MAIS VALE NUNCA… DO QUE TARDE.

Era uma vez uma cigarra que vivia cantando pelo bosque, sem se preocupar com o dia de amanhã. Um belo dia encontrou uma formiga que carregava uma folha pesada e perguntou-lhe:

– Formiga, para quê todo esse trabalho? O Verão é para descansar e divertirmo-nos!

– Nem pensar! Nós, formigas, não temos tempo para a diversão. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o Inverno. Aconselho-te a fazeres o mesmo.

– Porque me hei-de preocupar com o Inverno? Olha ao nosso redor, comida não nos falta!

A formiga não respondeu, continuou o seu trabalho e foi-se embora.

Quando o Inverno chegou, a cigarra não tinha nada para comer. No entanto, viu que as formigas tinham muita comida, porque a tinham guardado no Verão. A cigarra compreendeu que tinha feito mal ao não dar ouvidos ao conselho da formiga.

Moral da história: não pensem só em divertirem-se. Trabalhem e pensem no futuro.

Esta pequena fábula de La Fontaine é muito curiosa, porque separa claramente o conceito de diversão do conceito de trabalho.

Mas não será possível conciliar estas duas palavras?

McGregor, na década de 60, ao definir a teoria X Y, tentou explicar qual era afinal a relação existente entre pessoas e trabalho chegando à conclusão que existem duas visões distintas para analisar esta questão.

Para os indivíduos que se identificam com princípios da teoria X, o trabalho é visto como um sacrifício pelo que combinar trabalho e diversão é verdadeiramente uma miragem. Já, para os indivíduos que se enquadram na teoria Y, esta combinação é perfeitamente lógica e possível.

Para este psicólogo, e segundo a teoria X, as pessoas têm aversão ao trabalho e à responsabilidade, preferindo ser dirigidas. São normalmente preguiçosas e desmotivadas por natureza vendo na remuneração o único meio de recompensa.

Já a teoria Y parte da hipótese de que as pessoas são criativas e competentes e consideram que o trabalho é tão natural como a diversão ou o descanso. Assim sendo, sob condições correctas, desejam trabalhar e participar nas decisões gerais da empresa; daí ser fundamental proporcionar-lhes condições para o seu desenvolvimento pessoal. Existirão assim pessoas workallergics, workaholics e worklovers.

Mas qual será a diferença fundamental entre um workaholic e um worklover? Enquanto o primeiro, tal como o próprio nome nos sugere, é viciado em trabalho vendo nele, muitas vezes, uma forma de fugir aos problemas pessoais, o worklover é apaixonado pelo que faz trabalhando muitas horas sem perceber o tempo a passar.

Não vê no trabalho uma fuga, mas sim uma forma de realização tanto profissional como pessoal considerando que, para ter sucesso no trabalho que desempenha, a primeira coisa que deve fazer é apaixonar-se por ele. Claro que as empresas devem preocupar-se em ter pessoas apaixonadas pelo que fazem e devem diariamente motivá-las para não se tornarem alérgicas ao trabalho.

Infelizmente, em Portugal, dominam os workallergics, o que nos leva a concluir que muitas pessoas não procuram trabalho com medo de o encontrar, pois mais vale que ele chegue nunca do que tarde.

Cristela Bairrada
[email protected]
Associação Nacional de Jovens Formadores e Docentes (FORDOC)

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