Menos 40 mil ovelhas na região demarcada da Serra da Estrela

A Ancose, com sede em Oliveira do Hospital, está preocupada com a redução do número de ovinos na região demarcada da Serra da Estrela. O efetivo passou, nos últimos cinco anos, de 120 mil para 80 mil em toda a região.

Em vésperas de mais uma edição da Festa do Queijo Serra da Estrela de Oliveira do Hospital, a Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela (Ancose), com sede neste concelho, não poderia estar mais preocupada. O número de ovelhas raça bordaleira e churra mondegueira tem vindo a reduzir, assistindo-se no período de apenas cinco anos, a uma redução na ordem das 40 mil cabeças. “ Tínhamos 120 mil e agora contamos com cerca de 80 mil”, referiu ao correiodabeiraserra.com o presidente da Ancose que, ao mesmo tempo alertou para os perigos que daí decorrem, em particular a extinção de rebanhos e a consequente redução de leite produzido.

“Sempre me ensinaram que 5,5 litros de leite faz um quilo de queijo. Sabemos a produção de leite e sabemos que não é suficiente para a quantidade de queijo que é produzida”

manuelmarques

A Ancose conta, no presente, com um total de cinco mil associados. Um número que “estabilizou” mas que não tem correspondência direta com a manutenção da dimensão dos rebanhos, que são cada vez menores. Menos ovelhas Serra da Estrela é sinónimo de menos leite produzido, colocando assim em risco a produção do Queijo Serra da Estrela, cujo processo exige a utilização exclusiva de leite de ovinos Serra da Estrela. Este é também motivo de preocupação acrescida para o presidente da Ancose que em face de uma menor produção de leite, estranha a quantidade de queijo que é produzida. “Sempre me ensinaram que 5,5 litros de leite faz um quilo de queijo. Sabemos a produção de leite e sabemos que não é suficiente para a quantidade de queijo que é produzida”, sentenciou o responsável, aludindo à indevida utilização de leite de fora na produção do Queijo Serra da Estrela. Uma prática que Manuel Marques condena de forma veemente e que espera combater a curto prazo. “Tem que se pôr cobro a isso”, continuou o presidente da Ancose que garante saber de “onde vem o leite” e que espera apenas conseguir as provas necessárias para “agilizar métodos para que isso não se continue a verificar”.

Esta é uma preocupação que Manuel Marques já fez chegar ao governo, com quem espera reunir na próxima semana. Em cima da mesa estará um conjunto de medidas protecionistas dos produtores, entre as quais o aumento do preço do leite, que se mantém inalterado desde há quase duas décadas. “Se não fosse o leite que vem de Espanha, o nosso leite seria bem pago”, refere Manuel Marques que, no conjunto, garante estar a trabalhar por um pacote de medidas que protejam os produtores e que estimule o aparecimento de novos produtores, porque “a agricultura, apesar de difícil, é das coisas mais rentáveis”.

Defender e criar melhores condições aos seus associados é neste momento o maior propósito da Ancose que dá como ultrapassada uma fase menos positiva da Associação. “Temos alguma vontade de sorrir. É a primeira vez que a Ancose tem os vencimentos em dia”, referiu Manuel Marques, satisfeito por em pouco mais de dois anos, a associação ter conseguido reduzir o passivo de quase 400 mil euros. “ O governo tem colaborado, tem pago o que não pagava e temos as contas mais ou menos saldadas”, sublinhou.

“Financeiramente estabilizada”, a Ancose tem na calha projetos que Manuel Marques prefere para já não divulgar, mas que “serão muito favoráveis à Ancose, aos seus associados e à região”. Com rebanho próprio, a Associação que se dedica ao melhoramento da ovelha Serra da Estrela e é responsável pelo programa de sanidade animal, acaba de melhorar as condições da sua queijaria/ oficina, num investimento de cerca de 35 mil Euros. Em curso tem também o processo de licenciamento do centro de testagem para efeito de inseminação artificial, com o objetivo de “apurar ainda mais a raça Serra da Estrela”.

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