“Não há vitória nenhuma de campeonato que chegue ao sentimento de salvação de uma vida”

… o atleta oliveirense quer “sensibilizar todas as pessoas” para que se tornem dadores de sangue e de medula óssea.

“Ser herói está no sangue”. Este é o lema da associação “Movimento Vida”, apresentada hoje pelo seu fundador, o futebolista Carlos Martins, na sua terra natal, Oliveira do Hospital.

Pai do pequeno Gustavo Martins que, recentemente, foi motivo de intensa campanha de solidariedade na busca de um dador compatível de medula óssea, como forma de tratar a aplasia medular que lhe foi diagnosticada no final do verão, Carlos Martins não escondeu a emoção pelo gesto que Portugal e o Mundo manifestaram pelo seu filho, sem deixar, porém, de particularizar aquele que partiu da região.

“Desde o primeiro momento em que me deparei com o problema do meu filho, que a região se disponibilizou em tudo, para que não me faltasse nada”, sublinhou o jovem atleta que fez uma agradecimento particular ao presidente do Conselho de Administração da Fundação Aurélio Amaro Diniz, Álvaro Herdade e à “amiga” e presidente da direção da Arcial, Rosa Neto. “Um dia o meu filho há-de agradecer pessoalmente e ele há-de saber as pessoas que realmente o quiseram ajudar”, referiu emocionado.

Uma solidariedade que Carlos Martins não quer que se esgote no filho de apenas três anos de idade e seja extensível a “outros Gustavos” que esperam por um dador compatível.

“Estamos aqui para lutar e vamos continuar na luta para que muitos pais não caiam na angústia de querer um dador e não o tenham”, referiu o jogador português, contando que partiu para fundação da Associação “Movimento Vida”, com o objetivo de sensibilizar as pessoas para a necessidade de serem dadores, porque uma situação como a que afetou o filho do jogador, pode bater à porta de qualquer um.

“Ao serem dadores podem salvar vidas”, referiu o jogador que por motivo de lesão se viu afastado dos trabalhos da seleção nacional no Euro 2012, mas para quem “não há vitória nenhuma de campeonato que chegue ao sentimento de salvação de uma vida”.

“Primeiro a saúde do meu filho e só depois os campeonatos”

Na apresentação da Associação, a partir de Oliveira do Hospital e em dia de grandes decisões para a seleção nacional que hoje enfrenta a Espanha, Carlos Martins transmitiu “pensamento positivo” aos colegas que defendem as cores nacionais e em quem disse confiar, na certeza de que “tudo farão para dignificar a camisola”.

Clarificou porém que nesta hora, apesar de estar ao lado da seleção, o campeonato europeu acaba por ser “secundário”. “Primeiro a saúde do meu filho e só depois os campeonatos”, frisou, falando da sua necessidade de “olhar todos os dias” para o pequeno Gustavo e acompanhar o seu desenvolvimento. Gustavo Martins foi submetido a transplante de medula óssea em Maio e, segundo o pai, o menino “está a reagir muito bem ao transplante e está a seguir o plano normal dele”. “Eu e a minha família seguimos esperançados de que a cura está para breve”, disse confiante.

A apresentação da Associação “Movimento Vida” surgiu associada a um novo conceito da ExpOH – Feira Regional de Oliveira do Hospital, designado por ExpoSolidária, destinada a abraçar aquele projeto. Na prática, a ExpOH, que vai decorrer de 28 de julho a 5 de agosto, vai ser palco de duas ações de colheita , com a organização a brindar os potenciais dadores com bilhetes de acesso ao certame que para além da vertente económica, também vai primar pela aposta cultural e de animação noturna.

“Desafio as pessoas da região a unirem-se em volta da ExpOH”, referiu o presidente da Câmara Municipal, José Carlos Alexandrino, notando que aquelas ações já não são dirigidas ao pequeno Gustavo que já encontrou um dador compatível, mas a “muitos Gustavos que precisam por aí”.

Consciente do “sofrimento” que afeta a família do filho do futebolista, Alexandrino não deixou de reconhecer que a “mediatização em torno do filho do internacional, sem dúvida ajudou muitas crianças que não são conhecidas”. “Isto é um contributo enorme e humanizante”, referiu.

Alargar o número de dadores de medula óssea, mas também de sangue foi a mensagem que a diretora do Centro de Histocompatibilidade da região Centro, Luísa Pais, transmitiu, hoje, a partir de Oliveira do Hospital. “Os componentes sanguíneos são essenciais para um transplante”, explicou a médica que também se associou ao “Movimento Vida” e chamou à atenção para a “carência” em matéria de dadores sanguíneos.

Positiva voltou a ser a resposta da Fundação Aurélio Amaro Diniz que, tomando por base, a sua vertente social logo acedeu em participar no “Movimento Vida”. “Não é só o transplante de medula óssea, são precisos muitos litros de sangue e o sangue não se fabrica”, alertou o presidente do Conselho de Administração da FAAD, certo de que “Oliveira do Hospital tem possibilidades de angariar mais e melhores componentes sanguíneos”.

Álvaro Herdade apelou, por isso, à “solidariedade do povo para que mostre a sua boa vontade” por ocasião das duas colheitas que vão decorrer no âmbito da ExpOH. Do mesmo modo o clínico falou da importância de, no concelho, se realizarem recolhas de componentes sanguíneos com alguma regularidade.

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