Movimentos migratórios são positivos se forem bem geridos. Autora: Marta Bronzin.

Assistimos nestes dias a manifestações que juntam espontaneamente dezenas de milhares de pessoas na Europa em apoio ao acolhimento de refugiados, numa demonstração que é ao mesmo tempo de solidariedade para com estas pessoas e de frustração pela incapacidade dos seus Governos darem uma resposta à altura das circunstâncias.

A crise migratória no Mediterrâneo não é uma situação isolada. Acresce que o número de migrantes atingiu máximos históricos – uma em cada sete pessoas no mundo é um migrante hoje em dia. 60 milhões de pessoas estão a ser deslocadas e procuram refugio em várias partes do mundo devido a múltiplas crises humanitárias, a  instabilidade política e situações de perseguição. Estes factores obrigam-nas a saírem das suas casas em busca de segurança e melhores condições de vida, gerando forte pressão migratória sobre os países de trânsito e de acolhimento. O desespero e a falta de canais legais alimentam a migração irregular, agravando os riscos ao longo das rotas migratórias e favorecendo o mercado dos traficantes.

Também confrontada com esta realidade, a União Europeia não tem conseguido encontrar um consenso político para receber e gerir os fluxos de pessoas que chegam às suas portas. Estas são consideradas como um peso ou até como uma ameaça. Há muito tempo que se assiste a uma instrumentalização política do tema das migrações. Ao mesmo tempo opta-se por soluções securitárias e de contenção que dificilmente serão eficazes e sustentáveis.

A Europa enfrenta também outra realidade com a qual tem que lidar. Está a envelhecer, e a população em idade activa está destinada a perder 7.5 milhões pessoas até 2020, de acordo com os dados da OCDE, com um consequente desencontro entre necessidades laborais e competências e qualificações disponíveis. Estas projeções pioram se excluirmos os migrantes deste cenário.

Então o que está a faltar ou a falhar neste momento? Falta olhar para além da dimensão humanitária e das respostas de curto prazo. Falta reconhecer que a mobilidade humana nas suas várias formas e causas sempre existiu e continuará a existir. Falta uma visão objectiva e uma reflexão honesta sobre as nossas necessidades e o contributo que as migrações, se bem geridas, podem dar às sociedades e às economias dos países de acolhimento.

Apesar dos imigrantes não poderem por si só resolver os problemas demográficos e as assimetrias do mercado de trabalho, deverão fazer parte da solução. Em determinados países da Europa, inteiros sectores da económica como a saúde, as tecnologias, o trabalho doméstico, dependem de mão de obra estrangeira mais ou menos qualificada para o seu funcionamento. Quem procura os nossos países pode dar um contributo importante para a economia e o sistema de protecção social. Mas isso não acontecerá se não houver políticas transparentes e realistas que conduzam à criação de canais legais e seguros de migração, ao respeito dos direitos humanos básicos dos migrantes, num espírito de responsabilidade partilhada entre países de origem, trânsito e destino.

Na nova Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adoptada pelas Nações Unidas no fim deste setembro, as migrações finalmente ocupam o lugar que merecem enquanto fator incontornável para um desenvolvimento global inclusivo. Fica só reconhecer que as migrações são relevantes para a prosperidade e o crescimento de todos os países, tanto do Sul como do Norte do mundo.

Autora: Marta Bronzin

Chefe de missão em PortugMarta Bronzinal da OIM – Organização Internacional das Migrações

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  • outono

    mais uma inteligencia !!!!!!!!!

    Isto é que está uma açorda tão mediocre que termina a la palisssse o pretenso artigo

    “Fica só reconhecer que as migrações são relevantes para a prosperidade e o crescimento de todos os países, tanto do Sul como do Norte do mundo.”

    Mulherzinha , não seria melhor estudar antes de tanta ligeireza!
    Que tristeza

  • Ave de arribação

    Com o devido respeito…
    Está claro que esta “designação” de migração, relativa a pessoas, é , exma senhora, uma das maiores “aldabrices” montadas para justificar um dos maiores crimes da segunda década do séc. XXI: “as guerras”, guerrilhas, a venda de armas – barcos pneumáticos e coletes salva-vidas! – negócios de petróleo..etc, etc…
    UMA VERGONHA:
    – Uma civilização, adiantada, jamais confundiria – e só assim foi escolhida por necessidade ideológica! (e de desresponsabilização pelos crimes cometidos) animais com pessoas!
    Poderão chamar-me de “bota de elástico”: essa de migração de pessoas merece, a todos os títulos, a maior das condenações cívicas, com base na Carta dos Direitos do Homem.
    …E recordarmos, porque não, que o verdadeiro “berço” da espécie humana foi, de facto África?
    Onde é que está, afinal, esse verdadeiro ADN de toda a trafulhice geopolítica que considera homens, mulheres e crianças como “migrantes”?
    – No negócio!

  • Crime

    Irresponsáveis , criminosos, criadores de bestas!- o negócio continua rentável!
    Então, prezada senhora, e hoje, dia 3 de Outubro de 2015, nada tem a acrescentar ao seu “fluido” artigo?
    Depois de as “forças ” da NATO terem bombardeado os “cartéis” da “coisa islâmica”, por engano, terem acertado num hospital dos MÉDICOS SEM FRONTEIRAS, de facto? Não lhe apetece escrever um outro artigo sobre o tema?
    – Não me venha com a argúcia, “bisbilhoteira”, DA HISTÓRIA ACTUAL, de quem escreve com as “costas quentes”…:
    -” O pentágono já recomendou ao hexágono para perguntar ao quadrado o que é que o triângulo, depois de ter consultado o heptágono, o octógono, o eneágono , e até o decágono…e o putinágono, imagine! – recorda-se que ontem, o seu amigo obamágono, malhou forte e feio, no putinágono, porque os russos se tinham enganado nuns “simples” bombardeamentos?
    Então, prezada senhora, continua na mesma?
    Francamente…
    “Migrantes”?
    -Não!
    VÍTIMAS DE CRIMES CONTRA A HUMANIDADE!
    Já muitos responsáveis, por crimes de tal tipo, foram condenados à morte.
    OS VERDADEIROS RESPONSÁVEIS POR ESTES – e com opinadores como a senhora, a ajudar – JAMAIS O SERÃO.

    • António Lopes

      Os Russos não se enganaram.Para os Russos “terrorista é terrorista”. Para os americanos são todos os que não cumprirem as ordens deles.Se as cumprirem, passam de terroristas a “combatentes da liberdade”..! Ora os que andam a combater o governo legítimo da Síria, para os Russos, são todos terroristas.Sejam do ISIS ou sejam fantoches dos Americanos.E porque os Russos o são, mas não são parvos, deram preferência aos “combatentes da liberdade” da CIA.A seguir, eles mais o exército regular da Síria, logo tomam conta do ISIS, por acaso, só por acaso, também armado s pelos Americanos? Porque morreram Sá Carneiro e Amaro da Costa..? Não tem que ver..? Olha se tem..!!!