Líder do BE não aceita que TDT se transforme “num assalto à bolsa das pessoas”

 

… as populações do interior no processo de transição do sinal analógico de TV para o digital.

“Essa oportunidade (TDT) não pode ser transformada num assalto e muito menos numa desigualdade” entre o interior e o litoral do país, afirmou o líder do Bloco de Esquerda (BE) que, em declarações à Agência Lusa, rejeitou que “quem vive no interior seja penalizado e discriminado”.

De visita à freguesia do concelho que nos últimos tempos mais tem levantado a voz contra a discriminação a que está a ser sujeita a população – Alvôco de Várzeas – Francisco Louçã defendeu a igualdade de direitos para todos portugueses e revelou-se crítico para com aquilo que tem sido a postura da Portugal Telecom.

“Não é um império dentro de Portugal e não pode impor aos portugueses tratamentos diferenciados”, referiu na ocasião Francisco Louçã que, acompanhado pelos presidentes da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e da Junta de Freguesia de Alvôco de Várzeas disse que “não pode haver portugueses de primeira e de segunda perante um direito que deve ser igual para todos”.

Numa visita que não se cingiu a Alvôco e contemplou também a passagem por Aldeia das Dez e Piódão (Arganil), Francisco Louçã desafiou ainda a PT a “cumprir já” a recomendação proposta pelo BE e aprovada por unanimidade na Assembleia da República para que a TDT não tenha custos diferenciados para o interior e para o litoral. A mesma proposta recomenda que a PT suporte os encargos decorrentes da deficiência ou mesmo ausência de sinal TDT em diversas localidades do interior. O adiamento por três meses para “o fim definitivo do sinal analógico” é que, segundo Louçã, não colheu o aval da direita e acabou por ficar pelo caminho.

À frente dos destinos de um concelho onde cerca de seis mil habitantes poderão não ter acesso à TDT, José Carlos Alexandrino defendeu o adiamento do fim definitivo do sinal analógico, para que “este processo seja repensado”. Contou ainda que a Câmara Municipal já alertou a ANACOM e reuniu com a PT para que o processo fosse adiado até que seja encontrada uma solução.

De 23 de fevereiro a 26 de abril, Alvôco de Várzeas fica reduzida a um único canal de TV

Entretanto, a ANACOM acabou mesmo por adiar o “apagão” analógico marcado para esta semana. Com início a 12 janeiro com o desligamento do emissor de Palmela e os retransmissores de Alcácer do sal, Melides e Sesimbra, o apagão vai decorrer por fases, prevendo-se a 23 de janeiro o fim do sinal emitido pelo emissor de Foia- Monchique e dos retransmissores Santiago do Cacém, Cercal do Alentejo, Odemira, Odeceixe, Monchique, Aljezur e Silves.

O apagão prossegue no dia 1 de fevereiro no emissor de Lisboa-Monsanto e nos Retransmissores do Areeiro, Barcarena, Caparica, Carvalhal, Cheleiros, Estoril, Graça, Montemor-o-Novo, Odivelas, Sintra, Malveira, Sobral de Monte Agraço, Coruche e Cabeção.

No dia 13 de fevereiro, o fim do sinal analógico acontece no emissor do Reguengo do Fetal e retransmissores do Vale de Santarém, Sobral da Lagoa, Mira de Aire, Candeeiros, Alcaria, Tomar, Ourém, Caranguejeira, Leiria, Alvaiázere, Avelar, Pombal, Castanheira de Pera, Espinhal, Senhora do Circo, Padrão, Ceira dos Vales, Vale de Açôr, Vila Nova de Ceira, Ceira, Coimbra, Caneiro, Cidreira, Lorvão, Penacova, Mortágua, Avô e Benfeita.

A primeira fase do apagão fica concluída a 23 de fevereiro com o apagão no emissor de São Macário e retransmissores de Préstimo, Viseu, Cedrim, Vouzela, Vale de Cambra, Covas do Monte, Santa Maria da Feira, Arouca, Rio Arda, Lalim, Vila Nova de Gaia, Foz, Valongo, Santo Tirso, Caldas de Vizela, Caldas de Vizela II, Amarante, Gondar, São Domingos, Ancede, Caldas de Aregos, Resende, Lamego e Santa Marta de Penaguião.

E é exatamente o apagão que vai ocorrer no transmissor de São Macário que vai penalizar a freguesa de Alvôco de Várzeas que, a partir daquela data, 23 de fevereiro, até ao dia do apagão total, 26 de abril, vai apenas contar com um único canal de TV, RTP1, rececionado por via do transmissor do Marão. Numa verdadeira corrida contra o tempo, o presidente da Junta de freguesia de Alvôco de Várzeas ainda acredita que o problema da falta de sinal digital venha a ser resolvido a bem da população.

“Reunimos com a PT e eles disseram que vinham cá esta semana para verificar as ligações técnicas”, referiu Agostinho Marques a este diário digital, considerando que a PT deve levar por diante a sua missão social e tentar resolver o problema que, neste momento, afeta cerca de 13 por cento dos portugueses.

Nesta luta, Agostinho Marques diz contar com a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que até já chega a equacionar soluções com vista à resolução do problema no concelho e que podem passar pela colocação de uma antena parabólica num único local e em que a emissão de TV possa ser rececionada nas habitações via cabo.

Com Agência Lusa

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