O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital defendeu há dias em Assembleia Municipal que é necessário continuar a concentrar investimento nas freguesias porque, se assim não for, corre-se o risco de se começar a observar uma migração concelhia em direcção à sede do concelho – a cidade de Oliveira do Hospital.

 

No final dos anos 80, César Oliveira defendia precisamente o contrário, quando sustentava que a cidade deveria constituir-se como o grande pólo de atracção concelhio, por forma a evitar que a fuga da população mais jovem das aldeias se encaminhasse para algumas cidades de média dimensão e não para Oliveira do Hospital.

Nada mais errado…

 

César Oliveira sabia – como os cidadãos e políticos interessados o devem saber – que todos os dados estatísticos apontam para uma desertificação cada vez mais acelerada do mundo rural. As populações locais estão cada vez mais envelhecidas e os poucos jovens resistentes não só não têm oportunidades de emprego, como também – na era da aldeia global – já não suportam a falta de qualidade de vida e de desenvolvimento nem o tédio das aldeias. Estão cada vez mais urbanos e, essa coisa da aldeia dos pais ou dos avós, só mesmo para matar saudades ou carregar baterias.

Não significa isto que não se deva investir nas aldeias – e nas suas aptidões turísticas –, mas o grande desafio do próximo presidente da Câmara que sair do sufrágio eleitoral de 2009, é fundamentalmente gerar riqueza na sede do concelho, atraindo novas empresas e criando emprego.

Oliveira do Hospital, deve fundamentalmente apostar agora nalgumas das suas freguesias periféricas com vista a criar uma “Grande Oliveira”, capaz de atrair pessoas e novas dinâmicas.

Se não for essa a linha de rumo, não só estarão condenadas as nossas aldeias como a própria sede do concelho, já que os jovens – tal como os rios – tenderão sempre a “desaguar” noutros mares de oportunidades.

Henrique Barreto

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