Lojistas e moradores contestam obras de requalificação na Praceta Manuel Cid Teles

Foi logo às primeiras horas da manhã de hoje que o arranque dos trabalhos de requalificação da Praceta Manuel Cid Teles, em Oliveira do Hospital, motivou a indignação entre lojistas e moradores.

Em causa está o aviso tardio da realização dos trabalhos – chegou na passada sexta-feira – bem como o projeto de requalificação daquele espaço que prevê o alargamento da zona central da praceta, com vista à colocação de um memorial ao escritor falecido e por conseguinte o estreitamento das vias.

Trabalhos que não colhem o aval dos lojistas, cujos clientes já estavam habituados a uma paragem rápida junto aos espaços comerciais para a carga de mercadorias. É disso exemplo a conhecida loja de produtos agrícolas localizada na praceta, onde os clientes se valem da paragem rápida em frente ao espaço comercial para poderem carregar rações, sementes e outros artigos, normalmente de peso elevado.

“Se o meu cliente não pode parar, onde é que ele vai estacionar”, contou a proprietária Ana Marques ao correiodabeiraserra.com, que receia o impacto que a requalificação venha a ter para o seu negócio, temendo até que em caso de fuga dos clientes (por não poderem parar) se veja obrigada a encerrar o negócio.

Ana Marques garante concordar com a requalificação da Praceta “mas não como está a ser feita”. A comerciante lamenta que a autarquia tenha avançado para a obra sem dialogar com os lojistas e moradores, para que pudessem chegar a um entendimento e não houvesse reclamações.

Ana Marques lembra que o local já é parco em estacionamentos e que, caso o projeto venha a ter aplicação prática, a situação tenderá a piorar.

A dar voz ao conjunto dos lojistas que esta manhã rumou ao Paços do concelho para “pedir explicações” ao presidente da Câmara, Ana Marques lamenta o aviso tardio do arranque dos trabalhos por não ter permitido aos lojistas fazer uma avaliação do negócio nos próximos meses.

“Já fiz as compras para os próximos meses e agora com a Praceta em obras, arrisco-me a ficar com a mercadoria em armazém”, referiu a jovem comerciante.

“Há aqui carros estacionados há mais de um mês”

Para fazer face aos constrangimentos de estacionamento, comerciantes e moradores chegam a sugerir a colocação de parquímetro naquele espaço da cidade.

“Há aqui carros estacionados há mais de um mês”, referiu Adelino Mendes a este diário digital, denunciando também a ocupação abusiva dos dois lugares destinados a cargas e descargas.

Um assunto que segundo contou já tentou expor ao presidente da Câmara Municipal a quem solicitou audiência, mas que segundo disse, nunca chegou a merecer a atenção do autarca.

Perante uma intervenção que se prolongará nos próximos dois meses, os lojistas não escondem a preocupação e já admitem “quebras” nos negócios.

À saída do encontro com o presidente da Câmara, Ana Marques destacou a sensibilidade do presidente da Câmara para com as queixas apresentadas e revelou-se satisfeita por, aparentemente, o alargamento da zona central da Praceta poder vir a ficar sem efeito, não implicando o estreitamento das vias.

Um assunto que vai contudo ser motivo de análise maior em reunião agendada para as 19h00 de amanhã com os lojistas, Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Oliveira do Hospital.

O anúncio de intenção de requalificação da Praceta Manuel Cid Teles foi feito em fevereiro do ano passado por ocasião do arranque das comemorações do centenário do autor que dá nome àquele espaço da cidade.

“A Junta de Freguesia encetou junto do município um pedido de apoio para a requalificação da praceta Manuel Cid Teles, porque interessa que o autor passe a ser também uma marca e uma imagem turística”, afirmou na altura o presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Hospital, explicando que a requalificação iria decorrer em duas fases e em que o objetivo (previsto para uma segunda fase) é o de retirar os lugares de estacionamento atualmente existentes na praceta.

Para a zona central da Praceta, Nuno Oliveira anunciou, ainda, a colocação de um memorial de Manuel Cid Teles como forma de “dar a conhecer a quem vem de fora, quem foi Manuel Cid Teles”.

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