Nota da Direcção: Correio da Beira Serra repudia tentativa de achincalhamento feita por destacado militante do PCP

 

Num artigo de opinião publicado na última edição do jornal “Folha do Centro”, de 2 de Março, o ex-presidente da Junta de Freguesia de Meruge, João Abreu (JA), não arranjou melhores argumentos para preencher a meia-página que lhe está reservada, e veio tentar criar uma pseudo-polémica com o Correio da Beira Serra.

Diz o cronista do PCP, numa referência à tão noticiada falta de liberdade de imprensa na comunicação social que “o fenómeno chegou por antecipação a certa imprensa do nosso concelho, que correu da sua lista de colaboradores um cronista incómodo, pela frontalidade das suas posições e pelo desalinhamento da matéria da sua escrita em relação à linha política editorial”.

Primeiro ponto: o Correio da Beira Serra tem, na verdade, uma linha editorial que não se compadece com o clima de permanente quezília que, ultimamente, o ex-colaborador deste jornal, João Dinis (JD), tentou fazer extravasar para as páginas deste jornal, na sua coluna de opinião. Essa é a verdade!

Como director do CBS, adverti por várias vezes aquele colaborador – cuja colaboração regular, não podemos deixar de agradecer -, que não era de bom tom andar a fazer falsas insinuações num espaço de opinião com o mero intuito de denegrir os seus adversários políticos; informei-o também da incorrecção que representava o facto de JD, em alguns artigos de opinião, andar a dirigir alguns impropérios, nos seus artigos, a outros colaboradores do Correio da Beira Serra que, periodicamente, partilhavam com ele o espaço de opinião deste jornal.

Entendi que isso não era salutar, e um dia até me senti na obrigação de apresentar desculpas a um colaborador de uma área política contrária à de JD.

Pouco tempo antes das últimas eleições autárquicas, comuniquei a JD – através de um e-mail – que o Correio da Beira Serra prescindia dos seus artigos, pelo facto de ele ser candidato a essas mesmas eleições. Foi um critério adoptado pelo jornal.

Depois das eleições, e apesar de conviver extremamente bem com a crítica, decidi não lhe renovar o convite para o espaço de opinião, uma vez que o colunista em causa criou um insuportável ambiente de maledicência em que já nem o próprio jornal que lhe dava “abrigo” para exprimir as suas opiniões sobre a actualidade política escapava.

É óbvio que quem não está bem muda-se! Ou o senhor João Abreu tem por hábito convidar pessoas para sua casa para, depois, o insultarem? E sobre este assunto basta consultar os arquivos da edição digital do correiodabeiraserra.com, para se ajuizar se um jornal podia compactuar com este tipo de situações.

Segundo ponto: diz ainda JA que JD “foi despedido com o argumento de que o partido que representa – o PCP – tem poucos votos no concelho”.

No concelho de Oliveira do Hospital o PCP vale o que vale, mas isso não é uma questão que me diga respeito. O que me diz respeito é que JD – já depois de ter deixado de colaborar no CBS – contou sempre com o jornal na quase generalidade das suas acções de campanha eleitoral e, em véspera de eleições, foi entrevistado em moldes semelhantes ao que aconteceu com os protagonistas das outras candidaturas partidárias. Em termos jornalísticos, o CBS cumpriu, portanto, com as suas funções.

Tentando arranjar um caso tipo “Manuela Moura Guedes”, o articulista do FC procura também estabelecer uma ligação entre a saída de JD das páginas do Correio da Beira Serra e o facto de o mesmo ter ganho as eleições em Vila Franca da Beira. Ou seja: na freguesia onde o principal sócio deste jornal, António Lopes, também foi candidato, mas pelo PS.

Admito que João Abreu esteja habituado a esse tipo de conduta e de procedimentos na sua vida política e, por isso, confunda a árvore com a floresta. Mas aqui no Correio da Beira Serra, os leitores sabem que não temos esses métodos.

Terceiro ponto: Por último, aquele empregado político do PCP que agora assentou arraiais na sede do partido na António José de Almeida, em Viseu, tem ainda – no mesmo artigo de opinião – uma referência extraordinária relativamente ao Correio da Beira Serra. Diz assim: “Quero confessar que li a entrevista do presidente da Câmara (de Oliveira do Hospital) ao Boletim Municipal e que aprendi muito”.

Ao Boletim Municipal, João Abreu? Não, a entrevista foi ao Correio da Beira Serra que, como sabe, nestes últimos 16 anos foi vítima do mais variado tipo de sacanices – é mesmo essa a palavra – e com a sua cumplicidade. Ou algum dia abriu a boca para lamentar as barreiras que o anterior executivo camarário ergueu para impedir este órgão de comunicação social de ter acesso a um pilar básico da nossa democracia – a informação?

Mais ainda: alguma vez se incomodou com o facto de nestes anos todos a Câmara Municipal que, tanto defendeu, nunca ter canalizado um único euro de publicidade municipal para este jornal, como forma de represália? Por que é que não tenta saber qual foi o montante financeiro gasto noutros órgãos de comunicação social,  incluindo principalmente aquele onde escreve? Aliás, na Junta a que presidiu, a prática foi exactamente a mesma…

Mas quem é JA para, três ou quatro meses depois de o actual executivo camarário estar em funções, vir apelidar este jornal de Boletim Municipal? O JA está ainda recordado que foi um dos presidentes de Junta que se recusou a dar uma entrevista a este jornal para evitar um “puxão de orelhas” do presidente da Câmara de então?

Sempre tive o JA como um cidadão intelectualmente desonesto, que hipotecou a sua consciência política a interesses privados e mesquinhos, colhendo com isso algumas benesses bem conhecidas da opinião pública. Tenho pena que – fazendo parte do Comité Central do PCP – não saiba sequer honrar a memória dos homens e mulheres que no seu partido sempre lutaram pela liberdade.

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