Mude-se o nome para tinhosos nojentos

Mude-se o nome para tinhosos nojentos

Os casos relacionados com a estirpe dos tinhosos têm aumentado ultimamente na nossa região, o que me tem deixado indignado e, por que não dizê-lo, enojado. A estes vermes, que têm proliferado desde tempo imemoriais, o politicamente correto estipulou que deveriam ser apelidados de pedófilos. Palavra frágil, desarranjada. Pedófilo, que vem do grego, significa “amigo das crianças” (paidós “criança”; philia “amigo; querido”). Não preciso escrever mais nada… Pederasta tem surgido ocasionalmente para designar estes hediondos parasitas, no entanto uma palavra que tem como origem paidós e erastes “que ama apaixonadamente” deveria deixar-nos anojados. Quanto à palavra “predador” que tem surgido igualmente para classificar estas abjetas bestas não deveria ser utilizada por respeito aos animais e à hierarquia da mãe natureza. Na minha singela opinião, uma simples palavra não chega para definir todos os bandalhos que sentem qualquer tipo de atração sexual patológica por crianças e menores. Seriam necessárias duas palavras. Duas palavras objetivas. Tinhosos nojentos seria o termo mais adequado para quem tem excremento a correr nas veias. Tinhosos nojentos, a qualificação certa para uma estirpe que não presta.
Por vezes, fico a pensar sobre a imperfeição da mãe natureza que permite a simples existência de tais estólidos vermes. Custa-me saber que no nosso quotidiano poderemos estar a falar com um deles. Não é apenas o Senhor Televisão que aparece no ecrã das imagens vomitadas. Poderá ser aquele gajo cinco estrelas que é amigo do seu amigo e que paga umas bejecas ao people. Poderá ser aquele velhinho inofensivo com olhos de fome. Poderá ser aquele senhor professor; aquele senhor doutor; aquele senhor desempregado; aquele senhor engenheiro; aquele senhor advogado; aquele senhor juiz; aquele senhor padre; aquele senhor comerciante; aquele senhor pedreiro; aquele senhor monitor; aquele senhor polícia; aquele senhor pastor; aquele que se diz pai; aquele que se diz tio; aquele… aquele…
Estes asquerosos vermes que se propagam dissimulada e silenciosamente, como tetérrimas térmitas, são difíceis de identificar porque trazem no olhar o enxofre da invisibilidade. Todavia, alguma da escumalha tem sido identificada e detida na maioria das vezes. A justiça aplica o que tem de aplicar, embora considere que a moldura penal esteja totalmente desajustada. Para aqueles que foram condenados e identificados, uma única sentença, defendida há muito pela minha mãe e certamente pela mãe de muitos “Por mim, capavam-se todos”. Se a capação exterminaria grande parte dos tinhosos, não o sabemos, mas que não seria a mesma coisa decerto não seria.

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico.

Sobre o autor:

Alexandre Luís (Custom)Alexandre Luís
Foi professor e formador de Português/Francês durante vários anos, até que a famigerada crise o convidou a outros voos. Ultimamente tem-se dedicado à escrita e à fotografia, tendo previsto, num futuro próximo, a edição de um livro de contos e de um romance.

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  • Guerra Junqueiro

    Excelente texto.
    Parabéns Alexandre Luís, é um prazer lê-lo. Continue.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • PereiraP

    Parabéns.
    As suas palavras traduzem o sentir de muitos…
    Pena é que a nossa justiça não traduza em justas sentenças este sentir.

  • A. Almeida

    Parabéns.
    Há que capar esses tinhosos nojentos.

    A. Almeida