Luta pelos IC6,7 e 37 poderá ser “brutal” e “com dor”

A Câmara de Oliveira do Hospital não aceita a exclusão dos IC6, 7 e 37 do relatório final das obras de valor acrescentado e, juntamente com os municípios de Seia e Gouveia, admite encetar uma luta “com dor” que poderá fazer “mossa”.

De Oliveira do Hospital partiu hoje um “cartão vermelho” à atuação do governo e da comissão responsável pela elaboração do relatório das obras de valor acrescentado. Em causa está a exclusão dos Itinerários Complementares 6,7 e 37 daquele documento de trabalho e que o concelho oliveirense e a região se recusam a aceitar.

Na linha da frente da contestação estão os presidentes de Câmara, com destaque para o autarca de Oliveira do Hospital que esta manhã, convidado a participar na conferência de imprensa promovida pelo PS concelhio, não poupou críticas à atuação do governo e aos critérios seguidos pela comissão responsável pelo relatório de obras de valor acrescentado.

Sem problemas em acusar o secretário de Estado de mentir quando diz não ter sido abordado pelos autarcas para uma reunião – “é mentira”, frisou – José Carlos Alexandrino lamentou de igual modo não ter sido aceite o pedido de reunião com a comissão responsável pela elaboração do referido relatório que dita uma “sentença de morte a uma região que continua a andar em estradas do tempo da monarquia”. “Não aceitamos de modo nenhum e não nos vamos fazer calar”, disse esta manhã José Carlos Alexandrino que apenas consegue justificar a ausência dos ICs daquele relatório final com a “incompetência” do grupo de trabalho.

Em 10 anos a Estrada da Beira registou 48 mortes, enquanto que o IP3 registou 41 e, em 16 anos, aquela estrada teve 117 mortes e o IP3 registou  125.

“É incompetente porque não usou os critérios de coesão territorial, como Bruxelas faz em relação a Portugal e outros país”, particularizou o autarca que, num segundo momento, critica a Comissão por não levar em conta o critério da sinistralidade, atendendo a que em 10 anos a Estrada da Beira registou 48 mortes, enquanto que o IP3 registou 41 e, em 16 anos, aquela estrada teve 117 mortes e o IP3 registou  125. Um a situação que, alerta o presidente, piorou com a taxação da Scut da A25 traduzindo-se num “aumento significativo de tráfego na EN17 que continua sem a prometida “grande intervenção”. “Até agora a Câmara não foi auscultada para nada disso”, informou, notando ser ele o próprio a incitar os condutores a apresentar queixa contra a Estradas de Portugal no caso de acidentes provocados pelo mau estado. Do mesmo modo o autarca, entende que a comissão foi incompetente ao não levar em conta a influência do ICs no desenvolvimento económico daregião.

“Estudar por estas três variáveis era o básico”, refere o autarca, criticando ainda a comissão por não atender ao Prodcentro que indica os Ic6,7 e 37 como “eixo estruturante da região”. “O grupo de trabalho devia lê-lo”, entende o autarca que, com facilidade, constata que o resultado do relatório final não decorre de uma decisão técnica, mas antes de opções políticas. “Acho que há aqui muita política”, considerou o Alexandrino chamando a atenção para o facto de o documento defender a construção de Itinerários Complementares em “zonas menos povoadas”. “Todas as regiões têm o direito de reclamar, mas não posso concordar com coisas que estão nesta proposta”, frisou.

José Carlos Alexandrino assegura estar a trabalhar com os presidentes de Câmara da região com vista à inclusão daqueles itinerários no grupo das obras de valor acrescentado. Em breve, os autarcas esperam reunir com os grupos parlamentares, certos porém de que “com palavras isto não vai lá”.
A contar com a solidariedade dos autarcas da região, presidentes da comunidades intermunicipais, e deputados na Assembleia da República, Alexandrino e os autarcas de Seia e Gouveia acreditam que ainda possa haver uma “margem negocial”. “Congratular-me-ia se fosse o PSD a fazer estas obras”, sublinhou esta manhã José Carlos Alexandrino, avisando porém, que no caso de tal não se verificar os municípios encetarem “uma luta sem tréguas” e “com dor”. “Pode ser uma luta brutal de três municípios e acredito que isto fará mossa”, registou o autarca, entendendo ser esta a única forma de “o governo olhar para o nosso território com o respeito que merece”.

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