“Não será possível aguentar estes números muito mais tempo”

O apoio que a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital canaliza aos vários grupos desportivos do concelho foi, ontem, objeto, de análise na reunião pública daquele órgão autárquico. Tal decorreu do pedido de adiantamento do subsídio por parte de um clube concelhio e que mereceu o reparo do vereador do PSD na Câmara Municipal, que entendeu ser aquela uma forma de o executivo “colaborar na gestão ineficaz e ineficiente das coletividades”.

Mário Alves, assumido autor dos avultados subsídios atribuídos às coletividades, disse ser hora de o município colocar travão naquela prática e de os clubes se “adaptarem “à nova realidade sócio-económica”.

“Os clubes vão ter novo corte e as razões estão à vista”, continuou o social-democrata, avisando que não compete ao erário público fazer face às despesas dos clubes que “nem sequer realizam receitas suficientes para cobrir as despesas dos jogos”. Alves referiu, em concreto, a realização de jogos onde, por vezes, se encontram apenas 100 pessoas a assistir. “Como é possível?” questionou o vereador da oposição, certo de que a Câmara não pode continuar a financiar estas “brincadeiras”, sendo antes sua obrigação apoiar “quem tem fome e carências de todos os níveis”.

Alves foi ainda mais longe, ao criticar o dinheiro que os clubes gastam na contratação de “craques”. “Não estamos a pagar para os clubes, estamos a pagar para os atletas”, constatou, verificando que o apoio dado pela autarquia não é para a modalidade, mas antes para “pagar salários”.

Uma realidade que, na opinião de Mário Alves, é passível de ser contrariada com a redução dos subsídios atribuídos, obrigando os clubes a fazer contratações à medida do dinheiro disponível. Ao invés disso, Alves disse ser preferível um maior investimento na formação desportiva. “Prefiro ter uma equipa de formação campeã, do que campeões seniores”, afirmou.

Também defensor da formação, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital comungou das preocupações do vereador da oposição, destacando a necessidade de os clubes tomarem consciência daquela realidade. “Não será possível aguentar estes números muito mais tempo”, avisou José Carlos Alexandrino, revelando-se satisfeito com as alterações previstas no âmbito da nova reorganização do futebol, deixando de existir a 3ª divisão nacional e obrigando à permanência de clubes mais próximos uns dos outros. Reiterando a sua intenção de “não acabar com tudo o que existe de bom no concelho”, o autarca aludiu à necessidade de os clubes se reajustarem.

“Podem ter os orçamentos que entenderem, mas devem saber aquilo com que contam do município”, concluiu Alexandrino.

Para o vereador do movimento independente “Oliveira do Hospital Sempre”, a solução deverá passar por ajustar os subsídios aos número de atletas oliveirenses ao serviço de cada clube em matéria de competições seniores. “Cada jovem de Oliveira do Hospital sai mais barato ao clube e leva mais gente ao espetáculo”, considerou José Carlos Mendes, notando ser também aquela uma forma de incentivar mais jovens à formação.

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