Médicos operam mais depressa quando recebem incentivos financeiros

O sistema de incentivos para a recuperação de listas de espera em cirurgia, que implica trabalhar fora do horário normal de trabalho, aumenta “significativamente” a produtividade dos profissionais de saúde, revela um estudo que vai ser apresentado hoje na 13.ª Conferência Nacional de Economia da Saúde, na Universidade do Minho, em Braga.

Álvaro Almeida, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, e o enfermeiro com mestrado em gestão Porfírio Santos quantificam em “cerca de 35%” o ganho de produtividade conseguido com a produção adicional em cirurgia.

Os resultados são inequívocos: uma cirurgia típica demorou “83 minutos”, quando realizada em produção adicional (fora do horário habitual de trabalho e paga à parte), enquanto uma intervenção cirúrgica idêntica, realizada em produção normal, demorou “126 minutos”. Menos 43 minutos, portanto. Os autores do estudo analisaram as intervenções cirúrgicas efectuadas em 2010 num hospital (não identificado) nas especialidades com actividade em produção cirúrgica adicional “significativa e regular” (urologia, cirurgia geral e ortopedia).

As cirurgias adicionais foram realizadas no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos em Cirurgia (SIGIC), que regula as listas de espera no Serviço Nacional de Saúde. E este trabalho é remunerado à parte. Por trabalharem na recuperação de listas de espera (o que no hospital estudado implicava não operar às sextas-feiras à tarde e aos sábados de manhã) as equipas cirúrgicas recebem 45% do valor pago à unidade de saúde. Mais de metade (50,7%) deste valor reverte para o cirurgião principal e para o ajudante, enquanto o anestesista recebe 23,4%, exactamente a mesma percentagem que toda a equipa de enfermagem, ficando o assistente operacional com 2,5%.

Mas os incentivos financeiros não são a única explicação para a maior rapidez com que as cirurgias são efectuadas na produção adicional. Como “explicações prováveis” para o aumento de produtividade, os autores do estudo destacam o ritmo de trabalho mais intensivo, “devido ao grande interesse dos profissionais em executarem o plano operatório o mais rapidamente possível”, mas também o facto de a equipa cirúrgica estar disponível para “alterar a sua forma tradicional de organização dos processos de trabalho, através da utilização de uma segunda sala operatória (que não é utilizada na produção cirúrgica normal)”.

Referem ainda que o aumento da produtividade na produção cirúrgica adicional “é conseguido em todas as fases do processo”, não só a da cirurgia propriamente dita, mas também no tempo de recepção do doente e no tempo de preparação anestésica, e que se verifica em todo o tipo de intervenções cirúrgicas.

A metodologia utilizada neste trabalho permitiu identificar cirurgias idênticas, uma vez que foram eliminadas à partida as eventuais diferenças nos tempos que pudessem resultar de diferenças no estado de saúde do doente ou na sua idade ou sexo, do tipo de intervenção cirúrgica, da utilização de internos, do número de cirurgiões e dos procedimentos anestésicos.

publico.pt

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