Máscaras tradicionais de cortiça em exposição em Oliveira do Hospital

O município de Oliveira do Hospital, em parceria com a Lousitânea – Liga de Amigos da Serra da Lousã, apresenta na Casa da Cultura César Oliveira, até ao dia 23 de fevereiro, uma exposição etnográfica sobre máscaras tradicionais em cortiça da serra da Lousã.

“Com esta exposição pretendemos celebrar o entrudo tradicional serrano, realizado nas aldeias, fazendo uso das máscaras tradicionais, roupas e adornos usados pelos foliões”, refere nota da autarquia.

Nas aldeias serranas, o entrudo vivia-se de forma simples. A utilização de roupa e objetos velhos e algo que ocultasse o rosto, bastava para se brincar. Destas brincadeiras, faziam parte as “corridas” às aldeias vizinhas, onde tudo era permitido, nomeadamente a declamação de quadras jocosas sobre esses habitantes, registadas durante o ano anterior.

No concelho de Oliveira do Hospital, encontra-se nas “deixas” populares de Lagares da Beira o equivalente a estas quadras populares. As máscaras expostas têm como matéria-prima para a sua produção a cortiça, extraída dos sobreiros ou aproveitada de velhos cortiços de abelhas.

Representam figuras faciais medonhas e diabólicas. Muitas delas são adornadas por elementos endógenos como cornos de cabras, barba de milho, lã de ovelha, dentes de javali e ainda algumas pinturas discretas. Os lenços, xailes ou farrapos velhos eram igualmente utilizados, uma vez que a face teria que estar completamente oculta.

Durante muitos anos, somente homens e rapazes participavam nestas folias, como acontece, aliás, noutros entrudos tradicionais, nomeadamente na região transmontana. No entanto, com o despovoar das aldeias serranas, a tradição viu entrar as mulheres e raparigas nas “corridas” às aldeias. Está assim garantida a preservação e continuidade desta tradição serrana. As roupas antigas, guardadas em arcas e armários, são assim aproveitadas para esta ocasião. Os homens vestem-se, geralmente, de mulheres e as mulheres, de homens. Ainda como forma de não serem notados (se é um homem ou uma mulher), os foliões faziam enchimentos dentro das roupas, de modo a que a figura do corpo se deformasse.

Chocalhos, campainhas, bengalas, cajados, um velho guarda-chuva, instrumentos desafinados, grandes e velhos funis de metal, dos lagares e adegas, serviam de adornos aos foliões para que a festa fosse completa. Afinal, trata-se também de celebrar o absurdo.

São oriundas desta tradição as máscaras desta exposição. O “Entrudo nas Aldeias do Xisto de Góis”, que no dia 2 de março apresenta a sua 8ª edição, na aldeia de Aigra Nova, é o ponto de encontro da memória e do genuíno entrudo serrano.

Pareceu assim ao Município de Oliveira do Hospital oportuna a realização desta exposição. “Mais uma vez, procuramos parcerias com outras entidades, unidos que estamos com muitas das identidades culturais dos concelhos vizinhos. Deixemo-nos, pois, contaminar por um passado recriado, vivido intensamente agora, como outrora”, refere o município que, no âmbito do tema desta exposição, destaca a realização de uma oficina de construção de máscaras tradicionais em cortiça, pelo artesão goiense José Cerdeira (em data a anunciar oportunamente) e a celebração do carnaval no concelho de Oliveira do Hospital, nomeadamente através dos desfiles do Agrupamento de Escolas, dia 28 de fevereiro, a partir das 10h00, em Nogueira do Cravo, no dia 02 de março, a partir das 15h00 e em Lagares da Beira, no dia 04 de março, a partir das 14h00.

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