Linha apoia vítimas de violência doméstica em Oliveira do Hospital

A criação de uma linha telefónica de apoio às vítimas de violência doméstica do concelho de Oliveira do Hospital é apenas uma das medidas que resulta do programa “Igualdade Local: Cidadania Responsável”, ontem, apresentado na Casa da Cultura César Oliveira e que vai vigorar até 2013.

Acessível pelo número 238 605 260, a linha presta apoio jurídico às vítimas de violência doméstica, no sentido de lhes dar a melhor orientação possível, com o objetivo de colocarem fim à situação por que estão a passar. Do outro lado da linha, o apoio é prestado pela jurista da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.

“Igualdade Local: Cidadania Responsável” não se esgota porém na linha de apoio, prevendo-se igualmente a constituição de um observatório local para as questões de igualdade e a figura do conselheiro para a igualdade.

A criação do plano e de um dia municipal para igualdade também está entre os objetivos do programa, coordenado pela técnica de Ação Social da Câmara Municipal, Carla Camacho.

Destinado a “corrigir as desvantagens na educação, formação e qualificação” e “ultrapassar as discriminações e reforçar a integração de grupos específicos”, o programa que dá os primeiros passos a nível concelhio pretende, sobretudo, colocar termo aos casos de violência doméstica, cujos números têm vindo a dar sinais de crescimentos.

“Este ano já registámos cinco situações graves de violência doméstica”, contou Carla Camacho, referindo que se trataram de casos onde chegou a ser necessária a retirada da vítima da habitação.

A justificar o arranque do programa a nível concelhio está o resultado da análise efetuada à realidade concelhia, onde se constata a discriminação e fragilidades associadas ao género feminino em vários domínios.

“Oliveira do Hospital tem 841 desempregados, dos quais 512 são mulheres e 329 são homens”, começou por referir o vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, informando igualmente que, entre os desempregados, as mulheres são as que apresentam as mais baixas qualificações.

Do mesmo modo, é também o género feminino (77) que predomina nos registos do Gabinete de Inserção Profissional (132), bem como na procura de auxílio junto do Banco de Recursos Sociais de Oliveira do Hospital.

“Queremos alertar para algumas maleitas e patologias associadas às questões da igualdade de género”, informou José Francisco Rolo, na expectativa de que o projeto “vá ao encontro da comunidade e seja um canal que possa contribuir para que o nosso concelho seja um espaço onde homens e mulheres possam participar por igual”.

O objetivo, continuou o também vereador da Ação Social concelhia, é o de formar “uma sociedade mais igual na participação e nos deveres”.

“Provocar” e “despertar consciências” são dois dos grandes chavões associados ao novo projeto municipal. Um propósito que começou ontem – Dia Internacional da Tolerância – a ser cumprido com a inauguração da exposição “Mercadoria Humana” de Pedro Medeiros, por iniciativa da Organização Não Governamental “Saúde em Português”.

“É uma exposição de choque para provocar e que retrata situações de violência, abuso e desumanização das relações”, explicou José Francisco Rolo.

Numa sessão destinada a combater as desigualdades, a atuação de um grupo de utentes da Arcial, apoiado por Luís Antero – guitARCIAL quarteto – constituiu um exemplo daquilo que deve ser a vida numa comunidade, onde prevalece a tolerância e a igualdade entre géneros. O Coral de Sant’ana encerrou o encontro.

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