No âmbito de uma iniciativa desencadeada por um grupo de alunos sob o tema “Cidades Criativas”, Mário Alves e António Campos estiveram lado a lado a explicar as posições antagónicas que partilham para o desenvolvimento do concelho de Oliveira do Hospital.

Mário Alves e António Campos com olhares diferentes sobre “O Amanhã de Oliveira do Hospital”

Imagem vazia padrão

A qualidade de vida que Oliveira do Hospital oferece, acessibilidades, estacionamento, rede de transportes, entre outras, foram algumas das matérias com que um grupo de cinco jovens finalistas da Escola Secundária de Oliveira do Hospital confrontou um conjunto de “nomes de relevo” no auditório da Caixa de Crédito Agrícola de Oliveira do Hospital.

“O Amanhã de Oliveira do Hospital” foi o tema central que dominou os trabalhos, por estar em causa uma iniciativa no âmbito do projecto Cidades Criativas promovido pela Universidade de Aveiro. O resultado do estudo elaborado pela Universidade da Beira Interior e que coloca o concelho de Oliveira do Hospital à frente de outros concelhos em matéria de qualidade de vida marcou o início dos trabalhos, com o presidente do município a reiterar a sua posição contra “os excessos de linguagem de alguns políticos – nomeadamente em sede de Assembleia Municipal, como referiu – e jornalistas”. Mário Alves sublinhou contudo que “o estudo não satisfaz ninguém” porque “a Câmara e os oliveirenses ambicionam por melhores condições de vida”.

 

 

“Um concelho de risco”

Opinião diferente foi manifestada pelo ex-eurodeputado António Campos que considerou que “Oliveira do Hospital é um concelho de risco”, por se estar em face de “uma estrutura em grande mudança”. Defensor da sociedade de conhecimento com tendência global, o também fundador do Partido Socialista alertou para a necessidade de Oliveira do Hospital passar para o “capital intensivo” e se fazer valer das potencialidades que tem, como é o caso da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH) e da qual deve derivar – como referiu – um centro de investigação, uma incubadora e uma escola de empreendedores. “Todos temos que dar as mãos para que o politécnico se mantenha” reforçou António Campos. Um repto a que Pedro Pina, enquanto representante da ESTGOH, deu as boas vindas, mas não sem deixar de notar que a “a escola não é escola sozinha, tem que interagir com os actores concelhios”.

Ao mesmo tempo que se abordou a necessidade de melhores acessibilidades ao concelho como forma de potenciar o seu desenvolvimento, também foi colocada a ênfase na capacidade empreendedora dos oliveirenses. Para o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital importa o “fermento que existe em Oliveira do Hospital e que são as pessoas com capacidade empreendedora”. “As acessibilidades são importantes, queremo-las sim, mas até hoje não sei se a falta de acessibilidades terá pesado tanto assim no que respeita ao desenvolvimento do concelho”, considerou Mário Alves.

Em matéria dos futuros traçados dos IC6, 7 e 37, António Campos acusou a “nossa região por não ter solidez institucional, nem solidariedade”. Criticou o facto de no caso do IC37 a região não se entender sobre qual a melhor forma de ligar Viseu à Covilhã. Posicionou-se contra a solução que prevê a construção de túneis, por entender que só iria prejudicar o “lado de cá da Serra” e continuar a beneficiar o “lado de lá da Covilhã”.

“Rede de transportes é impensável”

A inexistência de uma rede de transportes públicos foi outro dos temas com que os alunos interpelaram o presidente do município. Mas, Mário Alves deitou por terra todas as ilusões sublinhando que tal “é impensável em Oliveira do Hospital”, por ser sinónimo de “um custo social de milhares e milhares de euros”. Indissociável desta matéria estava porém a questão da falta de estacionamentos na cidade e que o autarca encarou como “uma falácia”. “Todos queremos é levar os carros para a porta de entrada dos sítios onde vamos”, observou.

Inevitável foi também a apreciação sobre a política de Educação levada a cabo pela autarquia, nomeadamente no que respeita à recém aprovada Carta Educativa. “Discordo perfeita e totalmente da rede escolar”, confessou António Campos, assumindo-se como defensor da “concentração da rede escolar porque vai ser esse o futuro”. Uma posição com a qual Mário Alves discordou, deixando claro que a sua “luta” é a de “fazer com que as pessoas permaneçam nas aldeias e lá tenham a mesma qualidade de vida que têm na cidade”. “O que fazemos é manter o que temos e reconverter algumas situações”, explicou.

Na palestra que contou também com a colaboração do presidente da Junta de Freguesia de Lagares da Beira e presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária, Mário Alves revelou a intenção de a autarquia usar o edifício onde ainda permanece a ARCIAL para aí instalar o Arquivo Municipal, uma casa de queijo e até um restaurante e pequenas lojas comerciais. Referiu ainda que o financiamento para a Biblioteca Municipal já foi aprovado, mas só será disponibilizado em 2009, ano em que deverão ter início as obras.

Liliana Lopes

LEIA TAMBÉM

CDU reclama transporte público até Ervedal da Beira e acusa Câmara de se esquecer de obras importantes

Os elementos da CDU representados na União das Freguesias de Ervedal da Beira e Vila Franca …

Tábua inaugurou posto de carregamento de veículos eléctricos

A Câmara Municipal de Tábua inaugurou hoje o Posto de Carregamento de Veículos Eléctricos. O …