Luís Silva apresenta “Os últimos moinhos” em ante-estreia

Em rodagem desde Outubro de 2008, o filme “Os últimos moinhos” pretende retratar a “triste” realidade de uma arte que, além de aproveitar os recursos hídricos e naturais, era o sustento de muitas famílias nas regiões do centro e norte do país, assim como em algumas zonas do interior e do Alentejo.

“O que vimos e registámos na objectiva foram dezenas ou mesmo centenas de moinhos desactivados, cobertos de silvas, abandonados pelo tempo”, sublinha Luís Silva em nota de imprensa enviada ao correiodabeiraserra.com, verificando que “os mais novos já não querem saber disto”, e a rigidez das leis também “afasta os sobreviventes de dar continuidade à profissão”.

Nos sete meses de gravações, o realizador encontrou moleiros – “poucos”, refere – que já tinham idade avançada e falavam com saudade dos tempos em que, com os seus burros, percorriam quilómetros para levar a farinha aos seus clientes.

Quanto à tipologia dos moinhos, Luís Silva refere que a maioria dos que existem nas regiões da Serra da Estrela e do Alentejo são moinhos de água ou de rodízio. Já na região de Coimbra, encontrou em Penacova moinhos movidos pela força do vento. O documentário retrata esta arte em Figueiró da Serra, Moinhos da Serra e Folgosinho no Concelho de Gouveia, em Sandomil e Tourais no Concelho de Seia, em S. Gião e Ervedal da Beira no Concelho de Oliveira do Hospital, no Alentejo em Belver e Domingos da Vinha e Viseu principalmente em Vildemoinhos onde existe um ecomuseu.

O filme conta com depoimentos de gente que desde sempre esteve ligada aos moinhos de uma forma familiar e profissional. Destaca também algumas pessoas que se dedicam a manter viva a profissão através da construção de réplicas de moinhos ou através da sua transformação em museus e mesmo em habitações de turismo rural.

Em resultado do que verificou no local, o realizador questiona sobre a viabilidade que vai ser dada aos vales onde existem moinhos degradados: “podem vir a ser recuperados e voltarem a fazer parte de uma forma de economia, através do seu aproveitamento para o turismo criando também dessa forma novos postos de trabalho e novas zonas de atracção nas regiões do interior? Ou vamos continuar a deixar “morrer” tudo o que é nacional?”.

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