Milhares de alunos sabem hoje se fazem ou não exame

Cerca de 75.000 alunos só hoje ficam a saber se podem ou não fazer os exames de Português e de Latim, uma vez que nem o Governo alterou a data das provas, nem os sindicatos desconvocaram a greve.
A época oficial de exames de Ensino Secundário começa hoje com o grande exame de Português, para o qual estão inscritos 74.407 alunos, realizando-se também provas de Latim (108 inscritos) e de Português Língua Não Materna (para imigrantes), com 136 alunos.
Os professores, que começaram por fazer uma greve ao serviço de avaliações, decidiram agendar uma paralisação geral para hoje para contestar o regime de requalificação profissional e a mobilidade geográfica proposta pelo Governo, bem como o aumento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais.
Os sindicatos temem o despedimento de professores do quadro e a dispensa de contratados, em larga escala.
A mobilidade geográfica implica também aumentar a distância da residência a que os docentes podem ficar colocados.
Desde o ano passado que a primeira fase de exames tem caráter obrigatório, ficando uma segunda fase reservada apenas para situações excecionais.
Face à ausência de acordo entre Governo e sindicatos, um colégio arbitral decidiu pela não realização de serviços mínimos.
O Ministério da Educação ainda recorreu da decisão, mas não obteve resposta em tempo útil.
A greve aos exames sucede-se a uma manifestação, realizada sábado em Lisboa, na qual participaram, segundo os sindicatos, 50 mil professores de todo o país.

Lusa/SOL

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  • Oliveirense

    Professores e alunos lado a lado contra aqueles que:

    · Pouco a pouco estão a acabar com a escola pública;
    · Querem que os alunos façam exames para daqui a uns anos os mandar emigrar;
    · Estão a destruir o emprego;
    ·Criaram fusões de escolas com enormes penalizações para pais, alunos e para as localidades periféricas;
    ·Gostam de denegrir a imagem dos alunos portugueses, apesar de apresentarem resultados francamente positivos em provas e estudos internacionais;
    · Mudam os programas escolares apenas por birras/convicções pessoais, onerando os pais com a aquisição de novos manuais escolares e criando enorme confusão em alunos e professores;
    · Promovem o encerramento das empresas;
    · Dizem que não iriam subir os impostos e depois acabam por fazê-lo;
    · Falham todas as previsões e espremem cada vez mais os contribuintes;
    · Nomearam mais de 4000 boys para funções na administração central;

  • Guerra Junqueiro

    Da greve dos professores

    Só uma classe que recusou, como ultraje, a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional – isto é, uma classe de medíocres reivindicam o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes – é que se pode permitir a irresponsabilidade e a leviandade de decretar uma greve aos exames nacionais. Nisso são os professores exemplares: transmitem aos alunos o seu próprio exemplo, o exemplo de quem acha que os exames, as avaliações são um incómodo para a paz de um sistema assente na desresponsabilização, na nivelação de todos por baixo, na ausência de estímulo ao mérito e esforço individual.
    Mas a greve dos professores vai muito para lá deles: reflecte o estado de espírito de uma parte do País que não entendeu ou não quer entender o que lhe aconteceu. Deixem-me, então recordar: Portugal faliu. O Portugal das baixas psicológicas, dos direitos adquiridos para sempre, das falcatruas fiscais, das reformas antecipadas, dos subsídios para tudo e mais alguma coisa, dos salários iguais para os que trabalham e os que preguiçam, faliu. Faliu: não é mais sustentável. (…) Se alguém conhece uma alternativa mágica em que se possa ter professores sem crianças, auto-estradas sem carros, reformas sem dinheiro para as pagar, acumulando dívida a 6,7 ou 8% de juros para a geração seguinte pagar, que o diga.

    Miguel Sousa tavares, Expresso 15 Junho 2013