Ligações de saneamento deixam Seixo da Beira em ‘pantanas’

“Lama em tempo de chuva e pó quando está vento”, é o cenário a que se tem assistido nos últimos meses na freguesia de Seixo da Beira, decorrente dos trabalhos de ligações técnicas de saneamento, substituição da rede de abastecimento de água e execução da rede de águas pluviais.

 

Queixas que partem da própria população que, desde abril do ano passado assiste a um consecutivo “abrir e fechar de buracos” e que, na sua opinião, tarda em ser dado por concluído.

“Pensei que acabassem isto no fim do ano, mas não”, contou desgostosa Maria de Lurdes Henriques ao correiodabeiraserra.com, notando que a situação piorou com a chuva dos últimos dias, que transformou as ruas “num autêntico lamaceiro”. A proprietária de um estabelecimento comercial da freguesia disse contudo compreender o motivo de todo o transtorno, ainda que tenha também observado que a rua onde reside e mantém o seu negócio, Rua do Comércio, já está dotada de saneamento há vários anos.

Visivelmente afetado pelo estado degradado em que se encontra a Rua da Bela Vista, José Costa lamenta que as obras não tenham fim à vista e que da parte da empresa responsável também não haja o cuidado de minimizar o impacto causado pelas obras. “Talvez não usem o melhor método de trabalho”, referiu o ex emigrante nos EUA, que diz nunca ter observado semelhante cenário naquele país, onde também trabalhou no mesmo ramo de atividade.

O morador queixa-se sobretudo da lama excessiva que por vezes chega a impedir a circulação de pessoas e até de carros, condicionando muitas vezes o acesso dos moradores às próprias habitações.

De acordo com José Costa, o descontentamento é geral entre a população. Um facto comprovado por este diário digital na abordagem feita junto de vários populares, que se confessam fartos da lama. “Andam aqui as máquinas a abrir e a fechar, mas nunca mais resolvem isto”, referiu um septuagenário.

“Isto é uma conquista do povo”

Queixas e reparos que não deixam indiferente o presidente da Junta de Freguesia, que também se vê afetado pelos mesmos “males necessários”.

Ainda que lamente os prejuízos causados junto do comércio local e os transtornos que a situação tem provocado a cada um dos habitantes, Carlos Batista esclarece que a execução da obra não está fora do prazo estimado, já que a sua conclusão está prevista para junho deste ano.

A presidir aos destinos da autarquia desde outubro de 2009, Batista não deixa de sublinhar que todo o inconveniente agora causado à população decorre daquilo que é uma reivindicação antiga da freguesia, que até aqui “só tem sido notícia pelos maus motivos”.

“Vamos dotar a localidade com sistema de saneamento básico e estamos a substituir a rede de abastecimento de água que ainda era em Lusalite”, explicou Carlos Batista, destacando a mais valia de o atual presidente da Câmara Municipal, José Carlos Alexandrino, se ter mostrado, desde a primeira hora, sensível para com aquele que é o “problema maior da freguesia”, possibilitando assim a sua resolução.

Em causa está, como explicou, um investimento de 407 mil Euros financiado pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional, que vai pôr cobro às insuficientes fossas sépticas que até aqui eram responsáveis pelo habitual cenário de esgotos a céu aberto.

Na prática, explicou, o sistema agora instalado vai levar à desativação das cinco fossas que serviam a localidade, passando a direcionar todas as águas residuais para a Estação de Tratamento de Águas Residuais que já foi construída pela Águas do Zêzere e Côa, aguardando-se apenas a construção de três poços elevatórios na rua do Paço, Póvoa da Barbeira e Corga.

Ainda que os trabalhos já tenham sido dados por concluídos em algumas artérias da freguesia, Carlos Batista admite que a finalização de toda a obra venha a sofrer alguns atrasos decorrentes de alterações que foram efetuadas e, da especificidade das ruas na Póvoa da Barbeira que por serem estreitas não possibilitarão o uso de tanta maquinaria.

De acordo com o autarca, o grosso dos trabalhos já está feito, mas Carlos Batista apela à compreensão da população para o que ainda falta fazer nomeadamente o empedramento, colocação de passeios e tapete. “Lembrem-se que isto é uma conquista do povo”, refere Batista, notando que o período atual é de contenção e, que se fosse hoje talvez a obra nem sequer chegasse a ser lançada.

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