“Na Câmara Municipal, encharcarei a minha camisola de suor…”

Dirigindo-se à multidão que o aplaudia com um discurso de combate “ao clima de medo”, o presidente eleito da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, saudou as listas concorrentes – “respeitámos sempre as outras candidaturas”, sublinhou – e elogiou a capacidade de “homens e mulheres” que deixaram de lado o “medo”.

E aos que por ele clamavam efusivamente deixou a garantia: “o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital vai tratar todos por igual, independentemente da cor política”.

Porque acredita que a construção de um concelho melhor depende da opinião de cada um, Alexandrino apelou esta noite à crítica dos oliveirenses para que o ajudem “a ser um grande presidente de câmara”.

No primeiro discurso na condição de presidente eleito pelo Partido Socialista, Alexandrino voltou a fazer eco das suas preocupações, em torno da fixação de jovens no concelho, e reiterou a sua vontade de potenciar a criação de emprego em Oliveira do Hospital.

“Prometo que na Câmara Municipal encharcarei a minha camisola de suor para alcançar grandes desígnios para Oliveira do Hospital”, garantiu, mostrando-se também apostado em manter um bom relacionamento com os oliveirenses.

Em face de uma situação de maioria relativa, José Carlos Alexandrino diz que a sua equipa tem condições para viabilizar o projecto e não coloca de lado a possibilidade de conversações “com algumas forças políticas que “também querem o melhor para o concelho”.

“Acredito muito que a lista de Mendes estará disponível porque não são os interesses partidários que estão em causa, mas os de Oliveira do Hospital”, referiu o presidente eleito que, depois de ter tido a oportunidade de falar com José Sócrates ao telefone, foi pessoalmente à sede da candidatura independente para cumprimentar José Carlos Mendes.

 

“Comigo na câmara não vai haver qualquer tipo de trapalhada”

Sem deixar de cumprimentar os vencedores socialistas, o candidato derrotado do PSD denunciou aquilo que foi “uma campanha que não foi limpa e não foi justa”.

“Foi uma campanha de muita intriga e muita intoxicação”, lamentou o ainda presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que, apesar de não renovar o lugar à frente dos destinos camarários disse estar de “consciência tranquila” porque o PS vai encontrar a Câmara “melhor” do que quando o próprio a encontrou em 1993.

“Herdámos uma dívida monumental deixada pelo PS. Quem vai entrar, vai encontrar uma situação financeira muito melhor”, sublinhou.

Embora arredado da presidência da Câmara, Mário Alves deixou hoje bem claro que não vai abandonar a política, pretendendo exercer o lugar de vereador, juntamente com o seu par. E avisou: “estarei a tento a tudo o que se vai passar. Comigo na câmara não vai haver qualquer tipo de trapalhada”.

Serviu ainda o recado para o candidato derrotado se referir ao PSD de Oliveira do Hospital e deixar no ar a possibilidade de ele próprio “arranjar uma alternativa para o PSD que, aqui no concelho, atingiu o nível mais baixo que podia ter atingido nos últimos tempos”. Partilhando as culpas da derrota com os rostos do PSD de Oliveira do Hospital, Mário Alves considerou que “aquela gente se deve demitir”.

“Espero que apresentem a sua demissão, porque não são dignos de ocupar aquele lugar”, frisou Mário Alves alargando a crítica ao anterior líder do PSD que acusou de ter organizado uma candidatura independente sob o tecto do partido e de só depois de se ter demitido.

A José carlos Mendes chegou a atribuir a responsabilidade maior da sua derrota já que “o PS subiu ligeiramente em relação a 2005”. No futuro executivo, o ainda presidente conta fazer “oposição séria e não defender os interesses dos capitalistas”.

 

“Está fora de hipótese uma coligação”

Considerando, apesar da derrota, que os “resultados são de mudança”, o candidato do projecto independente “Oliveira do Hospital Sempre” lamentou não ter conseguido obter um resultado que lhe permitisse aplicar o próprio projecto.

“É lógico que não tínhamos uma máquina partidária”, verificou José Carlos Mendes, frisando que o seu projecto iniciou o trabalho no terreno a três meses das eleições autárquicas.

“As nossas equipas deram o máximo, mas sabíamos que a luta não era fácil”, admitiu, sublinhando contudo que estava confiante na vitória. Contribuindo para o fim da maioria absoluta na Câmara Municipal, José Carlos Mendes regozija-se por o seu projecto ter contribuído para a mudança alcançada.

“O mérito é da nossa candidatura”, sustentou, revelando-se decidido em tomar posse como vereador – bem como o seu par – e opondo-se a coligações. “Está fora de hipótese uma coligação”, esclareceu.

Liliana Lopes/ Fotos: João Sargo

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