A zona de pinhal localizada a sul do concelho de Oliveira do Hospital já está afectada pelo nemátodo do pinheiro.

Nemátodo chegou ao Sul do concelho

O director executivo da CAULE fala de “um problema muito grave” e aponta o corte imediato das áreas afectadas, como solução para atacar o problema. Por outro lado, há quem fale em excesso de alarmismo e quem defenda – como é o caso de António Campos – o reordenamento da floresta.

As análises resultantes dos trabalhos de prospecção realizados pela CAULE não deixam dúvidas: o nemátodo do pinheiro já afecta a zona Sul do concelho de Oliveira do Hospital.

Ao Correio da Beira Serra o director executivo daquela associação florestal referiu-se à zona contígua aos concelhos de Tábua e Arganil como “a mais afectada”, embora o problema possa também vir a afectar outras localidades e freguesias. “É um problema muito grave. Por aquilo que se vê nos concelhos vizinhos, isto pode atingir grandes dimensões”, considerou José Vasco Campos, defendendo – como forma de atacar o problema – o “corte imediato das áreas afectadas e a destruição no local dos ramos sobrantes, incluindo a casca, por forma a evitar o transporte do nemátodo de um lado para o outro”.

O responsável pela CAULE revelou-se preocupado com os pequenos proprietários que “têm na pequena floresta um complemento de rendimento muito importante”, ao mesmo tempo que destacou o número de indústrias da região dependente do pinheiro bravo como a Sonae Industria, serrações, entre outras, onde estão em causa muitos postos de trabalho. Decidido em minimizar os impactos do problema, José Vasco Campos já solicitou uma audiência com o secretário de Estado da Agricultura. Com o argumento de que “para evitar alarmismos entre as populações, já que o problema deverá estar noutras freguesias – a Caule vai continuar a fazer análises –, aquele dirigente associativo não quis contudo especificar quais as localidades onde o problema foi detectado.

“Toda a vida secaram pinheiros”

Desde o início do mês que todo o território português passou a ser considerado afectado pelo nemátodo do pinheiro. A última legislação publicada dá conta desta classificação, que obriga ao tratamento a altas temperaturas de toda a madeira de pinho bruta que sair do país. O preâmbulo da portaria publicada em Diário da República indica a confirmação da presença deste organismo em alguns concelhos exteriores às actuais zonas de restrição.

No concelho de Oliveira do Hospital existem várias empresas a laborar directamente com a madeira de pinho, como é o caso de serrações e da própria Sonae Indústria, das quais dependem vários postos de trabalho.

Para José Henriques, empresário no ramo da serração e fabrico de paletes, o mais grave de tudo é o alarmismo que se tem vindo a gerar em torno desta matéria. “É mais o mediatismo das televisões e dos jornais do que outra coisa”, referiu ao Correio da Beira Serra, sublinhando que “toda a vida secaram pinheiros”. Por agora, diz ainda não ter sentido as consequências do problema e prefere acreditar que tudo não passa de “um alarme que andaram aqui a deitar”. “Até ao momento está tudo bem”, garantiu, não deixando de criticar o facto de a CAULE andar no terreno a realizar sessões de esclarecimento junto dos proprietários florestais. Henriques posicionou-se ainda contra a indicação do corte total dos pinheiros nas áreas afectadas, ao mesmo tempo que disse estar preparado para enfrentar as exigências de tratamento da madeira em altas temperaturas. “Já estamos equipados com choque térmico há mais de três anos, porque países como o Canadá exigem esse tratamento nas paletes”, contou.

Ex-secretário de Estado não quer pinheiro no interior e defende reordenamento florestal

Consciente de que, de facto, “temos um problema em cima da floresta”, o ex-secretário de Estado da Estruturação Agrária – no governo de Mário Soares – entende ser o momento certo para o país avançar com um “reordenamento florestal”. “Devíamos aproveitar estas circunstâncias, porque as grandes crises abrem grandes oportunidades de mudança”, considerou António Campos, criticando o facto de a maior mancha de pinhal da Europa se localizar no interior de Portugal, na zona da Sertã. “Devíamos ter vergonha”, asseverou ao Correio da Beira Serra, sublinhando que D. Dinis “foi o melhor engenheiro florestal em Portugal, ao decidir localizar o pinheiro no litoral”. Defende a plantação de pinhal em zonas húmidas e não no interior onde o pinheiro nem chega atingir os 35 anos de vida, porque com apenas 15 é devastado pelos incêndios. “O pinheiro é o maior foco de incêndio do país”, alertou, ao mesmo tempo que propôs o reordenamento das florestas com a inclusão de espécies no interior adequadas ao seu ecossistema, dando o exemplo do castanheiro e do sobreiro.

Defensor do lema “área abatida, área convertida”, Campos impõe sobre o governo a responsabilidade de ajudar nesta transição e de apoiar os proprietários. “Não é isso que está a acontecer”, referiu, denunciando “interesses ligados à floresta de crescimento rápido”, como acontece com o pinheiro. “Produzir Carvalhos demora muito mais tempo”, explicou, voltando a reiterar a necessidade de o governo “vir em socorro dos proprietários”. Neste contexto, Campos destacou ainda a importância de árvores autóctones – não o pinheiro – para a harmonização de uma paisagem própria da região de montanha. “As folhosas proporcionam paisagens espectaculares”, rematou.

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