“No meu executivo já se conseguiram realizar grandes obras, que estão à mostra de toda a gente”

… já conseguiu realizar na freguesia. A melhoria dos arruamentos é entendida como a obra maior numa freguesia que, por estar às portas da cidade, chega a temer pelo seu futuro.

Correio da Beira Serra – Não tinha experiência autárquica, mas em 2009 decidiu avançar para uma candidatura sob o lema “Lajeosa Unida”. O que é que o motivou?
Paulo Sérgio –
Entrei neste projeto devido ao desafio lançado por um grupo de pessoas. Foi uma experiência nova e jamais pensando que iria ganhar. Mas ao abraçar o projeto, era óbvio que era para ganhar, porque para perder não valia a pena. Ganhei, entrei na Junta e já tive boas experiências, coisas que nunca esquecem. Tem sido qualquer coisa de espetacular. Valeu a pena todo o trabalho feito em período de campanha.

CBS – O povo acabou por o eleger. Como encara esse voto de confiança?
PS –
Foi muito difícil para nós ganhar. Mas ganhámos com sinceridade e honestidade. Não foi no dia das eleições, nem é agora que o povo reconhece a nossa capacidade de trabalho. Isso vai acontecer no final dos quatro anos. Apesar de eu ser novo, toda a população me conhece. No início algumas pessoas ainda questionaram a minha capacidade, por ser muito novo e não ter nenhuma experiência. E de facto eu não sabia nada. Estava longe de saber o que era a política. Aliás eu continuo sem qualquer conotação partidária. Eu abracei este grupo com a designação de “Lajeosa Unida” e acho que foi bem pensado.

CBS – Como é que encontrou a freguesia da Lajeosa?
PS –
Na altura em que tomei posse, falei sobre a situação que mais me entristeceu quando entrei nesta freguesia. Pensei que vinha encontrar esta freguesia em melhores condições financeiras. A Junta tinha dívidas e não eram assim tão poucas como isso. No entanto, acabámos por superar e já são águas passadas.

CBS- Que tipo de dívidas?
PS –
Dívidas a fornecedores, porque obra não havia. Estavam aí faturas para pagar, mas as obras não as via em lado nenhum, sinceramente.

CBS – Chegou a confrontar o anterior presidente da Junta com essa situação?
PS –
Sim. Mas, ao fim de uma ou duas assembleias de freguesia demitiu-se. Não sei se foi o melhor para ele, ou não. Mas fez o que ele entendeu que deveria fazer.

CBS – A Junta goza agora de boa saúde financeira?
PS –
Não goza de boa saúde financeira, porque as verbas que vêm do FEF não são muitas e cada vez há mais obras a concretizar. Mas graças a Deus estamos bem.

“Tenho-me batido perante a Câmara Municipal para as necessidades que existem na freguesia ao nível dos esgotos”

CBS – O que é que, no seu entender, mudou? Quais as principais conquistas?
PS –
O antigo executivo deixou coisa más, mas também fez trabalhos bons. No primeiro mandato fez um excelente trabalho, mas depois no último mandato não fez grande trabalho, não sei porquê. No meu executivo já se conseguiram realizar grandes obras, que estão à mostra de toda a gente. A primeira obra foi o calcetamento da rua Fundo do Lugar, calcetámos a rua da Queijaria, rua Vale de Ferreiro e arranjámos a estrada principal até ao largo do Clube e até à Fontanheira. A freguesia tinha vários problemas ao nível dos seus arruamentos. A estrada principal era das piores do concelho e o problema já está ultrapassado.

Quatro anos não chegam para um presidente de Junta elaborar tudo que deseja. Ainda nos falta um ano e meio e pretendemos realizar outras obras. Tenho-me batido perante a Câmara Municipal para as necessidades que existem na freguesia ao nível dos esgotos. Nomeadamente no Viso, Malhadoura, Poeiro, Regada… tenho batalhado fortemente. No centro da freguesia não há problema, mas nas anexas não existem esgotos. No Viso habita lá muita gente e cada habitação tem a sua própria fossa.

CBS – Qual tem sido a sensibilidade da Câmara para este problema?
PS –
Tenho batalhado junto da Câmara Municipal, inclusivamente nas assembleias. O que eu sei é que se vai elaborar um estudo, porque a freguesia é muito rochosa. Sei que o presidente da Câmara tem grande vontade em colocar esgotos na zona do Viso. Isso foi-me dito ainda há relativamente pouco tempo, mas ainda não há nada em concreto. Noto vontade da parte do presidente da Câmara e do nosso lado tem havido um esforço terrível para que isso aconteça. Gostava que esse assunto ficasse resolvido no meu mandato.

CBS – Que outros projetos tenciona colocar em marcha?
PS
– Outra pretensão é o alargamento da rua do Jardim, onde passa um carro e mal. Trata-se de pugnar pelo desenvolvimento da freguesia. São obras muito importantes para nós, tal como a construção da capela mortuária, há muito desejada pela população, que está prestes a entrar em obra. Tantas promessas houve e foi preciso nós chegarmos para dar arranque a essa obra.

Para além dos avanços em termos de obra, devo registar que a freguesia tem vindo a melhorar em diversos aspetos. Ainda sou novo, mas pelo que os antigos dizem, a Lajeosa era uma das freguesias do concelho mais unida. A Lajeosa desuniu-se. As obras feitas são um orgulho para nós, mas também tenho lutado pela união da população e julgo que tenho conseguido através de convívios que vamos fazendo. O que é bonito é ver a população unida. Nós andamos cá dois dias e não vale a pena andarmos cá com guerras.

Esta junta tem sido muito dinâmica e ativa. Antes estava sempre fechada e só abria de 15 em 15 dias com o executivo. Atualmente, a Junta está aberta todos os dias e à quinta-feira está presente o executivo. Estamos também à espera da instalação de uma payshop para facilitar pagamento de serviços por parte da população. É uma freguesia atenta às necessidades da população. Temos um administrativo que mantém a Junta aberta todo o dia e os jovens podem vir ao espaço internet.

CBS – As lombas na freguesia têm despoletado alguma crítica?
PS –
Pode-se dizer que anda aí a febre das lombas, mas julgo que a colocação de lombas em zonas perigosas nunca são de evitar. É colocar as lombas e ponto final. Enquanto não houver civismo da parte das pessoas, têm que se colocar lombas. Na zona da Malhadoura, junto ao edifício empresarial da Quinta de Jugais, houve necessidade, porque ali entram e saem camiões. E, junto aos restaurantes foram colocadas bandas que não serão muito benéficas devido à constante entrada e saída de viaturas. Aquela zona é muito perigosa e para ali também tem que ir outra lomba. Podíamos por semáforos, mas os condutores não os respeitam. Em Balocas estão lá duas lombas que mais parecem degraus e vão ser substituídas.

CBS – No anterior mandato fizeram eco as queixas do anterior presidente da Junta de Freguesia a propósito da falta de atenção da Câmara Municipal para com a Lajeosa. O cenário mudou? Como avalia a relação existente entre Câmara e Junta de Freguesia?
PS –
No que respeita ao antigo executivo e às relações com a Câmara Municipal, devo dizer que o presidente de junta é eleito para servir o povo da Lajeosa. Eu jamais me chatearia com o presidente de Câmara, fosse pelos motivos que fossem, porque estaria a prejudicar o povo da Lajeosa. O presidente de Câmara tem 21 freguesias para tomar conta e cada presidente de junta tem que defender a sua população.

A minha relação com a Câmara Municipal e Assembleia Municipal tem sido ótima. Atendem-nos a qualquer hora e estão sempre disponíveis e isso é de louvar. E, a transferência de verbas para as juntas de freguesia foi uma ótima ideia, porque temos algum fundo para poder gastar nas obras que necessitamos, sem necessidade de andar a pedir de mão estendida. No início de cada ano já sabemos as obras que vamos realizar e não é preciso mendigar. Não é muito, mas é muito bom, porque é um poder que nos dá, de podermos gerir aquele dinheiro. Julgo que temos feito uma boa gestão e temos conseguido fazer as obras nos devidos sítios, não olhando a caras. Não olho a cores partidárias, mas sim às necessidades das freguesias. Olho para todos por igual.

“Também nós podemos perder a nossa freguesia”

CBS- Lajeosa não fica alheia àquele que, por esta altura, é o assunto sensível que afeta todas as freguesias. Como é que tem acompanhado o processo de extinção/agregação das Juntas de Freguesia?
PS –
Encaro isso como um problema terrível, com pena do conjunto das 21 freguesias. Neste momento, não sei qual é a freguesia que vai fechar. Desde o início, que sempre alertei para esta situação, porque também nós podemos perder a nossa freguesia, porque a lei é clara. Julgo que da parte do governo é uma má política. Fechar freguesias no interior é muito complicado, porque vemos as dificuldades do povo. Se mesmo assim há guerras entre as freguesias, no futuro ainda vai ser pior, e isso é muito mau.

Neste momento a nossa preocupação é com o artigo 8 da nova lei, que determina que a sede dos municípios deve ser considerada pólo de atração das freguesias que lhe sejam contíguas. Temo por isso.

CBS – A freguesia tem manifestado tendência de perda populacional?
PS –
Nos últimos censos registámos uma descida mínima. Neste momento devemos ter cerca de 550 habitantes.

CBS – A sua posição é de total oposição à extinção de qualquer freguesia?
PS
– Desde o início sempre defendi a união entre todas as freguesias, fosse defendendo a extinção de uma ou duas, ou pela defesa das 21. Todos estamos de acordo para que não feche nenhuma. Eles (o governo) podem acabar com a nossa freguesia, mas terão que vir aqui, ao terreno, explicar ao povo da Lajeosa, porque é que decidem extinguir a freguesia. Não vai ser fácil, mas eles têm que cá vir. Não é só falar lá no Parlamento. Não, eles têm que vir ao terreno que é para sentirem na pele as consequências. Neste momento devemos olhar para o conjunto das 21 freguesias e não por uma de forma isolada, porque não se sabe quais as freguesias que fecham.

CBS – A freguesia tem conseguido assegurar postos de trabalho? Quais os principais empregadores?
PS
–Aqui, existem algumas empresas de construção civil, alumínios, mobiliário, pequeno comércio e também o Centro Comunitário da Lajeosa, com centro de dia, apoio domiciliário, ATL e creche, que emprega muita gente. À entrada da freguesia também foi construído o edifício da Quinta de Jugais, havendo a ideia de criação de postos de trabalho. No entanto, isso não se tem verificado, tendo sido assegurados dois ou três postos de trabalho sazonais. É uma pena, porque é um edifício que até dignifica a entrada da nossa freguesia. Tenho esperança que um dia o espaço funcione a 100 por cento e possa ali empregar muita gente. Estou convencido disso.

CBS – O desemprego tem afetado muitas famílias?
PS-
Neste momento, o desemprego existe em todo o lado. Algumas pessoas têm conseguido dar a volta à situação. É claro que temos alguns desempregados, mas a maior parte das pessoas tem conseguido superar. Há também algumas situações críticas ao nível de carência mais profunda, mas temos estado atentos e informado a Câmara Municipal.

CBS – Com que respostas a população da Lajeosa pode contar?
PS –
Temos o Centro Comunitário com as várias valências e o jardim de infância, que funciona no mesmo espaço, mas que é da responsabilidade da Câmara Municipal. Também temos Escola do 1º ciclo com um conjunto considerável de alunos. A nossa freguesia tem muitos jovens e até estou a tentar formar um grupo de jovens. Na área da saúde é que não dispomos de nenhum serviço. Em tempos já existiu um posto médico, mas agora a população tem que recorrer ao centro de saúde da cidade. É uma lacuna, mas o que vale é que a cidade é mesmo aqui ao lado.

CBS – Disse que um mandato é pouco para um executivo fazer todas as obras que deseja. Equaciona dar continuidade ao trabalho que tem vindo a dinamizar, por via de uma recandidatura?
PS –
Não tenho pensado nisso. Quero acabar este mandato em grande. Não sei se me irei recandidatar. Apesar de haver obras que fiquem por fazer, as mesmas poderão ser feitas pelo próximo presidente de Junta de Freguesia.

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