Maus cheiros de ETAR de Meruge deixam populares à beira de um ataque de nervos (Com vídeo)

Objeto de notícia pelo atraso na sua conclusão, a ETAR de Meruge surge agora associada aos cheiros nauseabundos que tomam conta das imediações e que estão a deixar os populares à beira de um ataque de nervos.

Depois de um arranque experimental ocorrido no início do mês de julho, a ETAR de Meruge, localizada em Nogueirinha, não está a funcionar, encontrando-se as lamas depositadas no coletor a originar cheiros nauseabundos e difíceis de suportar pelo populares que residem nas imediações. Um ar praticamente irrespirável e que o correiodabeiraserra.com teve oportunidade de comprovar há instantes numa visita àquela infra estrturura, onde não há sinais de funcionamento e são apenas visíveis as lamas e vestígios de descargas de águas não tratadas na ribeira destinada a receber os efluentes tratados.

Uma situação que “não é de hoje, nem de ontem” e já dura há pelo menos três semanas estando a provocar enorme rebuliço entre os populares residentes nas proximidades que, em pleno verão, se vêem privados do simples gesto de abrir uma janela, ou de sequer apanhar o ar fresco da noite.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA“O cheiro é insuportável e nauseabundo”, comentou há instantes Miguel Ângelo Pais que considera inadmissível a demora na resolução de um problema que já se arrasta há tempo demasiado e com prejuízos em matéria de saúde pública. De acordo com aquele popular, a situação dos maus cheiros é constante não havendo condições para que se abra uma janela. Pai de dois filhos, Miguel Ângelo já se vê até privado dos passeios de bicicleta que ao cair do dia fazia com as crianças, para além de também recear que a situação possa vir a afetar o negócio familiar de bens alimentares que tem a funcionar no piso inferior da casa que habita. “Os fornecedores perguntam a origem dos maus cheios e eu não sei explicar porque é que isto está a acontecer”, comentou ainda o morador, esclarecendo não ser contra as ETARS, mas exigindo que sejam dadas condições àquelas infra estruturas para que funcionem bem.

Vizinha da ETAR, Maria Rosa Costa já fala daquele equipamento como se de uma “perfumaria” se tratasse. “O mau cheiro é de manhã até à noite e dá-me vómitos”, contou a moradora, que se queixa do agravamento do seu estado de saúde desde que a situação começou. “E quem não tem complicações arranja-as com estes maus cheiros”, continuou Maria Rosa Costa que de caras com “um mau vizinho” apela à resolução urgente daquele atentado à saúde pública. “Desejo para mim e para os meus vizinhos que isto seja retirado daqui”, sustentou ainda a popular que, em ato de desespero, já admite “pegar numa marreta e rebentar com isto”. “Dou prazo de um mês”, avisou.

A par das queixas dos maus cheiros, surge também o descontentamento dos proprietários dos terrenos onde foi construída a ETAR que, a esta altura, dizem ainda não ter sido efetuada escritura pública. “É de lamentar que ainda não tenha sido encerrado o processo com os proprietários”, afirmou Teresa Prata denunciando também o “uso abusivo dos terrenos adjacentes”.

“Não é desligando as máquinas que se resolvem os problemas”

Confrontado com as queixas dos populares, o presidente da Junta de Freguesia de Meruge – confessou ter sido tomado de surpresa com a situação nos últimos dias – associou os maus cheiros à interrupção do funcionamento da ETAR que, após um período experimental, deixou de assegurar o tratamento das águas residuais. Uma situação que, segundo Aníbal Correia, a Águas do Zêzere e Côa justificou com a entrada no coletor de efluentes de características industriais verificada no dia 3 de julho. “Pura e simplesmente pararam a ETAR e enviaram ofício à Câmara a informar”, contou há instantes o autarca que, a esta altura, garante já ter garantias de que não se voltarão a repetir as descargas industriais, pelo que espera que a breve trecho a AZC venha ao terreno e coloque a ETAR a funcionar.

“Sem batedores, nem o arejamento da ETAR a funcionar”, Aníbal Correia não estranha a intensidade dos maus cheiros. Uma situação que não agrada o autarca, que não vê com bons olhos que, perante um problema, a solução seja parar a ETAR. “Têm por obrigação tratar os efluentes”, entende Aníbal Correia, que está certo de que “não é desligando as máquinas que se resolvem os problemas. “Pelo contrário, penso que só os agravam”, concluiu.

O problema sinalizado na ETAR de Meruge não é caso único no concelho de Oliveira do Hospital. Em reunião da última Assembleia Municipal, o presidente da Câmara aludiu a um conjunto de problemas espalhados por todo o concelho, chegando mesmo a equacionar recorrer à via judicial para pedir responsabilidades à AZC.

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  • Miguel Ângelo Pais

    Mais um dia com cheiros nauseabundos. (24-07-2013).

  • Guerra Junqueiro

    Sr. Miguel;

    O Mário Alves é que era mau.
    Agora é só flores

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • Miguel Ângelo Pais

    Sr. Junqueiro.
    O que fiz foi por iniciativa própria, pois a minha habitação fica a 100 metros da ETAR e sinto-me lesado.
    Não é minha postura vir para a praça publica dizer mal das pessoas, cada um é como cada qual, cada um tem que responder pelos seus atos, eu repondo pelos meus.
    Em relação ao Sr. Mário Alves, tem os seus defeitos como virtudes, como todos nós temos.
    Se era bom ou mau quem sou eu para julga-lo.
    Quando passar pelo centro comercial areias terei muito gosto em recebe-lo; “GABINETE MASP-ARQUITECTURA”
    Cumprimentos,
    Miguel Ângelo Pais

  • Sebastião Pereira

    Só tenho uma pergunta a fazer:

    – Se este cheiro nauseabundo tivesse origem numa ETAR perto do recinto da feira a 2 ou 3 dias da Festa do Queijo ou perto do Parque do Mandanelho também a 2 ou 3 dias de mais uma EXPOH, quanto tempo demoraria a câmara a resolver o problema?

  • Miguel Ângelo Pais

    Dia 25; 26 e 27 de Julho, continuam os cheiros nauseabundos.