Em Oliveira do Hospital, a maioria dos bares e restaurantes proíbe a entrada de fumadores, mas alguns dos principais cafés optaram por arriscar porque a lei não é suficientemente esclarecedora quanto aos sistemas de ventilação e sucção do fumo do tabaco.

Maioria dos espaços reservada a “Não Fumadores”

Imagem vazia padrãoNo segundo dia da aplicação da lei que aprova normas para a protecção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco e medidas de redução da procura relacionadas com a dependência e a cessação do seu consumo, o Correio da Beira Serra deu de caras com o dístico de proibição de fumar na porta de praticamente todos os cafés, bares, pastelarias e restaurantes. Apenas na porta do “Café Portugal” é visível a informação: “neste estabelecimento há uma zona de fumadores”. Mas, em alguns bares da cidade também é permitido fumar no seu interior, por estarem equipados com sistemas de extracção de fumos.

Não escondem os receios de perder alguma clientela, mas grande parte dos proprietários dos espaços em causa concorda com a entrada em vigor da lei nº37/2007, no primeiro dia de 2008. “Temos que ter respeito pelos que não fumam”, referiu ao CBS, Dina Gonçalves proprietária da “Pastelaria Primavera” no centro da cidade de Oliveira do Hospital. Foi também a pensar no respeito dos não fumadores que, ainda recentemente, decidira instalar naquele espaço um sistema de extracção de fumos. No entanto, por entender que “a lei não está bem definida e é muito vaga relativamente ao sistema adequado para a extracção de fumos”, Fernando Gonçalves decidiu optar pelo dístico de proibição. Sócios da Associação de Restauração e Similares de Portugal (ARESP), os proprietários da “Pastelaria Primavera” mostraram-se concordantes com a entrada em vigor da nova lei, por considerarem que a mesma salvaguarda a saúde dos não fumadores e dos próprios funcionários. Não escondem o receio de poder vir a perder alguns clientes, mas estão confiantes de que a maioria se irá manter. “Se não vierem para aqui para onde é que irão?”, questionou Dina Gonçalves, acrescentando que até ao momento ainda não se deparou com nenhuma situação complicada. “Pelo contrário, até brincamos todos com a situação”, frisou.

Se por um lado, os próprios fumadores aceitam pacificamente a aplicação da nova lei, por outro, há não fumadores que discordam da sua entrada em vigor, por entenderem que está em causa “uma forma de discriminação social”. Esta é a opinião de Hermínia Mendes que considera que “discriminar um fumador é a mesma coisa que discriminar um doente com Sida”. “Acho que todos temos que respeitar o espaço dos outros”, acrescentou, para de imediato ser apoiada por Maria do Céu Rodrigues que considera tratar-se de “uma injustiça”. “Vivemos num país comunista, ou quê?” questionou Maria do Céu, que apesar de não ser fumadora, é de opinião de que “nos cafés deveria ser permitido fumar”. Não deixou também de criticar o facto de nos locais onde agora é proibido fumar, continuar a ser permitida a venda de tabaco. “O que é que aquela máquina está ali fazer?”, interrogou.

O dístico vermelho é também visível nas portas dos restaurantes que o CBS visitou. “Receio que alguns clientes não venham”, confessou Carlos Costa do “Restaurante Almeidense”, acreditando contudo que a sua clientela se mantenha. “Acho que não é por isso que vão deixar de vir cá”, referiu, notando que desde que deixou de vender tabaco, começou “a habituar”, os clientes a não fumarem. Concorda com a proibição, especialmente nos restaurantes. De imediato, optou pela colocação do dístico vermelho e nem sequer ponderou instalar um sistema de extracção de fumos. “É muito caro e não penso vir a colocá-lo”. Situação semelhante é aquela a que se assiste no Restaurante “O Príncipe da Cidade” que também aderiu ao dístico vermelho, estando colocada de lado a possibilidade de instalação de extractor de fumos.

“Neste estabelecimento há uma zona de fumadores”

Imagem vazia padrãoSegundo o CBS, o Café Portugal é um dos espaços da cidade onde é permitido fumar, tendo reservado um espaço para esse efeito. “Neste estabelecimento há uma zona de fumadores”, pode ler-se na porta daquele estabelecimento que permite o acesso directo ao espaço de fumadores, sinalizado com dístico azul. Os cinzeiros nas mesas possibilitam a fácil identificação do local. O espaço onde se situa o balcão de atendimento é o que a gerência reservou aos não fumadores. Era aí que, esta manhã, se encontrava a maior parte dos clientes. A separação dos espaços agradou a fumadores e não fumadores que, naquele local, podem sem reservas permanecer sem influenciar o bem-estar de cada um.

A nova lei entrou em vigor à meia-noite do dia 1 de Janeiro e o seu incumprimento será punível ao abrigo do regime sancionatório previsto: de 50 a 750 Euros para o fumador e de 50 a 1000 euros, de 2500 a 10 mil euros, de 10 mil a 30 mil euros ou de 30 mil a 250 mil euros, consoante a infracção, para os proprietários dos espaços.

Liliana Lopes

LEIA TAMBÉM

CDS oliveirense ausente da cerimónia de comemoração do feriado municipal como protesto pela condecoração a Ana Abrunhosa

O CDS oliveirense vai estar ausente da cerimónia de comemoração do feriado municipal que vai …

‘Nariz Preto’ de Pedro Tochas chega a Oliveira do Hospital

O espectáculo de Pedro Tochas, ‘Nariz Preto’, inserido no âmbito do programa ‘Coimbra Região de …