Mendes mantém-se em funções e acusa Alves de falta de “carácter”

Numa conferência de imprensa, realizada esta segunda-feira na sede do partido, José Carlos Mendes dirigiu  fortes críticas ao presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, Mário Alves, ao seu número dois, Paulo Rocha, e ainda ao presidente da distrital, Pedro Machado.

Para já uma coisa é certa: Mendes vai continuar a ser o presidente do partido, e decidiu solicitar ao Conselho Jurisdicional (CJ) do PSD a anulação do acto da comissão política distrital, quanto à aprovação do nome de Mário Alves como candidato à presidência da Câmara de Oliveira do Hospital, por o considerar “ilegal”.

Se o CJ não vier a dar provimento à solicitação da concelhia do PSD oliveirense, Mendes promete avançar para o Tribunal Constitucional, e deixa claro que “uma das atribuições” da concelhia do partido “é a de organizar todo o processo inerente às autárquicas 2009”.

Mário Alves “está desgastado”

“Continuo a ser o presidente da comissão política de secção do PSD de Oliveira do Hospital. Os militantes, de uma forma livre e democrática, elegeram-me em dois mandatos sucessivos. Não havendo factos que ponham em causa a legitimidades destes dois actos encontra-se esta comissão política na plena posse das funções e competências que lhe foram atribuídas”, começou por afirmar José Carlos Mendes, sublinhando que no seu entendimento “o presidente da câmara em exercício não reúne condições para se recandidatar”, porque – conforme referiu – “está desgastado e já provou não ter um projecto credível para o futuro do concelho”.

Defendendo que “em democracia é normal e desejável haver mudanças”, Mendes põe mesmo a polémica numa fasquia mais alta, ao considerar que, neste processo, “aos erros grosseiros cometidos pela comissão política distrital, juntou-se a aceitação tácita de Mário Alves que demonstrou, claramente, uma ausência de carácter e de princípios confrangedora”.

“Os interesses deste senhor – continuou – nada têm a ver com os princípios do sistema democrático e da social-democracia. Qualquer cidadão com valores e ética não aceitaria ser candidato por uma estrutura que o rejeitou duas vezes consecutivas”, salientou Mendes, que acusou ainda o autarca do PSD de querer “a manutenção no poder indefinidamente e a todo custo”.

De seguida, Mendes desancou no presidente da distrital, considerando que “todo este lamentável processo não é só condenável do ponto de vista ético e moral”, mas também no âmbito jurídico. “São notórias irregularidades gravosas, que, desrespeitam as normas estatutárias em vigor adulterando os princípios aí estabelecidos”, referiu, observando que é “às comissões políticas de secção de cada concelho que compete propor o candidato a presidente da câmara”.

Como tal, o presidente da concelhia do PSD, que continuará assim em funções não se sabe durante quanto tempo, acusa a distrital do PSD de ter tomado uma deliberação que “violou os estatutos do partido, como violou também os princípios estatutários da democraticidade interna”. (leia aqui os estatutos do PSD).

“Não pertence a um candidato estar a fazer listas à revelia da comissão política de secção”

Sendo assim, Mendes acha que a melhor solução é a de se manter à frente do partido “até que a legalidade seja reposta e os princípios da democraticidade interna assentes no respeito pela decisão da maioria dos militantes sejam assegurados”.

Deixando claro que tudo fará para que seja ele próprio o candidato do partido, o antigo número dois de Mário Alves disse ser portador de “um projecto credível que visa o desenvolvimento do concelho” e garantiu não abdicar de “seleccionar as melhores equipas que possam nas freguesias, na assembleia municipal e na câmara municipal concretizar esse objectivo e corporizar esse projecto”.

 

Questionado pelo correiodabeiraserra.com sobre o facto de o PSD de Oliveira do Hospital poder correr o risco de ter as suas duas facções a elaborarem as listas de candidatos às eleições autárquicas, o líder da concelhia social-democrata foi peremptório: “se tivermos provas disso iremos denunciá-las junto do conselho jurisdicional. Isso é uma falta de ética. Não pertence a um candidato estar a fazer listas à revelia da comissão política de secção”, observou, notando que isso seria “mais uma ilegalidade”.

Quando às notícias que vêm dando conta do aparecimento de uma lista de independentes encabeçada por si, Mendes foi buscar a célebre frase de Marcelo Rebelo de Sousa, quando em tempos idos afirmou que “nem que Cristo descesse à terra” seria candidato à liderança do PSD e, por isso, “o futuro a Deus pertence” 

De resto, o presidente daquela que é hoje uma das maiores secções do PSD a nível nacional, mostrou-se confiante quanto à decisão do CJ do PSD, e sublinhou que no caso de essa decisão lhe ser favorável, a Pedro Machado só resta um caminho: “se for uma pessoa de carácter, peça a demissão” da distrital.

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