe quem nao entende pévias do assunto.. mas ó Julio Isidro tu percebes alguma coisa de artes?? Ou és um artista do sistema pago com o dinheiro dos meus impostos??
      Então tu não sabes que os resultados são forjados pela organizaçao e o juri tem quem votar sempre nos nomes propostos pelos mesmo??!!… Foi assim no passado e continuará assim porque é sempre uma palhaçada feita à custa da juventude inocente que na sua boa fé participam.,

  • Desiludido

    Bom texto assim gostamos de ler,nada parecido com o desamor do presidente.Esse só sabe dar beijinhos aos velhinhos para parecer muito bom.O que ele tem e lhe sai por todos os poros é inveja e fel.Ainda não deram conta de tudo isto?

  • Ai que saudades

    Quem cá dera a “Ficacol” com as nossas bandas, os nossos grupos e as nossas empresas. Sem prejuízos e sem ADI’s.
    Agora é só para abanar o capacete e fumar uma ganzas, o que interessa é haver festa paga com o nosso dinheirinho e muitas a ajeitarem-se.
    Alex, vai fazer festas para tua casa, com o teu dinheiro. Destrói tudo este presidente com a alcateia que com ele anda e que tudo comem.