Presidente do PSD deixa Paulo Rangel embaraçado à porta da Irsil

Numa altura em que o candidato do PSD às Eleições Europeias acabava de chegar às instalações da Irsil – Paulo Rangel tinha agendada uma reunião com os administradores daquele grande empregador do sector das confecções –, José Carlos Mendes dirigiu-se ao candidato do seu partido, cumprimentou-o, mas disse-lhe que a comissão política a que preside não iria participar na sua visita a Oliveira do Hospital.

De seguida, Mendes despediu-se de Rangel, entregando-lhe um dossiê que, segundo este diário digital apurou, contém uma análise detalhada da situação política do partido em Oliveira do Hospital. 

O insólito episódio político – presenciado à distância por Mário Alves e Paulo Rocha –, não mereceu grandes comentários do candidato ao Parlamento Europeu, que foi apanhado de surpresa. Visivelmente incomodado, o presidente da distrital do PSD, Pedro Machado, também não perdeu tempo a levar Rangel para dentro das instalações da empresa.

 

Presidente do PSD abandona visita de Rangel a Oliveira do Hospital 

Instado pelo correiodabeiraserra.com a explicar as razões políticas que despoletaram esta inesperada atitude, José Carlos Mendes salientou que, em nome da concelhia do PSD, se limitou a “cumprimentar e a desejar as maiores felicidades” ao candidato porque – conforme sustentou – a estrutura local do partido tem sido “desrespeitada sucessivamente pela distrital”.

“Viemos dizer-lhe, com muita pena nossa, que não o iríamos acompanhar (…) no que diz respeito a esta visita, apesar de termos indicado um director de campanha a pedido do secretário-geral do partido, e de sermos nós os representantes do PSD em Oliveira do Hospital, a organização desta visita passou-nos ao lado”, afirmou Mendes a este diário digital, salientando que perante estes factos não havia “outra posição que não fosse a de mostrar a nossa indignação a Paulo Rangel, dizendo-lhe que não é nada contra ele, que estamos com ele”.

O presidente do PSD local afirmou ainda ter dito a Rangel que “já é tempo de o partido dar resposta à impugnação que tem no Conselho de Jurisdição Nacional e dar resposta aos nossos pedidos porque as eleições autárquicas estão à porta”.

Sobre a reacção do candidato às europeias de 7 de Junho, Mendes sustentou que Rangel teve uma reacção “de espanto”. “Ele não estava à espera desta atitude. A nós custou-nos muito, mas basta, da nossa parte, os sucessivos atropelos dos estatutos do PSD. Pedimos que sejam respeitados e que as coisas sejam analisadas de forma célere. As eleições autárquicas estão aí à porta para bem do partido e dos oliveirenses”, declarou Mendes.

 

Candidato  reúne com empresários da indústria de confecções 

Entretanto, meia-hora depois, Rangel, que era aguardado por alguns apoiantes mais ligados à facção política de Mário Alves e Paulo Rocha, subiu ao quarto andar do Hotel S. Paulo para realizar uma reunião – vedada à comunicação social – com diversos empresários ligados à indústria de confecções local.

No final, solicitado pelo correio dabeiraserra.com a comentar o episódio político ocorrido nas instalações da Irsil, Rangel desvalorizou o acontecimento. “Sinceramente, não tenho comentário nenhum. Isso faz parte das divergências políticas normais que há sempre em todos os processos eleitorais e deve ser encarado com naturalidade”, afirmou.

O candidato do PSD frisou também que “não vale a pena explorar o que não tem exploração possível” porque – segundo salientou – “a pessoa em causa foi taxativa no apoio que dá à lista do PSD ao Parlamento Europeu”.

 

Rangel promete ler o relatório para emitir uma opinião 

Já sobre o relatório que lhe foi entregue em mão, Rangel prometeu lê-lo. “Leio sempre tudo o que me é entregue, nunca deixo de ler nada, mas, só depois de ler, é que emito opinião”, observou.

Entretanto, o Conselho Jurisdicional do PSD nacional reúne amanhã, mas o líder do PSD local disse a este diário electrónico que não tem a “certeza” se a impugnação apresentada em Abril deste ano contra a indicação do nome de Mário Alves para a Câmara de Oliveira do Hospital, vai ser analisada. “Solicitámos ao senhor presidente que o fizesse porque uma situação destas não se pode arrastar no tempo e têm que se respeitar as estruturas de base. Há que exigir a análise dessa impugnação, porque é fundamental para que a democracia seja exercida em pleno e para que quem de direito possa apresentar o candidato e não faça como fez a distrital”, afirmou Mendes ao CBS online.

* Com Liliana Lopes

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