Mais de 800 crianças participaram em reflorestação de baldio devastado pelo fogo no verão passado (Com vídeo)

Ontem foi dado o primeiro passo para recuperação do manto verde no baldio de Ervedal da Beira. Na ação de reflorestação promovida pela Câmara Municipal, no âmbito da 4ª edição do “Plantar Portugal”, participaram 870 crianças do 1º ciclo e pré escolar.

Reduzido a um coberto de cinza, por força do incêndio ocorrido no dia 25 de agosto, o baldio da União de Freguesias de Ervedal da Beira e Vila Franca da Beira começou, ontem, a ter vida nova. Às primeiras horas da manhã, mais de 800 crianças do 1º ciclo e pré escolar do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital levaram a efeito, com ajuda de sapadores, bombeiros e funcionários do município,  a ação de sementeira de 1500 bolotas de sobreiro e carvalho e a plantação de 450 pinheiros mansos e 120 carvalhos.

Aconteceu assim no âmbito da 4ª edição do “Plantar Portugal”, iniciativa à qual o município de Oliveira do Hospital se voltou a associar com o objetivo de dar vida nova a uma área fortemente fustigada pelo fogo. “Este foi o local de eleição para comemorar o Plantar Portugal”, referiu Graça Silva, vereadora da Educação na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, notando que a ação não se esgota na reflorestação, tendo associada uma função pedagógica de sensibilização dos mais novos.

“Queremos transmitir a mensagem de que o incêndio devastou e nós somos capazes de melhorar o ambiente e tornar o concelho mais verde”, referiu a responsável, notando que foi escolhida a faixa etária das crianças que frequentam o 1º ciclo e jardim de infância, porque “são mais fáceis de sensibilizar e aderem facilmente às iniciativas”.

A ação de sementeira e plantação, ontem realizada, beneficiou 1,5 hectares de um total de mais de 730 hectares de área ardida no último verão na zona de Ervedal da Beira. Uma prática que vem sendo seguida ano após ano nas áreas devastadas pelo fogo e que até ao momento já possibilitou a reflorestação de 18 hectares de terreno. Sementeiras e plantações que, na maioria, “têm vingado” e que têm possibilitado minimizar o estrago causado pelo fogo. “É aprazível visitar estes locais de reflorestação, onde se vê a força da natureza a predominar e onde se consegue perceber que estas ações a longo prazo vão dar os seus frutos”, referiu Graça Silva.

Decorridos quase três meses desde o trágico incêndio em Ervedal da Beira, a vegetação é praticamente inexistente, revelando-se o processo de reflorestação mais do que necessário. Devido aos “sucessivos incêndios deixa de haver semente no solo”, explica a vereadora das florestas na autarquia oliveirense, notando que no baldio em questão não viria a germinar outra espécie que não fosse mato. “Daí esta ação de sementeira e plantação para colocar novamente semente no solo”, referiu Teresa Dias, notando que o carvalho, sobreiro e pinheiro manso são as espécies que melhor se adequam à área em questão. De acordo com a vereadora, com formação na área florestal, daqui por 15 anos será possível encontrar no local uma floresta devidamente formada. Porém, alertou que a zona “ciclicamente arde de 10 em 10 anos”, pelo que destacou a necessidade de as entidades responsáveis realizarem as intervenções que estão planeadas, para que os incêndios sejam de menores dimensões, porque “eles vão continuar a existir, podem é ser de menor gravidade”.

Ainda no âmbito do Plantar Portugal que decorre até 24 de novembro, no próximo dia 23, data em que se comemora a floresta autóctone, o município vai proceder à replantação do Vale da Madrana, onde uma primeira ação de reflorestação teve sucesso de 70 por cento.

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