Marcelo Rebelo de Sousa considerou hoje em Gouveia que é urgente repensar o ordenamento do território devido aos incêndios

O Presidente da República considerou hoje em Gouveia que é necessário repensar problema do ordenamento do território já em Setembro. “Esta é a ocasião, não é daqui a meses porque daqui a meses já ninguém se lembra de pensar no problema. Será importante articular Governo, municípios e proprietários”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa que se deslocou àquela cidade do Distrito da Guarda para participar numa cerimónia de homenagem a Vergílio Ferreira, escritor natural do concelho, e aproveitou para ver no terreno o resultado dos fogos que, por ali, destruíram mais de dois mil hectares de mato e floresta.

“Há terras abandonadas, terras que ninguém sabe de quem são, terras em partilhas”, salientou, acrescentando que seria importante o incentivo para que se trate das propriedades, bem como se resolva o facto de existir um “cadastro desactualizado” no que se refere a quem tem responsabilidades pelos terrenos. “É muito difícil haver quem seja responsável pela prevenção. Em áreas muito vastas, com a mesma temperatura e nalguns casos com vento, onde existe controlo e prevenção, não tem havido fogos. Em pequenas propriedades, zonas abandonadas onde o risco de falta de prevenção é maior, muitas vezes acontece e até próximo de populações”.

O presidente da República ouviu várias pessoas entre elas o presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo da Serra, Paulo Brás, que chamou a atenção para a desertificação do interior. “O que está a acontecer no interior é o abandono. Estamos a ver os campos abandonados e há quatro anos que temos fogos e não vemos nada no terreno a não ser o êxodo da população e o abandono da agricultura”. Sobre as suspeitas de mão criminosa limitou-se a sublinhar o que tinha acabado de ouvir. “O senhor presidente da Junta de Freguesia é que diz que à meia-noite e meia, por muito quente que esteja, não é uma hora normal para começo de um fogo”.

A seguir à cerimónia Marcelo Rebelo de Sousa seguiria directamente para a Madeira, mas antes considerou necessário encontrarem-se mecanismos para ajudar as pessoas que perderam os seus bens nas chamas. “Tem que ser feito um levantamento em ligação entre o Estado, municípios e freguesias para se montar um esquema de apoio no continente e no Funchal onde há um número elevado de desalojados e de pessoas que precisam de refazer a sua vida e ficaram sem casas”, frisou.

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