No dia em que arranca em Celorico da Beira o ciclo de feiras, responsável da ANCOSE traça cenário negro para a quantidade de produção de queijo DOP Serra da Estrela

A reposição dos níveis de produção do queijo certificado Serra da Estrela anterior aos incêndios que afectaram Portugal demorará vários anos. A qualidade, porém, não foi afectada, assegurou o presidente da Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela (ANCOSE). “A qualidade é igual à dos anos anteriores”, refere hoje o presidente da ANCOSE, Manuel Marques, no dia em que começa, em Celorico da Beira, o ciclo anual de feiras do queijo de ovelha produzido na região, no site Notícias ao Minuto que cita as declarações deste responsável à agência Lusa.

Manuel Marques refere que a acentuada queda da produção de queijo DOP “vá prolongar-se por anos”, devido à falta de matéria-prima que se agravou depois dos incêndios de 15 de Outubro nos quais terão desaparecido mais de 8 mil pequenos ruminantes, entre ovinos de raças autóctones e alguns caprinos, segundo estimativas da ANCOSE.

Na sequência da catástrofe, aquela associação, com sede em Oliveira do Hospital, redobrou o trabalho de apoio aos sócios, repartidos pelos 18 municípios da região demarcada do queijo DOP Serra da Estrela: Carregal do Sal, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Mangualde, Manteigas, Nelas, Oliveira do Hospital, Penalva do Castelo, Seia, Aguiar da Beira, Arganil, Covilhã, Guarda, Tábua, Tondela, Trancoso e Viseu, nos distritos de Viseu, Coimbra, Guarda e Castelo Branco.

“Continuamos a distribuir palha e rações pelos associados”, disse, revelando que a entrega de borregas aos criadores que perderam animais começará em Março ou Abril. Para poderem receber estas doações, os beneficiários terão de “demonstrar que perderam ovelhas da raça bordaleira” nos incêndios. A ANCOSE espera reunir, aos poucos, 400 ovelhas para repovoamento, principalmente através de um centro de recria montado pela associação, em Oliveira do Hospital, que já reúne cerca de 200 borregas da raça bordaleira e deverá contribuir para salvar o queijo com denominação de origem protegida (DOP) Serra da Estrela.

Mais de três meses depois da tragédia, “já temos alguns espaços a verdejar”, com recomposição dos pastos atingidos pela seca prolongada e pelos incêndios. “Mas não tanto quanto desejaríamos”, lamentou Manuel Marques. A segunda prioridade é fornecer animais jovens aos produtores que pretendam reforçar o número de efectivos, mesmo que não tenham registado perdas devido ao fogo. “Mas estes terão de pagar”, esclareceu o presidente da associação.

Nos últimos seis anos, a redução do total de ovelhas da Serra da Estrela não parou de baixar, o que, no início de 2017, levou Manuel Marques a defender, em declarações à Lusa, a criação de incentivos do Estado à preservação do queijo DOP.

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