Na berma da estrada

Oliveira do Hospital relaciona-se mal com as freguesias que estão na sua periferia, e tarda em ganhar dimensão.

 

Oliveira do Hospital teima em não alargar o seu perímetro urbano, mantendo-se distanciada de alguns núcleos urbanos que, apesar de estarem a cinco ou dez minutos da sede do concelho – como S. Paio de Gramaços, Bobadela e Travanca de Lagos, por exemplo –, parece que ficam nos confins da cidade.

Face à inexistência de uma cultura de urbanismo, que se fosse bem desenhada e articulada, poderia transformar Oliveira numa cidade de média dimensão, o poder político local tem mantido a cidade enquistada e vem asfixiando o seu crescimento sustentado para a periferia.

Apesar do aparecimento de novas urbanizações e de espaços habitacionais nas chamadas zonas de crescimento de determinadas freguesias, a cidade só se liga a este potencial território urbano por via do alcatrão.

Um munícipe que queira ir a pé da cidade até ao Pinheiro dos Abraços ou à Bobadela, por exemplo, tem que fazer mais de 90 por cento do percurso sem um único passeio público e em situação de risco acrescido.

Presidente da Câmara: um peão com riscos acrescidos

 Se optar por deixar o carro na garagem para fazer 5 minutos a pé em direcção ao seu local de trabalho – o edifício dos paços do município –, até o próprio presidente da câmara põe em risco a sua integridade física. Pois, se quiser passar da condição de automobilista à de peão – conforme demonstra a imagem –, o autarca, que habita uma moradia numa zona com alguma densidade populacional, tem forçosamente que correr riscos de acidente porque grande parte do percurso é, praticamente, feito em cima da faixa de rodagem, e onde um ligeiro e um pesado têm dificuldade em se cruzar.

Mas a forma como Oliveira do Hospital se relaciona com as freguesias que lhe são periféricas, e que concentram alguns milhares de habitantes, está sempre patente em quaisquer que sejam as saídas ou entradas da cidade.

Na chamada variante Nordeste (na imagem), recentemente construída, a falta de visão de futuro é confrangedora. A via, localizada na cintura urbana, não tem um único passeio pedonal e nem sequer um lugar de estacionamento. Porém, nas imediações estão um estádio de futebol e vários aglomerados habitacionais.

Construir uma cidade sustentável não é tarefa fácil, mas é um imperativo que cada vez mais se exige. As acessibilidades urbanas dos cidadãos, que têm na cidade uma espécie de segunda casa de várias assoalhadas, são um dos principais pilares da qualidade de vida em espaço público.

Não é, porém, isso que acontece em Oliveira do Hospital, onde se privilegia o automóvel em detrimento do peão. E há peões com necessidades especiais, a quem deve ser facilitada a circulação e a eliminação de barreiras arquitectónicas. As cidades têm idosos, cegos, cadeiras de rodas e carrinhos de bebé. E esses, dificilmente, conseguem ter mobilidade numa urbe tão mal desenhada.

Mas esta falta de cultura urbana, está também patente em muitas freguesias, em que nas proximidades de lares de idosos, creches e outros equipamentos públicos, não só não existem passeios como passadeiras. Anda tudo a monte… na berma da estrada.

Henrique Barreto

 

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