“Não estava nos meus horizontes que isto pudesse acontecer, mas na vida não se faz aquilo que se quer...

“Não estava nos meus horizontes que isto pudesse acontecer”

…, faz-se aquilo que se pode”, referiu aos jornalistas o deputado municipal da CDU, António Lopes… a propósito do pedido de renuncia de mandato que na semana passada dirigiu ao presidente da Assembleia Municipal (AM).

Eleito para a AM nas autárquicas de 2005, com um “score” eleitoral a que os comunistas não estava habituados – 806 votos –, Lopes acabou por suspender o mandato pelo período de um ano no final de 2007.

Preparava-se agora para retomar o lugar, mas o partido ter-lhe-á dado indicações de que era preferível não o fazer. Lopes não terá visto a indicação com bons olhos, mas como “comunista convicto” – conforme fez questão de se auto-designar –, optou pelo politicamente correcto. “Isto em política não se pode dizer tudo o que se quer dizer”, sublinhou o antigo militante do PCP numa conferência de imprensa, realizada este sábado no último andar do hotel S.Paulo.

“Não vou daqui satisfeito…”

Defendendo a tese de que os partidos “têm que ir preparando a renovação dos seus quadros”, Lopes até elogiou o seu sucessor na AM, Luís Almeida, e disse não ter “nada contra” a ocupação do seu lugar por aquele dirigente sindical. Contudo, o cabeça-de-lista da CDU nas autárquicas de 2005 também não escondeu que este facto político contraria a sua vontade. “Não vou daqui satisfeito, mas também não vou derrotado. Valeu a pena – acho eu – o cunho que metemos” na assembleia, sublinhou.

Instado por um jornalista da Lusa a pronunciar-se sobre a tensão que de há algum tempo a esta parte se instalou nas suas relações políticas com o seu camarada de partido, João Abreu, Lopes especificou que “não há uma luta” entre si e o seu camarada, e até acabou por elogiar o presidente da junta de freguesia de Meruge, ao sublinhar que, para além da obra que o autarca tem naquela freguesia, “é a pessoa mais preparada que anda na assembleia”.

“Houve algumas passagens que podem ter sido determinantes nisto tudo”

Porém, Lopes não sonegou as divergências, ao recordar um célebre episódio político ocorrido na assembleia. “Quando eu vou a uma assembleia municipal defender uma posição e atrás de mim vem um camarada meu «dessolidarizar-se» com essa atitude, é evidente que houve aí algum desencanto”, afirmou o agora ex-autarca da CDU, referindo-se em concreto à noite em que depois de ter apresentado, em assembleia municipal, um pedido de auditoria à câmara muncipal, apareceu João Abreu a votar contra a proposta do seu camarada, alegando que o presidente da câmara não merecia passar pelo “vexame de uma auditoria”. “Houve algumas passagens que podem ter sido determinantes nisto tudo… vocês conhecem-nas bem”, afiançou António Lopes.

“Estou disponível para ajudar a corporizar uma solução que tenha pés para andar”

Questionado sobre uma sua eventual candidatura à presidência da câmara nas autárquicas de 2009, Lopes disse não se sentir hoje “com a mesma força anímica” e perguntou: “vou-me candidatar a presidente da câmara em que contexto?”

Todavia, o “enfant terrible” da CDU, deixou a garantia de que continuará a andar por aí. “Não virarei costas ao concelho e cá estarei..”, salientou o militante do PCP, que fez ainda questão de se mostrar disponível para “ajudar a corporizar uma solução que tenha pés para andar”.

Frisando que tem “alguma base de apoio”, Lopes deu a entender que “se tivesse o apoio da esquerda” ainda poderia avançar, mas também relevou o facto de o seu partido nunca ter visto com bons olhos uma coligação entre a CDU e o PS, em Oliveira do Hospital.

Além disso, o conhecido comunista “convicto” – “é bom que isso fique claro”, foi sublinhando durante a conferência de imprensa –, também foi claro quanto ao seu posicionamento político. “Não me revejo na política da câmara, como não me revejo na política do governo”, garantiu.

De resto, Lopes disse partir com o espírito de missão cumprida porque – conforme sustentou – “houve uma mudança qualitativa na postura da câmara municipal… passou a haver outra acutilância… o senhor presidente da câmara não nos responde, mas ouve-nos”, ironizou o demissionário membro da AM.

Garantindo que sempre afirmou que se a câmara governasse bem, também se oporia da mesma forma, Lopes não deixou contudo de lamentar as suas relações com o presidente da autarquia oliveirense e o seu vice-presidente, Mário Alves e Paulo Rocha. “Deixaram de me dirigir a palavra. Isso não se coaduna com o regime democrático”, sentenciou.

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