“Nenhuma pessoa se fixará em Oliveira do Hospital se sentir instabilidade psicológica e social”, alertou Mário Alves

… de serviços de saúde e justiça no concelho de Oliveira do Hospital. Por ocasião da comemoração do feriado municipal, que hoje se assinala, Mário Alves convidou o Governo a preocupar-se com aquele fenómeno, por estar convicto de que “nenhuma pessoa se fixará em Oliveira do Hospital se sentir instabilidade psicológica e social”.

No dia em que o município prestou homenagem a quatro figuras locais e reconheceu o mérito escolar aos melhores alunos, o presidente da Câmara desafiou os oliveirenses a serem mais solidários e a mostrarem-se mais disponíveis para quem precisa. “Enquanto presidente de Câmara preocupa-me a instabilidade social, o desemprego, as famílias que vão perdendo poder de compra, os bens como a água e outras taxas que vão subindo”, sustentou, sublinhando ainda que “hoje pagamos impostos de tudo”. Na opinião de Alves “é importante que haja uma reflexão profunda”, porque – como referiu – “não pode o cidadão ser feliz, se não tiver condições para a felicidade”.

Com um discurso centrado no apelo à cooperação, o autarca oliveirense insistiu na tese da reflexão, com o objectivo de cada um poder perceber “como pode contribuir para minorar os problemas” que afectam as suas comunidades. Contudo, Alves não se ficou pelo apelo, deixando a garantia de que tudo fará nesse sentido. Mas, lembrou que “é uma tarefa enorme para um homem só”, pelo que considerou ser necessário o empenho dos que exercem cargos políticos, bem como dos que os não exercem mas que “tudo podem fazer para ajudar a minorar os problemas”.

No dia do município, Mário Alves confessou que pretende que “Oliveira do Hospital seja um concelho mais solidário e que exteriormente possa ser visto como um concelho onde as pessoas pensam umas nas outras e se ajudam umas às outras”. O autarca não deixou também de elogiar “o estoicismo” dos empresários locais que “continuam a resistir seja na construção civil, nos têxteis e noutros sectores”. “É justo que aqui façamos uma homenagem colectiva àqueles que dia-a-dia lutam para manter as empresas, os postos de trabalho, o bem-estar e a riqueza”, sentenciou o autarca.

Aos quatro jovens que no último ano lectivo se destacaram com os melhores resultados a nível do ensino secundário, profissional e superior, Mário Alves também dirigiu palavras de encorajamento, convidando os jovens a não desistir, mas antes a resistir. “A palavra desistir deve desaparecer do vosso vocabulário”, referiu o autarca, sublinhando que “com disponibilidade mental de todos podemos augurar um futuro melhor”. Carolina Mendes (10º ano), Tânia Madeira (11ºano), Carolina Xavier (12ºano), Ana Margarida Amaral (Eptoliva) e César Faria (ESTGOH) foram os alunos que, este ano, viram o seu mérito escolar ser reconhecido pelo município oliveirense.

José Reis entre os homenageados

Merecedores de elogios rasgados por parte do presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, José Reis, Carlos Lopes, José da Costa Gomes e Carlos Reis Gomes foram os nomes que, esta manhã, mais eco fizeram no salão nobre dos Paços do Município.

A escolha dos quatro homenageados – o primeiro pela carreira no campo da ciência e os restantes pela dedicação à música – foi interpretada por António Simões Saraiva como “inteligente” porque “olhou-se para os homens na sua verdadeira dimensão humana” que “se esforçam para dar aos outros e às comunidades o melhor do seu saber e do seu esforço”. Sem deixar de evocar a memória de Carlos Reis Gomes – homenageado a título póstumo – com um minuto de silêncio, Simões Saraiva sublinhou no seu entender “não são os títulos, nem os graus académicos, o muito saber, ou os muitos conhecimentos que têm mérito”, já que cada um “tem o mérito que tem” e por isso o município lhes está “profundamente gratos”.

Ao professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, natural de Aldeia das Dez, o presidente da AM elogiou o currículo que considerou de “tal maneira vasto e rico”, ao ponto de se referir a José Reis – homenageado com a medalha de Ouro – como sendo um “caso único”, destacando o seu percurso académico, a participação em anteriores governos – foi secretário de Estado da Educação e presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) – bem como a colaboração com centros de investigação e a publicação de artigos e livros.

Quem confessou não se espantar com o currículo de Reis foi o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital porque pela maneira como um dia o ouviu falar sobre desenvolvimento regional, já “previa um grande pensador”. Alves não deixou também de destacar a “postura de grande isenção” de José Reis à frente da CCDRC. “Ele sempre teve o cuidado de nunca deixar que os ouros pudessem pensar que o seu concelho seria mais beneficiado por isso”, frisou o autarca, notando contudo que Reis ajudou a resolver problemas locais como foi o caso da estrada dos Penedos Altos.

Palavras de apreço foram também dirigidas aos homenageados com as medalhas de mérito municipal, reunindo em comum ligações ao mundo da música. Carlos Lopes, natural do concelho de Seia, foi homenageado pela sua dedicação ao Coral de Sant’Ana, pela sua função de maestro nos últimos 25 anos. Já os irmãos Gomes – José e Carlos – foram aplaudidos por uma vida inteira ligada à Filarmónica de Avô. “Os filarmónicos são pequenos heróis ignorados, porque iam a pé por caminhos escalvados”, referiu Simões Saraiva que fez questão de através dos dois filarmónicos homenagear as quatro filarmónicas concelhias. O presidente da câmara não deixou também de destacar a “excelente relação” que Carlos Lopes mantinha com os oliveirenses e coralistas, nem de realçar o empenhamento e bondade dos irmãos Gomes.

“A minha dívida para com o meu concelho aumentou extraordinariamente”

Sem conseguir esconder a emoção, José Reis confessou que a sua dívida para com o seu concelho “aumentou extraordinariamente”. Recordando o dia em que participou na assinatura do contrato programa para a requalificação do edifício da Câmara Municipal, o professor catedrático de Aldeia das Dez confidenciou nunca ter imaginado que a primeira vez que entrasse no renovado salão nobre da Câmara fosse para receber a medalha de ouro que lhe foi entregue pelo presidente Mário Alves.

“Não sei se alguma vez conseguirei pagar a minha dívida para com a minha terra”, referiu, explicando que uma parcela da mesma se reporta ao facto de aqui ter as suas origens. Uma segunda parcela reside no facto de não ter acedido por motivos profissionais ao desafio que em tempos lhe foi endereçado para ter um papel mais activo na vida do concelho.

Fintado pela emoção, José Reis confessou-se feliz por ver as pessoas da sua terra a viverem melhor e por perceber que o concelho vai ficar dotado de um maior desenvolvimento que ainda não existe. “Que os concelhos se virem uns para os outros e cooperem e criem aqui um pólo que vai de Oliveira do Hospital a Gouveia”, sustentou.

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