Na semana passada o Diário de Notícias informou os seus leitores de que podiam passar a expor as suas opiniões e informações no site daquele prestigiado jornal “sem necessidade de pré-registo e pré-aprovação”.

Nós e a Internet

Quer isto dizer que à semelhança do que acontece com a edição online do correiodabeiraserra.com, que introduziu esta inovação já em 2006, todos os leitores do prestigiado jornal “terão a possibilidade de ver os seus comentários publicados de imediato no site”.

O DN sabe que esta decisão editorial acarreta muitos riscos, porque hoje – e isto é um fenómeno mundial –, é impossível limpar o lixo digital que milhares de leitores despejam nas edições electrónicas dos mais conceituados jornais do planeta.

Nos termos de uso do jornal detido por um dos maiores grupos de comunicação social do país – a Controlinveste –, o DN adverte os utilizadores do site que “não controla nem é responsável por qualquer conduta ilegal, ofensiva ou difamatória dos seus utilizadores”.

Para mim, um apaixonado destas novas tecnologias, este é um ponto crucial, já que a responsabilidade – há muitos magistrados que assim não o entendem – é de quem faz um uso indevido.

A internet é hoje a maior auto-estrada de informação do mundo. O seu crescimento não tem sido no entanto acompanhado pelo estabelecimento de algumas regras. Falta-lhe uma espécie de “Código da Estrada”.

Imaginemos, por exemplo, que de ora em diante os tribunais portugueses vão passar a responsabilizar a BMW e os concessionários da marca alemã pelas atrocidades e por os crimes que os automobilistas cometem diariamente nas estradas do país. Sim, porque se o carro só pode circular a uma velocidade máxima de 120 Kms – em auto-estrada –, por que razão é que os seus condutores o colocam a rodar a mais de 200 Kms à hora? De quem é a culpa? Do construtor ou do utilizador? Isto, caros leitores, é o que se passa na auto-estrada da internet, onde muitos utilizadores – à semelhança dos condutores que fazem “piretes” e dirigem insultos aos outros automobilistas –, despejam as suas frustrações e ofendem quem quer que seja.

Dito de outro modo: da mesma forma que Portugal não pode ter um polícia em cada estrada a averiguar se os automobilistas estão a pôr a sua vida e a dos outros em risco, também os jornalistas estão impossibilitados de vigiar os milhares de cibernautas que fazem uma utilização perigosa e abusiva das auto-estradas de informação.

Sendo assim, como é que vamos resolver o problema? É fácil. Responsabilizando quem faz uso indevido do que quer que seja, e que não perceba que a nossa liberdade acaba quando começa a dos outros.

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